terça-feira, 3 de março de 2026

[Aparecido rasga o verbo] Carta de Valadão Gutierez

Aparecido Raimundo de Souza

O VALADÃO GUTIEREZ me mandou uma carta registrada para minha residência, carta essa chegada três dias atrás. Nela me conta as novidades mais recentes de sua vida. Fazia tempo (aliás, muitos anos) não recebia nada desse amigo paulista de São José dos Campos, radicado no Rio de Janeiro e agora, para meu espanto, residindo na Capital do Brasil. Quem diria! Achei tivesse esquecido de mim, ou perdido o endereço e telefone. Com a chegada dessa missiva inesperada, todavia, caiu por terra o pensamento de que fosse permanecer em silêncio por alguns janeiros mais, sem dar sinais de estar vivo e com saúde. Mas vamos às novas peripécias do prezado Valadão:

“Amigo Aparecido — começa ele. Da última vez em que nos falamos, pretendia ser candidato à deputado federal em segundo mandato pelo Podemos, (só que por lá, apesar de dois mandatos, eu não podia nada), a Renata Fedeu vivia me tolhendo os passos. Então me filiei ao PT o (Partido dos Trambiqueiros), o mesmo cabide de emprego do nosso presidiariodente, o Mula. Com a ajuda dele e agora também do Lulinha, vai ser moleza. Se ganhar, e sei que vou, acho que já havia falado contigo, em outros tempos, minha intenção, não outra, é a de continuar mamando nas tetas do governo, almoçar todo dia ao lado da Primeira Cama, a Canja de Galinha, comprar uma mansão para minha velha mãe em Alphaville”.

“Na mesma pancada — segue o Valadão —, também providenciarei uma propriedade para a mana Júlia, defronte à residência do Fábio Jr (você deve se recordar, de como a Júlia adora as músicas do Fábio Júnior, principalmente aquela do “Pai Herói”, que continua resgatando, até hoje, momentos de nosso falecido, dos tempos em que ele era vivo. Que Deus o tenha!).  E, de contrapeso, uma fazendinha para a Rúbia (lembra dela?) em Brotas ou Botucatu, entre outras cositas...”.

Vou interromper a carta de Valadão Gutierez e abrir um pequeno parêntese para discorrer rapidamente sobre a Rúbia. (Logo que conheci o Valadão, veio de roldão, a Rúbia. Tivemos um caso relâmpago (exatamente cinco anos e meio) que acabou na maternidade. Foram dois filhos e quatro pedidos de pensão de alimentos na justiça.  Parei na cadeia duas vezes, fugi da delegacia umas seis, e, ainda tenho dois oficiais com mandados de citação para serem cumpridos nos meus calcanhares. Pois bem. Fechando parêntese e voltando ao Valadão e as suas estupendas linhas.

“Queria lutar — diz enfático na sequência de sua missiva, o Valadão Gutierez. Enquanto estive no Podemos, fundei uma ONG. Meu objetivo é seguir pelejando tenazmente para acabar com os mendigos, das largadas à sorte, mandar para os quintos os pobres e necessitados, bem ainda extirpar, de vez, com as prostitutas. Encontrei a solução ideal para essa gama de probleminhas que denigrem e enfeiam a imagem do País. Por exemplo, só para você ter uma rápida noção do meu cronograma de trabalho, almejo elaborar uma lei onde os mendigos, os pedintes de ruas e esquinas morrerão enforcados, com toda honra e dignidade, em praça pública. Exportarei para os Estados Unidos, em forma de adoção, as crianças desamparadas”.

“Tem um esquema — explica o meu amigo — onde os envolvidos nessa parada de adoção, recebem a bufunfa em dólares, sem contar com os casais que vivem por aí, às portas das varas da infância e da juventude, do falido judiciário e da merda fedorenta conhecida como Conselho Tutelar tentando uma brecha para terem um filho legalizado. Com relação as prostitutas, assim que for eleito, ah!, meu sonho maior, darei  início num programa inédito em toda a federação. Criarei o “Programa do Acondicionamento dos Restos”, o (PROARES). O que seria isso? Toda essa ralé de vagabundas se veria transferida para enormes porões de navios cargueiros”.

Em seguida — vomita, em epítome, o meu amigo. “Toda essa galera irá passear, em alto mar, tipo um cruzeiro igual ou melhor que as “Emoções do Roberto Carlos” e uma vez lá, eu jogarei, uma a uma, às safadas aos tubarões, mesmo com a cúpula dos direitos humanos e a Pastoral das igrejas cutucando meus fundilhos. Elas seguiriam, literalmente, “proaraes”. Garanto ao companheiro, ia ser divertido”. Você certamente escutaria e veria todo santo dia meu nome e a minha cara de “espertalhão” escancarada nas línguas ferinas dos repórteres da Cbn, e outras emissoras, bem ainda da Rede Globo, do Sbt, da Band, da Record, etc, etc”.

“Grudado no saco do Mula e com a inclusão do filho dele em face da CPMI (Comissão Parlamentar dos Malandros Inoperantes, e de roldão ao rombo do INSS (Instituto Nacional dos Santinhos Safados), entendo e respeito (que não contarei com o seu voto, até porque, pela idade, a sua pessoa não tem obrigação de comparecer na zona de votação). Mas perceba.  Entre mortos e feridos, com certeza, mesmo tendo levado no cu quando filiado ao Podemos, naqueles idos, você, meu amigo fiel, até o fim de seus dias, me apoiando ou não, a sua amizade se fará presente em meu coração, como eu estou ad aeternum engajado no seu.”

“Saiba, amigo, o seu afeto bate dentro de mim tão forte e pulsante que até posso senti-lo querendo escorrer pela minha boca afora. Vou ficando por aqui, meu prezado. Felicidades, meu irmão, e até a próxima. Mande notícias. Lembranças esvoaçantes à neta Ellen, (já deve estar uma moça, não é mesmo?) e um beijo, com todo respeito, para a sua inoxidável e inseparável secretária Carina...””.

Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de Colatina, Espírito Santo, ES, 3-3-3036

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