segunda-feira, 25 de outubro de 2010

"Lula comprou os pobres do Brasil"

O escritor Ferreira Gullar vota José Serra. Vê Dilma como “uma marionete” e Lula como um “ignorante”, “mentiroso”, com “fome de poder”, que é “a vergonha do Brasil”.

"Ele [Lula] nunca leu um livro", diz Ferreira Gullar (Foto: DR
Aos 80 anos, Ferreira Gullar continua de cabeleira branca pelos ombros e mão enérgica a bater na mesa, quando sobe de tom, no seu apartamento cheio de livros e quadros, em Copacabana.
Parece tão em forma quanto está: “Não tenho nenhuma doença.”
Nascido em São Luís do Maranhão, Nordeste do Brasil, vive no Rio de Janeiro desde os 21 anos. Foi comunista filiado, lutou contra a ditadura, esteve preso. Tem uma longa e variada bibliografia, com destaque para a poesia. Recebeu este ano o Prémio Camões, o mais importante da língua portuguesa.
A conversa começou exaltada e terminou amena. Ferreira Gullar explicou depois que tivera umas conversas políticas que o tinham irritado. E mais para o fim da entrevista dirá, meditativo: “Possivelmente nós vamos perder a eleição.”
A campanha ferve.

Publicou um texto chamado “Vamos errar de novo?”, (aqui) a apelar ao voto em José Serra. Não faz parte de nenhum partido. Porque sentiu necessidade de intervir?
Como cidadão, não só tenho o direito como o dever. Sempre participei politicamente.
É uma eleição bastante importante. Pode significar uma mudança para o país e ter consequências sérias.
Há quem ache o contrário, que nada de essencial se vai alterar, seja quem for que ganhe.
[Batendo com a mão na mesa] A permanência do PT no poder é uma ameaça à democracia brasileira. Está vendo o que acabou de acontecer? Espancando o Serra!

Foi um rolo de papel [atirado à cabeça de Serra num passeio de campanha].
Ah, não, isso é o que o Lula diz. Não acredito no Lula, é um mentiroso.

O perito do SBT e a nota do repórter - que nada diz


O SBT contratou o seu próprio perito para avaliar as imagens das agressões de que o tucano José Serra foi vítima em Campo Grande, no Rio. Suas conclusões coincidem com as de Ricardo Molina, que periciou as imagens a pedido da Globo. A “bolinha de papel”, exibida pelo SBT, retrata um outro momento da agressão. Que eu saiba, seu parecer não foi ao ar. Entendo…
Marco Alvarenga, o repórter do SBT que fez a reportagem que caracteriza, na prática, Serra como um farsante divulgou uma nota. Ele está indignado com o uso do seu trabalho no programa do PT. Leiam o que ele escreve. Volto em seguida.

Recado do Senador eleito Aécio Neves

Um recado do Senador eleito de Minas Gerais Aécio Neves, para todos os mineiros, pedindo o seu voto e a sua contribuição para a eleição de José Serra para presidente.

Governo britânico planeia vender florestas e expulsar pobres de Londres

Mais de 200.000 pessoas poderão ser expulsas da cidade de Londres devido aos cortes no apoio social à habitação decididos pelo governo britânico, que pretende também privatizar metade da floresta pública.

Três mil pessoas manifestaram-se contra o plano de austeridade do Governo britânico,
no dia da sua apresentação.
Foto Lusa/EPA/Andy Rain

