Vermelha como uma ferida crónica, mas o macaco continua sentado sobre ela como se não sentisse dor
João Boventura Patricio
Esta é a imagem de uma Angola
ferida, diante de um poder que perdeu a sensibilidade.
O povo sente a fome.
O povo sente o desemprego.
O povo sente a pobreza.
O povo sente a humilhação de
procurar comida no lixo.
O povo sente a nudez.
O povo sente a dor das mães
que zungam para alimentar os filhos de vezes enquanto.
O povo sente a angústia dos
jovens sem emprego e sem perspectivas.
Mas quem governa parece não
sentir.
Há crianças que deveriam estar na escola, mas estão nas ruas procurando o que comer. Há famílias que sobrevivem de pequenos negócios informais. Há idosos que continuam na zunga porque a velhice, em Angola, nem sempre significa descanso.
E, entretanto, estamos num país dono de petróleo, diamantes, ferro, cobre, ouro, peixe, madeira, água, terras e tantos outros recursos.
Então a pergunta é inevitável:
ONDE ESTÁ A RIQUEZA DE ANGOLA
QUANDO O ANGOLANO NÃO CONSEGUE COMPRAR O PÃO?
Não basta dizer que a economia
cresce.
Crescimento que não chega à
mesa do cidadão é estatística; não é prosperidade.
Não basta inaugurar obras, de
memórias ruíns, que menos interessa o povo.
Uma estrada não enche a panela
de uma família desempregada, e não potenciadas para a boa produção no campo.
Não basta falar de futuro.
Que futuro é esse quando a
juventude termina a escola e encontra apenas portas fechadas? para simplesmente
saber ler os letreiros com escritas (Proibido entrar povo) em portas e portões
da cidade alta para não serem vistos a brindarem a inocência do povo!
E aqui está o ponto que muitos
militantes do MPLA, o partido que governa Angola desde a independência,
precisam ter coragem de encarar: defender o partido não pode significar fechar
os olhos diante do sofrimento do povo.
O MPLA não é Angola.
O Estado não é propriedade de
um partido.
E o Presidente João Lourenço
não é dono da Pátria.
O poder passa.
Os partidos passam.
Os presidentes passam.
Mas Angola fica. E o povo fica
com as consequências das decisões de quem governa.
Por isso, criticar João
Lourenço e o MPLA não é odiar Angola, antes pelo contrário, é salvar a Pátria
nas mãos dos sem sensibilidade, amor.
Às vezes, é precisamente
porque amamos Angola que nos recusamos a aplaudir aquilo que deveria ser
corrigido.
Um povo que sofre não precisa
de propaganda.
Precisa de pão, emprego, saúde, educação, água, justiça e dignidade.
Angola tem riquezas
suficientes para alimentar sonhos.
O que falta não são recursos.
Falta transformar a riqueza
nacional em dignidade nacional.
Enquanto Angola
sangrar e quem deveria sentir continuar sentado sobre a ferida sem dor,
continuaremos a perguntar: QUEM ESTÁ A GOVERNAR PARA QUEM? então Ruuaaaa.
Angola é de
todos. Não é propriedade do MPLA, nem de João Lourenço, nem de meia dúzia de
privilegiados.
O povo merece mais. Angola
merece mais.
Chega deste inferno antecipado.
Título, Imagens e Texto: João
Boventura Patricio, Facebook,
11-9-2026, 12h07



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