Leandro Ruschel
O primeiro discurso do Estado da União no segundo mandato de Donald Trump não foi apenas mais um evento protocolar. Foi uma demonstração de quase duas horas (recorde histórico) que reafirmou o Excepcionalismo Americano e, sobretudo, expôs o abismo entre a elite esquerdista e os valores fundamentais da nação.
![]() |
| Foto: Kenny Holston/EPA |
Convém destacar, de saída, a
manobra estratégica de Trump para encurralar a oposição. O momento mais
devastador da noite veio quando o presidente lançou o desafio:
“O primeiro dever do
governo americano é proteger os cidadãos americanos, não os ilegais. Se você
concorda, levante-se e mostre.”
A imagem dos democratas
hesitando, alguns literalmente grudados na cadeira diante de uma premissa tão
elementar quanto a soberania nacional, será munição pesada para as campanhas
republicanas nas midterms de novembro.
O Constrangimento da
Esquerda Radical
O contraste foi implacável.
Enquanto Trump apresentava heróis concretos, do nadador da Guarda Costeira que
salvou centenas de vidas no Texas ao piloto centenário veterano de três
guerras, figuras do chamado Squad (grupo mais extremista do Congresso),
como Ilhan Omar e Rashida Tlaib, optaram pelo ruído vazio e pela retórica
desconstrutiva.
O Ápice da Insensibilidade:
O Caso de Charlotte
Talvez o momento mais visceral
de distanciamento da realidade tenha ocorrido quando Trump apresentou a mãe de
uma jovem ucraniana, brutalmente assassinada em Charlotte. O crime, cometido
por um indivíduo que deveria estar preso, mas estava nas ruas devido às
políticas esquerdistas de desencarceramento em massa, personificou a falha
catastrófica da agenda “progressista” de segurança pública.
Enquanto o plenário rompeu em aplausos solidários à dor daquela mãe, os democratas permaneceram sentados. A recusa em se levantar para homenagear a vítima de um sistema que eles próprios ajudaram a flexibilizar foi mais um golpe na imagem do partido. Ao negarem o aplauso, os democratas não apenas ignoraram a tragédia humana; eles sinalizaram que a manutenção da ideologia do “desencarceramento” é mais importante do que prestar conforto a uma mãe que perdeu a filha para a reincidência criminosa facilitada pelo Estado.
Confronto Direto e o
Tributo a Kirk
O ponto alto do confronto
direto veio na troca com a deputada Ilhan Omar. Trump não recuou ao abordar a
corrupção sistêmica que assola distritos democratas, citando especificamente
Minnesota como o “exemplo mais impressionante de pilhagem” do dinheiro do
contribuinte. O presidente expôs o que chamou de fraudes massivas de US$ 19
bilhões envolvendo programas estaduais e membros da comunidade somali,
descrevendo-os como “piratas que saquearam Minnesota”.
Ao anunciar que o
vice-presidente J.D. Vance liderará uma “Guerra contra a Fraude” para sanear o
orçamento nacional, Trump virou-se diretamente para uma Omar visivelmente
alterada e disparou: “You should be ashamed” (”Você deveria ter
vergonha”). A cena sintetizou o contraste da noite: de um lado, um presidente
protegendo o bolso do cidadão americano; do outro, uma deputada que, enquanto
expunha descontrole aos berros, via sua própria base política ser exposta como
um foco de mau uso de recursos federais e ilegalidades.
O tributo a Charlie Kirk,
celebrado por suas convicções e sua trajetória de combate cultural, expôs não
apenas a frieza democrata, mas também a violência política promovida pela
esquerda contra conservadores, chegando ao ponto de assassinatos, como foi tentado
contra o próprio Trump, mais de uma vez.