Os cortes devastadores nos apoios sociais à habitação vão provocar uma “limpeza social” na cidade de Londres, noticiou neste domingo o jornal Guardian.
Segundo autarcas locais da cidade, 82.000 famílias pobres, o que significa mais de 200.000 pessoas, podem ser expulsas da cidade, devido aos preços elevados das rendas e aos cortes nos apoios sociais à habitação, impostos pelo plano de austeridade anunciado na passada semana pelo Governo da coligação de conservadores e liberais-democratas.
Noutras cidades britânicas de rendas elevadas, como Oxford ou Brighton, poderá acontecer uma situação semelhante.
Em Londres, a política governamental tem o apoio do presidente da Câmara da cidade, Boris Johnson, e autarcas conservadores estão já a reservar instalações fora da capital (em Hastings, Reading e Luton), para desterrar as pessoas expulsas de Londres.
David Orr, presidente da National Housing Federation (Federação Nacional de Habitação), considera os cortes “verdadeiramente chocantes” e diz que se os ministros não reconsiderarem os “cortes punitivos” o plano levará a que mais pessoas durmam na rua, do que “em qualquer momento dos últimos 30 anos”.
Mas o governo de David Cameron e Nick Clegg pretende também prosseguir a política de privatizações iniciada por Margareth Thatcher e prosseguida por Blair. Como já vão escasseando os bens e serviços públicos, este governo quer privatizar cerca de metade dos 748 mil hectares de floresta do Estado, até 2020. Os movimentos ambientalistas exigem que os cidadãos possam usufruir das florestas, mesmo privatizadas. Os sindicatos do sector opõem-se à privatização.
Esquerda.net, 25-10-2010

Obama sob pressão para abrir inquérito aos abusos nas prisões do Iraque

A pressão aumenta sobre a Administração de Barack Obama para que investigue a denúncia de que as suas tropas fecharam os olhos à tortura cometida nas prisões iraquianas – alegações que o vice-primeiro-ministro britânico classificou de “extraordinariamente graves”. Mas em Washington reina o silêncio e um porta-voz do Exército garantiu que não há planos para reabrir os arquivos.

O "El País" diz que Assange "é o pesadelo" da espionagem americana.
 Foto: Luke MacGregor/Reuters
Nick Clegg, que na oposição foi uma das vozes mais críticas do envolvimento britânico na guerra, admitiu que a iniciativa do WikiLeaks pode “ser discutível”, mas as revelações contidas nos quase 400 mil ficheiros divulgados pelo site são “perturbadoras” e não devem ser ignoradas.
Em entrevista à BBC, o líder dos liberais-democratas não excluiu a hipótese de ser aberto um inquérito para apurar se os soldados britânicos encobriram os abusos atribuídos às forças iraquianas, mas não tem dúvidas que Washington tem de responder pelas acções dos seus soldados. As acusações que lhes são feitas “são muito, muito graves” e “presumo que a Administração americana vai querer dar-lhes uma resposta”, acrescentou.
Declarações que contrariam o tom usado pelo Ministério da Defesa, que na véspera condenou a fuga de informação e garantiu ter investigado todas as denúncias. E ainda que partindo de um conhecido opositor à guerra, o recado enviado a partir de Londres (o principal aliado dos EUA na ofensiva) soma-se aos muitos apelos para que o Presidente Obama não deixe cair em saco roto as denúncias.

Eslovénia elege primeiro presidente de câmara negro da Europa Central

Foi uma vitória apertada (por 51,4 por cento dos votos), mas já fez história: o médico Peter Bossman, oriundo do Gana, venceu em segunda volta as eleições municipais de Piran, no Sudoeste da Eslovénia, e assim tornou-se no primeiro presidente de câmara negro da Europa Central.

Chamam-lhe o “Obama de Piran”, uma cidade costeira de 17 mil habitantes. 
Foto: Srdjan Zivulovic/Reuters
Candidato pelo Partido Social Democrata (de centro-esquerda, no poder a nível nacional), Bossman bateu o incumbente, também médico, Tomaz Gantar (do centro-direita), que até se tinha saído melhor à primeira ronda, realizada a 10 de Outubro.
Chamam-lhe o “Obama de Piran”, uma cidade costeira de cerca de 17 mil habitantes que os analistas dizem ter revelado, com este resultado, que a Eslovénia – antiga parte da Jugoslávia – é um “país maduro”, ao ter elegido um “representante político que não é branco”.
Peter Bossman, de 54 anos, cujo pai é também médico e político no Gana, chegou à Eslovénia na década de 1970, para estudar medicina. Casou com uma colega de faculdade, Karmena, oriunda da Croácia, com quem teve duas filhas, e decidiu ficar no país. “Nos primeiros meses em que vivi na Eslovénia senti que as pessoas não nos queriam aqui [aos imigrantes africanos]. Mas nestes últimos dez ou 15 anos não tive quaisquer problemas, não fui alvo de discriminação. Acho que as pessoas já não vêem a cor da minha pele quando olham para mim, apenas um bom médico e um bom homem”, afirmou, manifestando-se “feliz e orgulhoso” pela vitória eleitoral.“Dificilmente se pode dizer que sou o típico cidadão esloveno, mas o facto de ter sido eleito mostra com clareza o nível de democracia existente na Eslovénia”, prosseguiu o novo presidente da câmara de Piran.

