terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

[Aparecido rasga o verbo] Emanuelly

Aparecido Raimundo de Souza

NAQUELA MANHÃ, de 11 de fevereiro de 2016 o sol parecia brincar de esconde-esconde entre as nuvens. Emanuelly caminhava pela rua com passos leves, seguia como quem carrega dentro de si um segredo alegre. O vento bagunçava seus cabelos, mas ela não se importava: havia algo de mágico em sentir o mundo se mover ao seu redor. O padeiro acenou, a vizinha sorriu, e até o cachorro da esquina latiu como se a saudasse. Emanuelly tinha esse dom raro de transformar o cotidiano em festa. Não precisava de grandes acontecimentos; bastava um olhar curioso, uma risada espontânea, e pronto: o dia ganhava cor.

Enquanto seguia, reparou numa árvore florida. Parou. Observou. E pensou que talvez a vida fosse exatamente isso: uma sucessão de pequenas pausas, momentos em que o coração se permite admirar o que é simples. Emanuelly sorriu, se abriu altaneira porque sabia que, no fundo, cada instante guardava uma história esperando para ser contada. E assim, entre passos e pensamentos, ela seguia inventando mundos, não com tinta ou papel, mas com a delicadeza de quem sabe que viver é, também, escrever uma crônica invisível todos os dias. Emanuelly tem apenas onze anos, mas já carrega nos olhos a claridade de quem descobre o mundo como quem abre um livro novo.

Há nela uma curiosidade que dança, leve, como o vento que atravessa as manhãs do bairro pacato onde mora com seus pais. Filha de Ana Paula e Ricardo, ela nasceu sob o signo de peixes, em meio a uma história de amizade improvável: um encontro no cotidiano de um posto de saúde, onde Ricardo trabalhava como segurança. Foi ali que a vida, com a sua delicadeza invisível, teceu laços que se transformaram em afeto, confiança e companheirismo. Emanuelle cresceu dentro desse tecido de amizade, se desenvolveu como uma flor que se abre em terreno fértil. Na rua, quando caminha, parece que o mundo se inclina para ouvir seus pensamentos.

O riso de Emanuelly tem o poder jubiloso de transformar esquinas em jardins e silêncios em música. Música, por sinal, da melhor qualidade. Ela ainda não sabe, mas carrega em si a poesia dos começos: cada gesto é promessa, cada palavra é semente. Emanuelly é como um poema em construção, versos que se escrevem no olhar dos pais, nas histórias que a cercam, e na amizade que um dia surpreendeu quem apenas cumpria o seu trabalho. O tempo, com a sua pressa, não consegue apagar essa delicadeza: porque há meninas que nascem para lembrar ao mundo que viver é também um ato do mais puro encantamento.

Emanuelly nasceu e cresceu como quem acende uma estrela no céu da vida. Ainda hoje, onze anos depois, a mocinha carrega em seu coração, o brilho do instante em que tudo mudou. Ana Paula, ao vê-la pela primeira vez, descobriu que a felicidade não se mede em grandes conquistas, mas na delicadeza de um olhar pequeno que cabe inteiro no mais íntimo do coração. Desde então, cada gesto da filha é como uma pétala de amor que se abre, lembrando sempre que o amor pode ser simples e infinito, grandioso e fragoroso, bonito e melodioso, ressonante e longevo, incessante e sempiterno ao mesmo tempo.

Ricardo, que tantas vezes guardou portas e silêncios no posto de saúde, renasceu por dentro quando Emanuelly veio ao mundo. O homem que vigiava entradas passou a vigiar sonhos, e a sua força encontrou nova razão: proteger não apenas paredes, mas também o futuro que sorria nos olhos meigos da filha. Emanuelly cresceu entre esses dois amores, o da mãe, que se fez alegria, e o do pai, que se fez esperança. Ela é o poema que ambos escreveram sem papel, apenas com a vida. Por conta desse milagre, cada dia de Emanuelly é uma página lírica: Ana Paula descobre novas formas de sorrir, Ricardo novas formas de acreditar, e o mundo que os contempla descobre que uma menina pode ser a tradução mais pura da palavra R E N A S C I M E N T O.

Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de Vila Velha, no Espírito Santo, 24-2-2026

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