sábado, 12 de setembro de 2026

Angola com nádegas de macaco 🐒

Vermelha como uma ferida crónica, mas o macaco continua sentado sobre ela como se não sentisse dor

João Boventura Patricio 

Esta é a imagem de uma Angola ferida, diante de um poder que perdeu a sensibilidade.

O povo sente a fome.

O povo sente o desemprego.

O povo sente a pobreza.

O povo sente a humilhação de procurar comida no lixo.

O povo sente a nudez.

O povo sente a dor das mães que zungam para alimentar os filhos de vezes enquanto.

O povo sente a angústia dos jovens sem emprego e sem perspectivas.

Mas quem governa parece não sentir.

Há crianças que deveriam estar na escola, mas estão nas ruas procurando o que comer. Há famílias que sobrevivem de pequenos negócios informais. Há idosos que continuam na zunga porque a velhice, em Angola, nem sempre significa descanso. 

E, entretanto, estamos num país dono de petróleo, diamantes, ferro, cobre, ouro, peixe, madeira, água, terras e tantos outros recursos.

Então a pergunta é inevitável:

ONDE ESTÁ A RIQUEZA DE ANGOLA QUANDO O ANGOLANO NÃO CONSEGUE COMPRAR O PÃO?

Não basta dizer que a economia cresce.

Crescimento que não chega à mesa do cidadão é estatística; não é prosperidade.

Não basta inaugurar obras, de memórias ruíns, que menos interessa o povo.

Uma estrada não enche a panela de uma família desempregada, e não potenciadas para a boa produção no campo.

Não basta falar de futuro.

Que futuro é esse quando a juventude termina a escola e encontra apenas portas fechadas? para simplesmente saber ler os letreiros com escritas (Proibido entrar povo) em portas e portões da cidade alta para não serem vistos a brindarem a inocência do povo!

E aqui está o ponto que muitos militantes do MPLA, o partido que governa Angola desde a independência, precisam ter coragem de encarar: defender o partido não pode significar fechar os olhos diante do sofrimento do povo.

O MPLA não é Angola.

O Estado não é propriedade de um partido.

E o Presidente João Lourenço não é dono da Pátria.

O poder passa.

Os partidos passam.

Os presidentes passam.

Mas Angola fica. E o povo fica com as consequências das decisões de quem governa.

Por isso, criticar João Lourenço e o MPLA não é odiar Angola, antes pelo contrário, é salvar a Pátria nas mãos dos sem sensibilidade, amor.

Às vezes, é precisamente porque amamos Angola que nos recusamos a aplaudir aquilo que deveria ser corrigido.

Um povo que sofre não precisa de propaganda.

Precisa de pão, emprego, saúde, educação, água, justiça e dignidade.

Angola tem riquezas suficientes para alimentar sonhos.

O que falta não são recursos.

Falta transformar a riqueza nacional em dignidade nacional.

🐒Enquanto Angola sangrar e quem deveria sentir continuar sentado sobre a ferida sem dor, continuaremos a perguntar: QUEM ESTÁ A GOVERNAR PARA QUEM? então Ruuaaaa.

🇦🇴Angola é de todos. Não é propriedade do MPLA, nem de João Lourenço, nem de meia dúzia de privilegiados.

O povo merece mais. Angola merece mais.

Chega deste inferno antecipado.

Título, Imagens e Texto: João Boventura Patricio, Facebook, 11-9-2026, 12h07

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