Venezuela e Portugal reforçam relações

Chávez e o "seu amigo" Sócrates em Viana do Castelo. Foto: Manuel Roberto
Margarida Gomes

Presidente venezuelano potenciou a assinatura de um pacote de acordo no âmbito da construção naval, da habitação e das novas tecnologias

Chegou, inesperadamente, ao volante de uma carrinha Mercedes cinzenta de oito lugares aos estaleiros navais de Viana do Castelo, e decidiu assinalar a sua chegada com uma grande buzinadela e um enorme sorriso. Vestido de informalmente, o Presidente da Venezuela deu um fraterno abraço no primeiro-ministro português, cumprimentou o ministro das Obras Públicas, António Mendonça (o que substitui Mário Lino, lembrou José Sócrates), e foi conversar com os trabalhadores dos estaleiros que o aguardavam. E logo ali mostrou-se "muito interessado" na compra do navio Atlântida, encomendado aos estaleiros pelo governo regional dos Açores, mas que viria a ser rejeitado. "Ferry? Disseram-me que é um barco bom, bonito e barato. Se é assim, estamos muito interessados", atirou Chávez, à chegada aos estaleiros, arrancando uma sonora gargalhada.

O Sistema. Ou "Entre Lula e Tiririca não há diferença".

Maria Lucia Victor Barbosa

"Tropa de Elite 2" é que deveria concorrer ao Oscar e não a propaganda nazicabocla, "Lula, o Filho do Brasil", que nem os devotados militantes petistas aguentaram assistir. Magistral a produção do cineasta José Padilha que ilustra através da ficção a corrupção institucional do Rio de Janeiro. 
Em meio, porém, a tantos corruptos, a exceção que exalta a coragem, a honestidade, a integridade de caráter do tenente-coronel Nascimento, atributos raros que introduzem na sordidez asfixiante do Sistema a existência de valores e do heroísmo. Não daquele falso heroísmo que incensa jogadores de futebol ou vítimas de acidentes, mas do verdadeiro sentido do herói capaz de doar-se em prol de uma causa coletiva. 
Nascimento volta e meia se refere ao Sistema, algo que dá o que pensar. O termo tem uso preciso em Sociologia e não pretendo aqui esmiuçar os estudos que se fizeram sobre o tema para o texto não ficar cansativo. Apenas esclareço resumidamente que Sistema existe em qualquer grupamento social, sempre composto de um lado por indivíduos singulares e de outro pela complexa rede de relações que caracterizam a convivência recíproca dos indivíduos.

