O presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), Josier M. Vilar, defende a preservação da imagem internacional da cidade e alerta para retrocessos simbólicos após publicidade em hotel de Ipanema
O Rio de Janeiro travou, ao
longo das últimas décadas, uma batalha silenciosa, porém estratégica, pela sua
reputação internacional. Houve um período em que campanhas promocionais equivocadas
ajudaram a consolidar no exterior um imaginário reducionista: o de que a cidade
estaria associada a uma ideia de sensualidade permissiva como ativo turístico
central.
A revisão dessa narrativa
foi fundamental.
A Embratur e os órgãos
estadual e municipal de turismo reformularam suas estratégias de comunicação,
retirando imagens e conceitos que reforçavam estereótipos.
Passou-se a destacar aquilo que verdadeiramente nos define: patrimônio natural único, diversidade cultural, potência criativa, vocação para grandes eventos, capacidade empresarial e relevância econômica.
Essa mudança não foi apenas
estética — foi civilizatória.
Cidades competem globalmente
por turistas, investidores, talentos e centros de pesquisa. Reputação é ativo
econômico. Para uma metrópole que deseja consolidar-se como polo de inovação,
energia, economia criativa, saúde e comércio exterior, a imagem internacional
não é detalhe: é estratégia.
Ser reconhecida como cidade
violenta é profundamente danoso. Mas ser rotulada por um “sex appeal”
distorcido também compromete nosso projeto de futuro. Não se trata de
moralismo. Trata-se de responsabilidade institucional e proteção social.
Narrativas duvidosas podem atrair perfis predatórios, explorar vulnerabilidades
e perpetuar desigualdades.
A notícia publicada neste Diário do Rio de publicidade exposta nos tapumes de um hotel em Ipanema, com características ambíguas, é um alerta de que precisamos agir preventivamente.
O Rio não pode permitir
retrocessos simbólicos.
Somos uma cidade com
universidades de excelência, centros hospitalares de referência, indústria
criativa global, infraestrutura portuária estratégica e um ecossistema
empreendedor vibrante.
O Rio precisa ser promovido
como capital da cultura, da ciência, da inovação, do empreendedorismo e da
hospitalidade qualificada. Temos Carnaval, temos beleza, temos alegria — e isso
é parte da nossa alma.
Nossa identidade não pode ser reduzida a caricaturas que nos diminuem.
A defesa da marca Rio é uma
responsabilidade coletiva. Empresários, poder público, setor cultural e
sociedade civil devem atuar de forma coordenada para preservar e fortalecer
nossa reputação.
Como presidente da Associação
Comercial do Rio de Janeiro — a Casa do Empresário — afirmo com clareza:
desenvolvimento sustentável exige coerência entre identidade, comunicação e
propósito.
O Rio deve ser admirado por
sua inteligência e criatividade. Respeitado por sua capacidade de
reinventar-se. Escolhido para se visitar por ser a mais bela cidade do mundo,
onde vivem pessoas que amam a natureza, os esportes, a cultura popular, a
liberdade, a alegria e trabalham incessantemente para o Rio ser um lugar
atrativo e seguro para também se investir e empreender.
Esse é o Rio que
defendemos.
Esse é o Rio que juntos estamos construindo.
Título e Texto: Josier
Vilar, Diário do Rio, 24-2-2026
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