quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

[Quadro da Quarta] Elegía

Elegía, por William Adolphe Bouguereau (1899).
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3 comentários:

  1. Sobre a ‘Elegia’
    Carina Bratt
    O QUADRO ‘ELEGIA’ publicado acima, na edição de 17.12.2025, da ‘Revista Cão Que Fuma’, pertence a William Adolphe Bouguereau. A pintura é datada de 1899 e é uma obra alegórica em óleo sobre tela, pertencente ao movimento acadêmico, que se destaca pela técnica refinada e pela busca da beleza idealizada. Atualmente, toda a coleção do autor se encontra em uma ‘coleção privada’. Bouguereau se fez conhecido por sua precisão técnica e acabamento impecável, criando superfícies quase fotográficas. ‘Elegía’ apresenta uma cena melancólica e contemplativa, ambientada em um cenário natural sereno. O tema da obra é místico, evocando dois sentimentos distintos, o de perda e o da reflexão, ambos em sintonia com o título que remete a um poema fúnebre ou de lamento. A composição segue o estilo clássico do artista, com figuras idealizadas e uma atmosfera de beleza harmoniosa. A obra exemplifica o famoso ‘Academicismo francês’ do século XIX, que valorizava temas mitológicos, com respingos religiosos tratados com enorme rigor técnico. Bouguereau, no seu tempo, apesar de ter sido duramente criticado por impressionistas e modernistas de sua época produtiva, até nossos dias continua sendo reconhecido por sua maestria no desenho e na pintura figurativa. ‘Elegía’ é um testemunho vivo e imortal da fase madura do pintor, quando já havia consolidado a sua reputação como um dos grandes mestres acadêmicos. Bouguereau produziu diversas obras em 1899, muitas delas retratando jovens camponesas, cenas mitológicas e religiosas. ‘Elegía’ se destaca por seu tom mais introspectivo e emocional, contrastando com outras pinturas mais luminosas e idílicas concebidas no mesmo período. Sobre ‘A mulher nua’, não se trata de uma figura histórica ou retrato real, mas a bem da verdade, de uma figura como disse acima, alegórica. Bouguereau frequentemente representava mulheres jovens idealizadas como personificações de conceitos abstratos, neste caso, a tristeza, o luto ou a própria ‘Elegia’. Neste tom, o corpo nu, tratado com maestria, reforça brilhantemente a ideia de pureza e vulnerabilidade diante da dor. Na mesma sequência, ‘A criança’ também é uma figura metafórica, não um retrato específico. Em Bouguereau, ou para Bouguereau crianças costumam representar inocência, a fragilidade e a continuidade da vida. No contexto de ‘Elegía’, a criança pode ser vista como um contraponto à mulher: enquanto ela encarna o pesar, a criança sugere a perda ou a lembrança de alguém amado. A cena não é narrativa, ou dito de outra forma, (não conta uma história concreta), mas é literalmente emblemática: a mulher e a criança são símbolos universais. Por assim, a mulher nua é a personificação da dor e da melancolia; por quanto a criança nos remete indubitavelmente a inocência perdida ou lembrada.
    Título e texto: Carina Bratt, de Vila Velha no Espírito Santo ES

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  2. Vem da parte 1. Final.
    AINDA sobre Bouguereau, a ‘Elegía’ remete a um poema de lamento, e a pintura traduz esse sentimento em forma visual. Bouguereau buscava provocar emoção através da beleza idealizada, mesmo em temas dolorosos. Vamos mergulhar na leitura iconográfica de ‘Elegía’. Percebam a postura da mulher. A figura feminina está reclinada, com o corpo exposto em posição vulnerável. A Expressão. O rosto transmite melancolia, com olhar baixo ou distante, sugerindo introspecção e dor. Os gestos: O braço caído e a falta de movimento reforçam a ideia de abatimento. O Simbolismo: Representa a personificação da tristeza e da perda. O nu idealizado não é erótico, mas sim um recurso para transmitir pureza e fragilidade diante do luto. Com relação à Criança e a sua Posição: Ela aparece próxima à mulher, em atitude de repouso ou dependência. O semblante é sereno, quase adormecido, evocando inocência. O simbolismo, pode ser interpretado como a vida interrompida (uma criança morta ou adormecida em eterno descanso), ou como a lembrança de alguém perdido. Em contraste com a mulher, a criança reforça o tema da inocência perdida e da dor materna. Quanto ao cenário, Bouguereau frequentemente usava paisagens naturais como pano de fundo, criando um espaço atemporal. A natureza aqui funciona como testemunha silenciosa da dor humana, sem elementos narrativos que distraiam do foco nas figuras. Como interpretação geral voltando ao título, ‘Elegía remete a um poema fúnebre, e a pintura traduz esse gênero literário em imagem. Mulher e criança não são personagens concretos, mas símbolos universais: a dor, a perda, a fragilidade da vida. A composição transmite uma atmosfera de silêncio e contemplação, convidando o leitor a refletir sobre a mortalidade e a memória. Para terminar, Bouguereau constrói o luto através da vulnerabilidade do corpo feminino, da inocência da criança e da quietude do ambiente, transformando a tela em uma verdadeira elegia visual. ‘Elegía’ de (1899) de Bouguereau dialoga com outras obras do pintor que exploram dor, perda e espiritualidade, como ‘Pietà’ (1876), ‘Un alma llevada al cielo’ (1878) e ‘Les Âmes du Purgatoire’ (1898). Todas compartilham a mesma intenção: transformar o luto em beleza idealizada e universal. Ao todo Bouguereau deixou 449 obras. Nasceu em 30 de novembro de 1895 em La Rochelle, na França e veio a óbito em 19 de agosto de 1905. Além de pintor, foi professor e acadêmico. O pintor foi casado por duas vezes. A primeira, com Marie-Nelly Monchablon, em 1956 e tiveram cinco filhos. Após a morte de Marie, Bouguereau se uniu em matrimônio com Elizabeth Jane Gardner Bouguereau, que também era pintora e foi uma das primeiras mulheres americanas a ganhar destaque no Salão de Paris. Bouguereau faleceu de doença cardíaca aos 79 anos de idade, em sua casa em La Rochelle. Os dados acima foram retirados dos livros de seus historiadores, os escritores Damien Bartoli e Frederick C Ross, entre outros, bem ainda em pesquisas na biblioteca particular do jornalista e escritor José Augusto de Carvalho, em sua residência, em Vitória com complementos pinçados da Internet.
    Explicação necessária:
    Leitura iconográfica:
    A iconografia é a arte de representar imagens, por ícones intuitivos, que nos levem ao cumprimento de determinada tarefa ou acção, sendo uma importante ferramenta na transmissão de orientações.
    Título e texto: Carina Bratt, de Vila Velha, no Espírito Santo.

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