As pesquisas e projeções para o dia da eleição presidencial

Cesar Maia
1. As pesquisas são balizadores, ou como preferem os diretores técnicos do IBOPE e DATAFOLHA, são 'diagnósticos'  e não 'prognósticos'. O importante, nesta reta final, é entender que pontos da comunicação dos candidatos estimulam o voto a seu favor, na base da sociedade através do que estatísticos chamam de 'jogo de coordenação'. Ou seja, a conversa solta e informal entre pessoas nos seus locais de moradia, trabalho, lazer..., sobre a campanha. Como induzir agendas que estimulem essas conversas na direção desse ou daquele candidato?                      
2. Paulo Coelho em "O Aleph": "É o que você faz no presente que redimirá o passado e logicamente mudará o futuro."  Criticar as pesquisas não adianta nada. Há que avaliar as possibilidades efetivas de vitória - hoje - e trabalhar com elas.                      
3. Para não se entrar nas vísceras das pesquisas e buscar os polos de indução, o que exigiria centenas de cortes por região, nível de instrução, situação em relação ao emprego, a religião, a preferências na imprensa... (o que exigiria um, aqui, espaço muito grande e os dados internos das pesquisas) vamos nos concentrar nos cortes das grandes regiões que todos acompanham. Isolemos o Norte e Centro-Oeste, supondo que se anulem, pró-Dilma, pró-Serra. Ambos têm 7% dos eleitores.                      
4. A projeção dos resultados das pesquisas realizadas e em realização, pesquisas nacionais e diárias, mostra que Dilma vencerá no Nordeste e Serra no Sul e no Sudeste. Para simplificar, use a relação 1 para 2. Ou seja, a diferença de Dilma no Nordeste é compensada por uma diferença que seja a metade dessa no Sudeste. Se a diferença de Dilma no Nordeste for de 2, no Sudeste Serra terá que vencer por 1 para empatar.

O estilo desfaz o homem

Daqui a oito dias, no próximo domingo antes das 9h da noite, o presidente Luiz Inácio da Silva começará a vivenciar o passado, as urnas apontem a eleição de Dilma Rousseff ou de José Serra para lhe suceder na chefia da Nação.
É inexorável: eleito, as atenções se voltam para o novo, o próximo, aquele que de fato traduz mais que uma expectativa, representa o poder em si. Político baiano da velha guarda, Afrísio Vieira Lima tem a seguinte filosofia: "Ninguém atende ao telefone ou à porta perguntando quem foi, todo mundo quer saber quem é."
Pois é. Face à evidência de que a natureza humana não falha, o mundo político não foge à regra. No momento seguinte à proclamação do resultado, o País - quiçá o mundo - voltará toda a sua atenção para a fala, os planos, os gestos, as vontades, os pensamentos, a biografia, a família, os amigos e tudo o mais que diga respeito à pessoa que a partir do primeiro dia de 2011 dará expediente no principal gabinete do Palácio do Planalto.

O insuportável bullying do júri do ‘Ídolos’

Júri de "Ídolos" (em sentido horário, da imagem no lado esquerdo inferior): Pedro Boucherie Mendes,  Laurent Filipe, Roberta Medina e Manuel Moura dos Santos
Isabel Stilwell
Não há nada mais insuportável do que assistir à prepotência, ainda para mais mascarada de entretenimento. É o que sinto sempre que me deparo com o júri do Ídolos, três senhores e uma senhora que se comportam como se o cargo lhes permitisse (ou mesmo obrigasse) a serem malcriados e arrogantes, tanto mais perfeitos no desempenho do seu papel quanto mais conseguirem humilhar os participantes que têm à frente.

«Só és alguém se eu quiser», «Tu não és cantor, não és nada», «Vai-te embora e não voltes a aparecer», são o estilo de comentários que proferem perante o divertimento da assistência e, presume-se do produtor do programa, e eventualmente do telespectador que, lá em casa, tem assim uma oportunidade de se ‘vingar’ dos que tiveram a presunção de ali ir enquanto ele não saiu do sofá.

Como vivem os parlamentares na Suécia

Pessoal, vale a pena ver o vídeo abaixo.É por isso que somos considerados um país de quinta categoria e com toda a razão mesmo, e é por isso que a Suécia é um dos paises mais desenvolvidos e está entre os 3 com melhor qualidade de vida das pessoas no mundo. Vendo o vídeo abaixo dá para entender um pouco o porque disso, por aí dá para perceber o nível de maturidade politica do povo sueco e porque os aposentados suecos são os que têm a melhor qualidade de vida do mundo. 
Qualquer vereador brasileiro de pequenos municípios do interior tem salários maiores e mordomias que os principais políticos suecos nem sonham ter, lá tiriricas não existem nem como cidadãos porque o analfabetismo é zero, quanto mais como politico, isso seria motivo de piada ou assombro para eles. 
Helder Erig 


Já decidi: vou votar na Dilma!

