J. L. Braga
Bom dia a todos.
A propósito da publicação do Paulo de Morais que está a circular sobre o Luís Neves e o Chega, deixo aqui uma crítica ao método, não à pessoa.
Este é um exemplo perfeito do
pior estilo do Paulo de Morais dos últimos anos.
1. A insinuação como
arma principal.
Ele escreve: "Alguns
tinham (têm?) cumplicidades com relevantes políticos do Chega."
Esse "(têm?)" é toda
a técnica. Não afirma, não prova, não dá um nome, não cita um único processo.
Lança a suspeita e deixa o ponto de interrogação fazer o trabalho sujo. É
exatamente o tipo de discurso que ele próprio condenava quando era o paladino
do combate à corrupção: acusação sem prova.
2. Lógica conspirativa
barata.
"Enquanto diretor
nacional da Polícia Judiciária, desmantelou uma organização criminosa de
extrema-direita... Esta extrema-direita nunca perdoará Luís Neves."
Transforma uma operação
policial — que deveria ser avaliada pelos factos do inquérito — numa vingança
pessoal e política. Não apresenta qualquer ligação entre a organização
desmantelada e a atual tutela da PJ. Cria uma narrativa de filme: o herói
perseguido.
3. A tentativa de
psicanálise ao Ventura.
"Mesmo contra a sua vontade, Ventura vê-se obrigado a tentar linchar publicamente..."
Isto é pura ficção. Como é que
sabe o que o Ventura quer ou não quer? "O criador do Chega estará refém da
sua criatura" é uma frase feita, bonita para título de crónica na CMTV,
mas vazia de análise política. É comentário de café embrulhado em tom
professoral.
4. O personagem.
Paulo de Morais foi
vice-presidente da Câmara do Porto, professor universitário e candidato
presidencial. Construiu toda a carreira em cima da bandeira da transparência e
do rigor. O problema é que há muito tempo trocou o rigor pela punchline — ou
seja, a frase de efeito, o remate fácil feito só para provocar.
Esta publicação — post, como
se diz na internet — com fundo preto, foto circular e título "Caça ao
Neves" parece um cartaz de campanha, não a análise de um professor
universitário. É puro clickbait, isto é, um conteúdo sensacionalista, de caça-cliques,
feito para atrair a curiosidade. Sabe que se falar em Chega + extrema-direita +
PJ tem likes garantidos, ou seja, tem gostos e aprovações garantidas nas redes
sociais.
No fundo, é irónico: um homem
que passou a vida a dizer que combatia o sistema de favores e boatos, hoje vive
de boatos e de associações por afinidade ideológica. Quer ser visto como o
lúcido acima dos partidos, mas escreve exatamente como um comentador partidário
— só que do outro lado.
Texto e Imagem: J. L. Braga,
Facebook,
10-9-2026
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