domingo, 22 de fevereiro de 2026

[As danações de Carina] Enfim, a chegada tão esperada de Heitor se fez real

Carina Bratt

‘Não sei quem você é
Nem de onde você vem
Só sei que você
É tão linda esperando um neném...’*

O SILÊNCIO, para ela, parecia mais profundo ao mesmo tempo mais inquietante, desde que Luíza descobriu que carregava um coração dentro de si. Uau! Não era apenas o seu, havia um outro, pequeno, em formação, pulsando em segredo, como um canto de melodia suave anunciando a chegada de alguém que ainda não conhecia o mundo, mas a partir de um momento especial, o transformaria.

Luíza caminhava pela casa com a mão pousada sobre a barriga, como quem protege um tesouro invisível. Cada gesto simples, beber água, escolher uma fruta, se deitar ou se levantar, se tornara um ritual. Não era mais só por ela. Claro que não. Era por ele, ou por ela, o filho, ou a filha que ainda não tinha rosto, mas já tinha uma doce presença.
Os vizinhos diziam:
— É cedo, você ainda não sente nada’.

Mas ela, dentro de si, sabia o que sentia. Não eram chutes nem movimentos, era uma conversa silenciosa. Um pacto. O novo ser falava através da intuição, e ela a futura mamãe, respondia com cuidado e esperança. No espelho, ao se olhar, se via diferente. Não apenas pela curva discreta que começava a se desenhar, mas pelo olhar. Havia uma luz nova, uma espécie de coragem diferenciada que nascia junto com o medo.

Porque ser mãe em primeira viagem, era isso: caminhar entre o espanto e a fé, entre a dúvida e a certeza de que tudo a partir desse evento, valia a pena. Altas horas da noite, deitada na rede, imaginava o futuro. O primeiro choro, o primeiro sorriso, o primeiro passo. Mas também engendrava o presente: aquele instante sagrado em que o filho ainda não ia além de um segredo guardado no ventre, protegido pelo calor do corpo e pelo amor imenso e febril que já transbordava.

E assim, cada dia para Luíza, uma perspectiva. Uma espera que não era vazia, mas cheia de vida. O filho na barriga não era apenas promessa., mas realidade, companhia. Era mesmo norte, o amor, sobretudo, o amor. A maioria das pessoas costuma dizer que a vida começa quando o bebê nasce. Mas ela sabia, de cor e salteado: a vida começa muito antes, tem início no instante em que o coração pulsa dentro da barriga e transforma cada dia em uma nova promessa.

O sol, para ela, parecia mais dourado desde que descobriu que carregava um filho. O vento, se fazia mais leve. Até os pequenos detalhes, o cheiro do café, o canto dos pássaros, o toque da água fria nas mãos tinha outro sentido. Como se o mundo inteiro se preparasse para receber alguém especial. Luíza sorria sozinha, imaginando o porvir. O primeiro abraço, o primeiro riso, o primeiro ‘mamãe’. Entretanto, não havia pressa.

O presente se fazia abundante: o fato simples de sentir a barriga crescer, e com esse gesto perceber que dentro dela havia uma história em construção, um ser que se fazia amado antes mesmo de ser visto. Cada novo amanhecer uma vitória silenciosa. Cada semana, uma conquista. E cada noite que chegava, um sonho novo. O filho na barriga se fazia esperança, uma esperança materializada que nutria a certeza de que o amanhã viria cheio de possibilidades.

Nesse tom de vários matizes, entre medos e descobertas, descobertas e medos, ela optava pelo otimismo. E fazia isso porque sabia que a vida, quando germina de dentro das próprias entranhas, é sempre um convite suave e mavioso para acreditar. Dentro dela, um segredo florescia. Não era apenas um bebê, um universo inteiro que se expandia em silêncio, como uma estrela que nasce no escuro e ilumina tudo ao redor.

Cada manhã chegada trazia uma esperança não sentida, não conhecida. O sol parecia mais generoso, o céu inteiro mais azul, e até os dias antes comuns ganhavam um brilho inesperado. A vida, dantes tão chata, maçante, rotineira, agora se tornava extraordinária: cada gesto simples envolvia a responsabilidade e a alegria de nutrir um amanhã de futuro promissor.

Ela caminhava pela casa com a mão pousada sobre a barriga, como quem acaricia um sonho. E o sonho respondia, ainda que em silêncio, com a promessa de que logo viria ao mundo. Não havia pressa: o tempo da espera se constituía também no tempo da construção. Construção de amor, de coragem, de fé. À noite, deitada, imaginava o filho sorrindo, correndo, descobrindo o mundo com olhos curiosos. Mas também se encantava com o presente: aquele instante em que ele ainda era um mistério protegido pelo calor do ventre e pelo amor que já transbordava.

O filho na barriga era mais que vida em formação. Se fazia poesia encarnada, esperança imorredoura que se materializava, um futuro que já se fazia presente. Cada batida do coraçãozinho um verso novo, cada respiração um refrão de otimismo. E assim, entre medos e descobertas, ela escolhia acreditar. Porque carregar um filho é também carregar a certeza de que o amanhã será mais bonito. O filho na barriga não se fazia apenas promessa: se transformara em companhia, uma alegria de um amor infinito.

O dia do nascimento chegou. Aflorou como um amanhecer diferente. O mundo parecia suspenso, leve e solto como se respirasse junto com ela. O filho que antes se fazia segredo, que vivia protegido na barriga, agora vinha à luz. E com ele, tudo se transformava. O final o nascimento, revelará segredos de uma mãe linda, uma mãe novinha de primeira viagem em busca do seu novo mundo.

O primeiro choro não foi apenas som. Foi música. Uma sinfonia que anunciava: ‘Estou aqui’. E naquele instante, cada medo se dissolveu, cada dúvida se calou. Restava apenas a certeza de que a vida tinha se renovado. Luíza olhou para o pequeno rosto e percebeu que o tempo havia mudado de ritmo. Antes, a espera se fazia feita de dias longos, de sonhos e imaginações. Agora, cada segundo era precioso, cada gesto uma descoberta. O filho não mais uma promessa: ele se transformara em presença.

O mundo parecia mais colorido. As paredes da casa, antes silenciosas, agora ecoavam risadas, choros, balbucios. O ar tinha cheiro de novidade. O futuro, que antes era apenas imaginação, agora se desenhava em cada olhar curioso, em cada mãozinha que buscava o calor do abraço. E ela, que antes carregava o filho dentro de si, agora o carregava nos braços. Mas sabia: o vínculo não se rompia com o nascimento. Pelo contrário, se expandia. O amor que começou na barriga agora se multiplicava em gestos, em cuidados, em noites mal dormidas que se tornavam poesia.

O nascimento não foi apenas dele. Foi também dela. Ou quem sabe, no fundo, de ambos. Porque naquele instante, Luíza também renasceu, renasceu como mãe, se pegou como guardiã, se flagrou como alguém que descobriu que a vida pode ser infinitamente maior quando se compartilha. Por assim, o filho que antes se fazia sonho, se tornou realidade. E a realidade, por sua vez, se fez ainda mais bela do que qualquer sonho sonhado.

‘Seus desejos serão todos satisfeitos
Importante é que você saiba esperar
Sua voz ensaia a canção que um dia
Muitas vezes com ternura vai cantar'*

Explicação necessária:
Letra da canção de Roberto Carlos, ‘Você É Linda’.

Título e Texto: Carina Bratt, de Via Velha, ES, 22-2-2026

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