Mario Fortes
Olha, sinceramente, cansei do candidato José Serra e decidi votar na Dilma.
Cansei desse papo de ética. Que papo mais ultrapassado! Quero mesmo é votar na Dilma para os aliados dela, Maluf, Sarney, Collor, Jader Barbalho, José Dirceu, Delúbio, Erenice Guerra, Edir Macedo, Marcos Valério, Renan Calheiros continuarem mandando no nosso dinheiro. Nós Brasileiros, temos a obrigação moral de sustentar suas estupendas fortunas, casas, iates, festas. Quem sou eu pra prejudicar qualquer um deles?
Aliás, em 1988, o PT apoiou o Maluf pra presidente contra o Tancredo. Imagina quão mais justo, desenvolvido e sem corrupção seria o Brasil com o Maluf Presidente. 
Cansei dessa Lei de Responsabilidade Fiscal que o FHC e o Serra fizeram. Ela dificulta muito a vida dos corruptos. Isso não se faz com os coitados.
Terminantemente não admito votar em um candidato que tem mais de 40 anos de vida pública e nunca esteve envolvido em nenhum escândalo. Cansei dessa história de ficha limpa.

Marilena Chaui repete Goebbels 77 anos depois; ela só trocou de “judeus”

Uma esquerdista vive o auge do seu delírio imoralista. Ou: Marilena Chaui repete Goebbels 77 anos depois; ela só trocou de “judeus”
Marilena Chaui
Abaixo, escrevo um post sobre as quase 100 mil assinaturas do Manifesto em Defesa da Democracia e lembro a manifestação ilegal havida na Faculdade de Direito do Largo São Francisco em defesa da candidatura de Dilma Rousseff. Eu não havia visto ainda o vídeo em que Marilena Chaui põe toda a sua ignorância a serviço da causa. Uma ignorância que chega a ser quase comovente, embora essencialmente perigosa. Ela fala suas bobagens de modo muito convicto, escandindo as sílabas com especial ênfase, como se isso conferisse seriedade ao que diz. Ah, Marilena, Marilena… 
Antes que eu publique o vídeo e comente, um pouco de memória pessoal. Ainda mocinho e ainda de esquerda, fui certa feita a uma plenária de professores e alunos da USP, começo dos 80, preparatória para uma greve, e esta senhora era a grande estrela do encontro, mesmerizando a atenção dos jovens estudantes. Num discurso, um tanto inflamada, Marilena deu lá a sua interpretação muito particular da resposta da reitoria a algumas reivindicações, e disparou: “Esse reitor que vá para a puta que o pariu!”

O manifesto da desonestidade intelectual

Eu retiraria o "intelectual": acho que não cabe tal adjetivo para uma assemblagem de militantes de uma causa que tem tudo de política, exclusivamente política, e da mais baixa extração.
Intelectual tem a ver com coisas do espírito, com o uso da capacidade de pensar, de argumentar racionalmente, de guiar-se pela lógica, pela verdade dos fatos.
Tudo isso está em total contradição com o que ocorreu no Rio de Janeiro, nesse encontro patético, se não fosse simplesmente ridículo.
Paulo Roberto Almeida

O Manifesto da desonestidade intelectual
Guilherme Fiuza
A burguesia culpada ataca novamente. O manifesto de intelectuais a favor da candidatura Dilma – aquele que incluiu a assinatura do diretor de Tropa de elitecontra a vontade dele – resume o Brasil do faz de conta. Faz de conta que o país está dividido entre ricos e pobres, conforme a mitologia criada por Lula desde seu primeiro discurso presidencial. Faz de conta que os avanços sociais vão acabar se a oposição vencer. Faz de conta que a vida do povo melhorou porque Lula é pobre.
A elite envergonhada se sente nobre quando bajula o povão. Não contem para ninguém que os avanços sociais começaram no governo de um sociólogo, porque isso vai estragar todo o heroísmo da esquerda festiva. Ela estava feliz em sua jornada nostálgica no Teatro Casa Grande, onde aconteciam as históricas reuniões de resistência à ditadura. Não perturbem Chico Buarque, Leonardo Boff e demais artífices do manifesto dos intelectuais em seu doce sonho de altruísmo. Deixem-nos curtir seu abraço metafórico ao operariado. 
O único problema desse abraço é a metáfora em si. Ela se chama Dilma Rousseff e está prestes a virar abóbora. A fada que a transformou em encarnação da esperança popular deve estar exausta. O encanto começa a se dissipar, e a donzela começa a rosnar mensagens constrangedoras, com o rosto novamente crispado, masculinizado, hostil. A mamãe dos brasileiros está se desmanchando ao vivo. Os intelectuais e artistas de esquerda precisam fazer alguma coisa, porque o estoque de licenças poéticas do plano Dilma está no fim. Talvez pudessem importar um lote novo da Venezuela.

