segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Rio gasta quase um terço da verba de conservação para recuperar monumentos vandalizados

Cidade desembolsou R$ 850 mil em 18 meses para reparar estátuas, bustos, chafarizes e outros bens danificados; até julho, foram registrados 15 casos em 2026

Mariana Motta

Rio de Janeiro gastou R$ 850 mil nos últimos 18 meses para recuperar monumentos, estátuas, bustos e chafarizes que foram alvo de furtos ou atos de vandalismo. O valor representa cerca de 30% do orçamento da Secretaria Municipal de Conservação destinado à preservação desses bens históricos e culturais.

A cidade registrou 17 ocorrências de danos ao patrimônio público em 2025. Em 2026, o número já chegou a 15 casos até o fim de julho, praticamente igualando o total registrado durante todo o ano passado.

Atualmente, 1.150 monumentos estão sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Conservação. Desse total, 349 homenageiam personalidades ligadas à história do Rio, entre estátuas, bustos, esculturas e efígies.

A obra mais antiga é a estátua de Dom Pedro I, na Praça Tiradentes, no Centro. Datada do século XIX, a escultura retrata o imperador montado a cavalo. Já a mais recente é a homenagem ao cineasta Cacá Diegues, inaugurada em março deste ano no Alto da Boa Vista.

Drummond teve óculos furtados 13 vezes

Entre os monumentos mais conhecidos da cidade, alguns também estão entre os que mais sofrem com furtos e vandalismo. A estátua de Carlos Drummond de Andrade, na orla de Copacabana, é um dos principais exemplos. Desde sua instalação, em 2002, os óculos do poeta precisaram ser repostos 13 vezes, segundo a Secretaria Municipal de Conservação.

Outro monumento que acumula reparos é a estátua de Noel Rosa, em Vila Isabel. A obra já passou por nove intervenções, três delas somente no ano passado. Atualmente, o conjunto inspirado na música "Conversa de Botequim", formado pela estátua do compositor, uma mesa e a figura de um garçom, está sem a representação de Noel. A peça foi retirada para manutenção após ser novamente alvo de vandalismo.

Monumento ao General Osório, na Praça XV, no Centro, também soma nove intervenções para reparos. Somente neste ano, outros monumentos espalhados pela cidade foram danificados, entre eles o Relógio da Glória e as homenagens a CazuzaOtto Lara Resende e Sérgio Vieira de Mello.

Os Arcos da Lapa também estão entre os monumentos que demandam reparos frequentes. Desde 2022, o local passou por 34 ações de manutenção para a remoção de pichações. Apenas em 2023, foram necessárias 13 intervenções. O monumento passou por uma revitalização concluída em julho deste ano, com investimento de R$ 1,7 milhão.

Prefeitura estuda reconhecimento facial

Para o secretário municipal de ConservaçãoDiego Vaz, os gastos com a recuperação dos monumentos acabam comprometendo investimentos em outras frentes da pasta. Segundo ele, as câmeras de monitoramento não têm sido suficientes para impedir os atos de vandalismo.

A prefeitura estuda, por isso, utilizar tecnologia de reconhecimento facial para ajudar a identificar os responsáveis pelas depredações. A proposta prevê uma parceria com o Centro de Operações Rio (COR) e a Civitas. A ideia é utilizar a tecnologia para identificar quem pratica os crimes e tentar reduzir a reincidência dos casos. 

Título e Texto: Mariana Motta, Diário do Rio, 23-8-2026, 11h51

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