Aparecido Raimundo de Souza
Enquanto seguia,
reparou numa árvore florida. Parou. Observou. E pensou que talvez a vida fosse
exatamente isso: uma sucessão de pequenas pausas, momentos em que o coração se
permite admirar o que é simples. Emanuelly sorriu, se abriu altaneira porque sabia
que, no fundo, cada instante guardava uma história esperando para ser contada.
E assim, entre passos e pensamentos, ela seguia inventando mundos, não com
tinta ou papel, mas com a delicadeza de quem sabe que viver é, também, escrever
uma crônica invisível todos os dias. Emanuelly tem apenas onze anos, mas já
carrega nos olhos a claridade de quem descobre o mundo como quem abre um livro
novo.
Há nela uma curiosidade que dança, leve, como o vento que atravessa as manhãs do bairro pacato onde mora com seus pais. Filha de Ana Paula e Ricardo, ela nasceu sob o signo de peixes, em meio a uma história de amizade improvável: um encontro no cotidiano de um posto de saúde, onde Ricardo trabalhava como segurança. Foi ali que a vida, com a sua delicadeza invisível, teceu laços que se transformaram em afeto, confiança e companheirismo. Emanuelle cresceu dentro desse tecido de amizade, se desenvolveu como uma flor que se abre em terreno fértil. Na rua, quando caminha, parece que o mundo se inclina para ouvir seus pensamentos.
O riso de Emanuelly
tem o poder jubiloso de transformar esquinas em jardins e silêncios em música.
Música, por sinal, da melhor qualidade. Ela ainda não sabe, mas carrega em si a
poesia dos começos: cada gesto é promessa, cada palavra é semente. Emanuelly é
como um poema em construção, versos que se escrevem no olhar dos pais, nas
histórias que a cercam, e na amizade que um dia surpreendeu quem apenas cumpria
o seu trabalho. O tempo, com a sua pressa, não consegue apagar essa delicadeza:
porque há meninas que nascem para lembrar ao mundo que viver é também um ato do
mais puro encantamento.
Emanuelly nasceu e
cresceu como quem acende uma estrela no céu da vida. Ainda hoje, onze anos
depois, a mocinha carrega em seu coração, o brilho do instante em que tudo
mudou. Ana Paula, ao vê-la pela primeira vez, descobriu que a felicidade não se
mede em grandes conquistas, mas na delicadeza de um olhar pequeno que cabe
inteiro no mais íntimo do coração. Desde então, cada gesto da filha é como uma
pétala de amor que se abre, lembrando sempre que o amor pode ser simples e
infinito, grandioso e fragoroso, bonito e melodioso, ressonante e longevo,
incessante e sempiterno ao mesmo tempo.
Ricardo, que tantas
vezes guardou portas e silêncios no posto de saúde, renasceu por dentro quando
Emanuelly veio ao mundo. O homem que vigiava entradas passou a vigiar sonhos, e
a sua força encontrou nova razão: proteger não apenas paredes, mas também o
futuro que sorria nos olhos meigos da filha. Emanuelly cresceu entre esses dois
amores, o da mãe, que se fez alegria, e o do pai, que se fez esperança. Ela é o
poema que ambos escreveram sem papel, apenas com a vida. Por conta desse
milagre, cada dia de Emanuelly é uma página lírica: Ana Paula descobre novas
formas de sorrir, Ricardo novas formas de acreditar, e o mundo que os contempla
descobre que uma menina pode ser a tradução mais pura da palavra R E N A S C
I M E N T O.
Título e Texto: Aparecido
Raimundo de Souza, de Vila Velha, no Espírito Santo, 24-2-2026
Onde as duas estradas se confundem e se tornam um só caminho
E as máscaras dos “carnavais fracassados” por acaso alguém sabe dizer onde ficaram? É mesmo? Onde??!!
Nada mais gostoso que acordar feliz

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