Viúva de Chico Mendes recebe ameaças de morte depois de declarar apoio a Serra

Do jornal “A Tribuna”, do Acre:
Um dia após ter o portão de sua residência derrubado por três homens não identificados, Ilzamar Mendes, viúva do líder seringueiro Chico Mendes, revelou em entrevista à reportagem de A TRIBUNA que dias atrás recebeu uma ameaça por telefone. “Uns dois dias após eu aparecer na mídia nacional, recebi uma ligação de um telefone sem identificação. A voz era de um homem que me perguntou: ‘Você não tem medo que aconteça a você o mesmo que aconteceu a Chico Mendes?’ A pessoa disse apenas isso e desligou”, revela.
De acordo com ela, na época em que recebeu a ligação preferiu apenas contar o fato aos familiares para não criar uma polêmica ou gerar sensacionalismo.  Contudo, Ilzamar Mendes diz que após a tentativa de invasão a sua residência trouxe consigo um sentimento que ela conheceu anos atrás, na época em que Chico Mendes era ameaçado por pistoleiros diariamente. “É inevitável não sentir medo diante dessa tentativa de invasão. Vivi oito anos com o Chico e não tivemos um mês de sossego. Vi meu marido, pais dos meus filhos, ser morto covardemente na porta de casa”, relembra Ilzamar Mendes.

Ele ainda não entendeu a democracia e deixa uma herança maldita na política

Criação: Cláudio Teixeira


Ainda fazendo alusão aos episódios ocorridos em Campo Grande, no Rio, quando seus amigos e comandados se comportaram como a SA nazista, assaltando uma manifestação tucana e agredindo o candidato José Serra, Lula afirmou ontem num dos palanques da vida: “Nós vamos bater neles nas urnas”, reiterando, contra os fatos, que os tucanos tentaram protagonizar uma farsa para caracterizar o PT como violento. As fotos  do post abaixo não deixam a menor dúvida sobre a ligação do partido com aquela baderna autoritária. Também evidenciam quem é o chefe do bando. Chegaremos a ser uma República?

Em nenhum lugar do mundo democrático um chefe de governo se mete no processo eleitoral com a desenvoltura e a sem-cerimônia de Lula. Essa característica “muito nossa” depõe contra o país. Até nos regimes parlamentaristas, em que o primeiro-ministro está submetido a freqüentes referendos por intermédio das eleições legislativas, o comportamento é mais comedido. A razão é simples: a sociedade não aceita que os assuntos que dizem respeito ao governo e ao estado sejam submetidos, prioritariamente aos interesses partidários. E reage.

São dois pra lá, dois pra cá.


É rigoroso empate técnico. Entendam o recado de José Serra: se você já vota em mim, consiga outro voto. Há mais de uma semana a diferença é de dois pra cá, dois pra lá, como no tango. É possível. É viável. É visível. Por que Lula está tão desesperado? A eleição está entre a abstenção e as viagens. OTracking da Virada aponta esta alternância. Calma com os programas de TV, eles estão sendo monitorados com a ponta dos dedos. Bate, cai um ponto. Não bate, sobe um ponto. Volta a bater, sobe um ponto. Pára de bater, cai um ponto. A eleição não está mais na mão dos marqueteiros. Há pouca coisa a fazer na TV. Agora a eleição será vencida na rua. No trabalho de cada um. Deu para entender ou é preciso desenhar? Ao trabalho, à luta.  O Blog está em viagem. Os comentários estão sendo liberados normalmente.

