Humberto Pinho da Silva
Tudo passa açodado: passam
as horas, passam os dias, passam os anos e, sem percebermos, chega a caduquice,
a decadência, a velhice… e tudo passa num ápice!...
Então, atônitos,
interrogamo-nos, como foi possível!?
Paulatinamente, passaram
os dias alegres da juventude e, de súbito, o que nos parecia não ter fim,
acaba… e já somos homens e mulheres feitos...
As graciosas linhas do
rosto juvenil evolam-se; branqueiam–se de neve os grisalhos cabelos; e, de
repente, os indesejados sulcos da face surgem… e, com eles, maleitas e
achaques, próprias do lúgubre crepúsculo... Assim como esmorecerá a memória, e
os cansados olhos se embaciaram para sempre ...
Escreveu Frei Heitor Pinto, na “Imagem da Vida Cristã”, citando prática de São Gregório, que “A morte começa logo que nascemos.”
Asseverando convicto que a
vida nunca para, mas rola, assim como o tempo, que nunca está, mas
constantemente passa. E termina afirmando que é erro saudar amigo dizendo
“Como está?”. Porque ninguém “Está”, mas “Passa”.
As águas do rio não estão,
mas correm, passam; como passam também, os ponteiros do relógio que, sem cessar
medem minuto a minuto o tempo.
No vigor da mocidade alimentamos - falsa ilusão! - que a vida não passa, não têm fim; os que perecem, são sempre os outros… os velhos… os avós, os pais.
Mas o tempo passa, rola,
voa, e num ápice chega a triste velhice. Com ela, os incômodos e arreliadores
achaques...
Alguém comparou a vida a
um longo e perlongado sonho: inicia ao adormecer e termina ao acordar.
Ou à Caverna de Sócrates.
Tirante o sentido original da alegoria, narrada por Platão, que apresenta
homens acorrentados, a caminhar morosamente para a Caverna.
Por analogia, tomei a
ousadia de adaptá-la, em parte, para demonstrar o que é a vida: todo o ser
humano, mais cedo ou mais tarde, acabará, mesmo não querendo, a precipitar-se
na Caverna, ainda que não conheça o que irá encontrar, porque é enigma para ele.
Um dia, sem o desejar, a
negregada. Átropos, sem piedade, cortará a tênue linha que une a vida à Eterna
Vida.
Título e Texto: Humberto
Pinho da Silva, fevereiro de 2026
Nova corte na aldeia
Sem diploma não se passa de habilidoso
Mudam-se os tempos; mudam-se os conceitos
Se ainda não tem, compre um
Como eram escolhidos os deputados, segundo Eça. E agora?
O mono palrador

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