Cidade desembolsou R$ 850 mil em 18 meses para reparar estátuas, bustos, chafarizes e outros bens danificados; até julho, foram registrados 15 casos em 2026
Mariana Motta
O Rio de Janeiro gastou
R$ 850 mil nos últimos 18 meses para recuperar monumentos, estátuas, bustos e
chafarizes que foram alvo de furtos ou atos de vandalismo. O valor representa
cerca de 30% do orçamento da Secretaria Municipal de Conservação destinado
à preservação desses bens históricos e culturais.
A cidade registrou 17
ocorrências de danos ao patrimônio público em 2025. Em 2026, o número já chegou
a 15 casos até o fim de julho, praticamente igualando o total registrado
durante todo o ano passado.
Atualmente, 1.150 monumentos
estão sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Conservação.
Desse total, 349 homenageiam personalidades ligadas à história do Rio, entre
estátuas, bustos, esculturas e efígies.
A obra mais antiga é a estátua
de Dom Pedro I, na Praça Tiradentes, no Centro.
Datada do século XIX, a escultura retrata o imperador montado a cavalo. Já a
mais recente é a homenagem ao cineasta Cacá Diegues, inaugurada em
março deste ano no Alto da Boa Vista.
Drummond
teve óculos furtados 13 vezes
Entre os monumentos mais conhecidos da cidade, alguns também estão entre os que mais sofrem com furtos e vandalismo. A estátua de Carlos Drummond de Andrade, na orla de Copacabana, é um dos principais exemplos. Desde sua instalação, em 2002, os óculos do poeta precisaram ser repostos 13 vezes, segundo a Secretaria Municipal de Conservação.
O Monumento ao General
Osório, na Praça XV, no Centro, também soma nove
intervenções para reparos. Somente neste ano, outros monumentos espalhados pela
cidade foram danificados, entre eles o Relógio da Glória e as
homenagens a Cazuza, Otto Lara Resende e Sérgio
Vieira de Mello.
Os Arcos da Lapa também
estão entre os monumentos que demandam reparos frequentes. Desde 2022, o local
passou por 34 ações de manutenção para a remoção de pichações. Apenas em 2023,
foram necessárias 13 intervenções. O monumento passou por uma revitalização
concluída em julho deste ano, com investimento de R$ 1,7 milhão.
Prefeitura
estuda reconhecimento facial
Para o secretário municipal
de Conservação, Diego Vaz, os gastos com a recuperação
dos monumentos acabam comprometendo investimentos em outras frentes da pasta.
Segundo ele, as câmeras de monitoramento não têm sido suficientes para impedir
os atos de vandalismo.
A prefeitura estuda, por isso, utilizar tecnologia de reconhecimento facial para ajudar a identificar os responsáveis pelas depredações. A proposta prevê uma parceria com o Centro de Operações Rio (COR) e a Civitas. A ideia é utilizar a tecnologia para identificar quem pratica os crimes e tentar reduzir a reincidência dos casos.
Título e Texto: Mariana
Motta, Diário
do Rio, 23-8-2026, 11h51

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