Petista prega "Morte ao Serra" pelo Twitter

A internet está seguramente entre as maiores invenções da civilização ocidental. Calcula-se que apenas cerca de 10% de seu potencial seja utilizado na atualidade. É uma das ferramentas fantásticas criadas pela ciência aplicadada que se traduz naquilo que conhecemos como tecnologia.
Todavia, o que é tido como virtual na rede é reflexo das ações e e relações sociais, ou seja, o que aparece nas mais diversas modalidades dessa fabulosa conexão em rede não pode portanto ser diferente da realidade. E a realidade, por sua vez, pode ser criativa, grandiosa, solidária e altruísta; mas pode também ser iníqüa, sórdida, mesquinha e mentirosa quando não, criminosa.
Um exemplo desse lado sórdido e criminoso da internet pode ser constatado pelos usuários do Twitter, essa ferramenta de comunicação fantástica que faz a integração instântanea da população de todo o planeta.


Há pouco um tuiteiro me enviou o link para esse perfil cujo facsímile reproduzo acima. Reflete todo o ódio que orienta a ação dos partidários do PT sob a liderança do Lula, da Dilma, do Zé Dirceu e assemelhados. Sim, porque são eles com a sua prática de vida e suas ações e reações que instigam a militância a agredir adversários, como ocorreu em Campo Grande, Rio de Janeiro, na última quarta-feira ou, ainda, na internet onde espalham o terror através das redes sociais.

Sai dessa, Chico Buarque!


Apertem os cintos, vem aí mais um manifesto de intelectuais. Como se sabe, intelectuais gostam de miséria – já dizia o filósofo Joãosinho Trinta. Dessa vez eles capricharam.
O manifesto em apoio a Dilma Rousseff, encabeçado por Chico Buarque de Hollanda, compara os simpatizantes da oposição aos conspiradores do golpe de 64. Barra pesada.
Mas faz sentido. Não tem a menor graça soltar um manifesto à nação sem umas pinceladas épicas. Qual seria o impacto de defender a eleição de Dilma para que gerentes da Petrobras possam continuar convocando comícios pelo email da estatal?
Soaria pequeno-burgês. Ou pequeno-fisiológico. Nessas horas, é preciso grandeza. É preciso mostrar ao povo que o país estará em perigo se não eleger a madrinha de Erenice e sua grande família.

Maria da Conceição Tavares: “Lula é um génio do povo”

Amiga de Dilma e Serra, a economista portuguesa Maria da Conceição Tavares, figura nacional no Brasil, vota Dilma. E explica porque acha que Lula é um líder sem par.

Ao longo de décadas, Maria da Conceição Tavares 
formou gerações de economistas e líderes políticos, incluindo Lula.
 Foto: Pedro Vilela/AFP

Maria da Conceição Tavares é daquelas figuras “maiores que a vida”. Aos 80 anos, a fumar ininterruptamente na sua casa do bairro carioca Cosme Velho, tem algo de Indira Gandhi ou Churchill. Voz e riso de trovão, olhar agudo, resposta incisiva. Respeitada em todo o espectro político como economista e pensadora, é uma das grandes conselheiras do PT. Nunca quis ser ministra porque diz tudo o que pensa.
Portuguesa, nascida em Anadia, crescida em Lisboa, filha de um anarquista que alojava refugiados da Guerra Civil de Espanha, veio casada e grávida para o Brasil, aos 21 anos, por causa de Salazar. Desde então, ao longo de 60 anos, formou gerações de economistas e líderes políticos, incluindo Lula. 

A senhora deve ser a única pessoa no Brasil que consegue juntar no aniversário dos seus 80 anos…
Os dois candidatos à presidência da República! [ri-se]

… Dilma Rousseff e José Serra.
Mas o clima estava muito bom. Eles nunca se trataram mal, nem nada. Eram pessoas civilizadas, que se tratavam bem. A campanha é que despertou essa trapalhada. A noite [do aniversário, 24 de Abril] correu perfeita. Nem se discutiu política. Foi uma festa.

