sábado, 15 de agosto de 2026

[Versos de través] Metáforas

Manuel Cândido Pimentel 

Que me dizem as metáforas? Quando existias
elas falavam-me do ser, e eu alinhava-as no papel para o teu retrato.
Que me dizem as metáforas? Falam-me do nada, e eu alinho-as no papel…
alinho-as simplesmente… e têm um sabor ou são borboletas
sem primavera ou flores sem fruto perdidas da raiz.
As metáforas são como lágrimas rolando sobre o vazio de não ter,
como estrelas perdidas caindo dos céus, como cílios a que um deus qualquer
roubou os olhos. Escuta, minha memória, quantas metafísicas,
quantos tratados, quantos livros li, quanto os pesei…
quanto falei da vida, quanto meditei da morte?
Nunca ontem e nunca como hoje penetrei os segredos,
que do lado de cá da vida as metáforas são apenas metáforas,
vozes débeis de nenhures. Ah minha canção de ti, apenas oro…
esquecido de metafísicas.

Manuel Cândido Pimentel, Casa da Calçada, 31-1-2024

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