“Crazies”: A Provocação que
Ninguém Soube Rebater
Outro momento revelador da
noite foi quando Trump classificou os democratas como “crazies” por sua
oposição ao banimento de cirurgias de redesignação sexual em menores. A escolha
de palavras foi deliberadamente provocativa — e cirurgicamente eficaz. Ao
enquadrar a questão nesses termos, Trump forçou a oposição a um dilema sem
saída: ou aceita o rótulo em silêncio, ou se levanta para defender publicamente
procedimentos cirúrgicos sem base científica que já mutilaram milhares de
crianças e adolescentes.
O que a esquerda radical trata
como questão de “direitos” e “identidade”, a América profunda enxerga como o
que de fato é: a instrumentalização ideológica de menores vulneráveis com
resultados médicos catastróficos e que estão ficando cada vez mais evidentes,
com o crescimento da denúncia das vítimas. Trump sabe que este é um dos poucos
temas em que até eleitores da esquerda moderada e independentes se alinham
instintivamente com a direita.
Irã: A Linha Vermelha que
Ninguém Ousa Cruzar
Na política externa, o momento
de maior gravidade veio quando Trump abordou a ameaça nuclear iraniana. Após
relembrar os ataques da Operação Midnight Hammer, que em junho de 2025
atingiram instalações nucleares iranianas, o presidente alertou que o regime
dos aiatolás está, neste momento, tentando reconstruir seu programa bélico —
desenvolvendo mísseis capazes de atingir a Europa e, em breve, o território
americano.
Trump expôs o dilema: “Estamos
negociando com eles. Querem fazer um acordo, mas ainda não ouvimos as palavras
secretas: ‘Nunca teremos uma arma nuclear’.” E arrematou:
“Minha preferência é
resolver esse problema pela diplomacia. Mas uma coisa é certa: jamais
permitirei que o maior patrocinador do terrorismo do mundo tenha uma arma
nuclear.”
O trecho produziu algo raro
naquela noite profundamente polarizada: aplausos de ambos os lados do plenário.
Impedir o Irã de obter a bomba atômica permanece um dos poucos consensos
bipartidários que restam em Washington — e Trump soube explorar esse consenso
para reforçar sua imagem de líder resoluto na arena internacional. Com uma
armada sem precedentes posicionada no Oriente Médio e negociações marcadas para
esta semana em Genebra, o presidente deixou claro que diplomacia e força não
são mutuamente excludentes — são, na verdade, as duas faces da mesma moeda.
Impacto nas Pesquisas e na
Opinião Pública
Os números iniciais confirmam
uma vitória de comunicação expressiva, mesmo em um país profundamente dividido:
segundo pesquisa instantânea da CNN, 64% dos espectadores reagiram
positivamente à mensagem de Trump.
Antes do discurso, apenas 44%
dos entrevistados consideravam que Trump tinha as prioridades certas; depois,
esse número saltou para 54%.
62% dos espectadores afirmaram
acreditar que as políticas econômicas e de imigração de Trump conduzem o país
na direção correta.
O Impacto Eleitoral para
2026
Este discurso terá
consequências diretas nas midterms de 2026. Trump não buscou o ‘centro’
amorfo e indefinido; ele consolidou sua base e, simultaneamente, empurrou os
democratas para uma armadilha de autoexposição pública. Ao forçá-los a escolher
entre o silêncio cúmplice diante de crimes bárbaros ou o aplauso a agendas
radicais, o presidente os apresentou como uma elite ideologicamente cega e
hostil ao senso comum, deixando a oposição em um beco sem saída diante do
eleitor americano médio
O foco no 250º aniversário da
nação e na “Guerra contra a Fraude” articulada por J.D. Vance constrói uma
plataforma de lei, ordem e patriotismo que é quase impossível de combater sem
soar antiamericano. Para os democratas, o dilema é profundo: enquanto se perdem
em vaias, silêncios desconfortáveis perante vítimas de crimes e interrupções,
Trump fala de uma América “maior, melhor, mais rica e mais forte”.
Título e Texto: Leandro
Ruchel, Newsletter, 25-2-2026

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Não publicamos comentários de anônimos/desconhecidos.
Por favor, se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.
Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-