Eles sempre tiveram boa relação?
Não que sejam amigos pessoais, como eu sou amiga dos dois. Mas sempre tiveram boa relação. O Serra era um sujeito civilizado. Não sei o que deu na cabeça dele agora.

Conhece-o muito bem…
Desde 1968.

… se tivesse de explicar quem é José Serra, o que diria?
Um bom economista. Ambos éramos do PMDB, a frente democrática contra a ditadura. E ele saiu para fundar, com o [Mário] Covas e o Fernando Henrique [Cardoso], o PSDB, uma espécie de ala esquerda. Muita gente não acompanhou isso. Eu, por exemplo, não fui porque não faço muita fé no Fernando Henrique, que sempre foi meio dúbio, trapalhão. O Covas é que era o homem importante. Morreu. E aí… A partir do momento em que Fernando Henrique foi para o poder, o Serra manteve a posição dele como economista contra a política neoliberal.

Luiz Zidane Lula da Silva

Elio Gaspari

Para ficar na metáfora de Lula, seu comportamento ao comparar o ataque sofrido por José Serra no Rio ao teatrinho do goleiro chileno Roberto Rojas foi semelhante ao do jogador francês Zinedine Zidane quando deu uma cabeçada no zagueiro italiano Materazzi, em 2006.

Lula deve desculpas a Serra. Chamou-o de mentiroso sem ver os vídeos que reconstituem o incidente. Se os tivesse visto, não teria mentido, pois só uma pessoa desonesta (e as houve, muitas) não via que retratavam dois episódios distintos. Serra foi atingido duas vezes, por uma bola de papel e por um objeto mais pesado. A entrada de Nosso Guia no debate foi um golpe desleal, demagógico.

Se tivesse ocorrido um "dia da farsa", com Serra simulando uma agressão, teria havido uma malfeitoria de candidato. Infelizmente, o farsante foi Lula, no exercício da Presidência da República, função que está obrigado a honrar até o dia 1 de janeiro de 2011.

Criação: Stegun/www.fabricacarica.com.br
Lula 65

Neste final de campanha, Lula levou aos palanques um bordão imperial. Como completa 65 anos na quarta-feira, pediu, em pelo menos três comícios (no Piauí, no Pará e em Goiás), que os eleitores lhe deem a eleição de Dilma Rousseff de"presente de aniversário".

Noves fora a pobreza de associar o mandato de presidente da República a um mimo afetivo, o lance indica o grau de personalismo que Nosso Guia impõem à sua atividade política. Desde o Império, quando se festejava o aniversário de D. Pedro II (2 de dezembro), nunca na História deste país um governante transformou seu aniversário em efeméride política. 
Elio Gaspari, blog do Ricardo Noblat, 24-10-2010

A radiografia da candidata a gerente de país revelou uma assombrosa mediocridadae


Entre o farto material publicado nesta coluna sobre Dilma Rousseff, figuram os quatro posts que compuseram, em novembro de 2009, a Radiografia de uma Fraude. O primeiro contempla a guerrilheira de araque, cujo prontuário exibe mais codinomes que tiroteios. O segundo trata da secretária do governo gaúcho que renegou Leonel Brizola para garantir o emprego. O terceiro exibe a ministra que subiu na vida porque o presidente eleito Lula consultou o futuro presidente Lula. O epílogo descreve o país em que finge viver a candidata que Lula inventou. Tem até trem-bala.
De novembro para cá, a coluna foi honrada pela chegada de muitos milhares de leitores. A esses novos amigos é dedicada a republicação da série na seção O País quer Saber. Somados, os quatro textos escancaram o painel de falsidades, falácias, fantasias, invencionices e lorotas forjado para transformar em gerente de país uma assombrosa mediocridade. Falta uma semana para a eleição. Quem se arrepender de ter votado em Dilma Rousseff não poderá alegar que foi por falta de aviso.
Augusto Nunes