João Financeira
Por muito tempo, o telefone
fixo foi sinônimo de conversa, notícia e proximidade. Hoje, para milhares de
aposentados e pensionistas, ele se transformou em porta de entrada para
prejuízo financeiro, dor de cabeça e, em alguns casos, desespero.
Nos últimos meses, aumentou de
forma preocupante o número de golpes direcionados a quem recebe benefício do
INSS. E o que mais assusta é que os criminosos já não agem de forma amadora.
Eles sabem o nome do beneficiário, o valor aproximado do benefício, o banco
onde recebe e até se existe ou não empréstimo consignado ativo.
Esse nível de informação faz
com que a conversa pareça legítima. O golpista se apresenta como funcionário de
banco, correspondente autorizado ou até servidor público. Fala com segurança,
usa termos técnicos e cria urgência: diz que há um erro, uma liberação pendente
ou uma oportunidade que “expira hoje”.
É nesse ponto que muitos caem.
O golpe mais comum envolve o consignado. A promessa costuma ser de quitação antecipada, redução da parcela ou liberação de um “valor residual”. Para isso, pedem confirmação de dados, envio de documentos ou um pagamento inicial, supostamente necessário para liberar o benefício maior. O dinheiro sai. A promessa não se cumpre. O prejuízo fica.
Há também casos em que o
aposentado só descobre o problema semanas depois, quando percebe descontos que
nunca autorizou no benefício. Reverter a situação exige tempo, paciência e,
muitas vezes, ajuda jurídica.
Especialistas alertam: nenhuma
instituição séria pede dados pessoais por telefone, mensagem ou aplicativo. Não
existe taxa antecipada para liberar valores do INSS. E nenhuma mudança em
benefício é feita sem comunicação oficial clara e verificável.
O cuidado precisa ser redobrado, sobretudo porque os criminosos contam com algo
simples: a confiança de quem trabalhou a vida inteira e não imagina que alguém
possa agir de má-fé usando informações reais.
Desconfiar, hoje, não é sinal
de ignorância. É sinal de proteção.
A recomendação é direta: ao
receber qualquer ligação envolvendo benefício, desligue, procure o banco pelos
canais oficiais ou busque orientação antes de tomar qualquer decisão. O
benefício é direito conquistado com anos de trabalho — e não deve ser colocado
em risco por uma conversa convincente do outro lado da linha.
Título e Texto: João Financeira, O Dia, 25-2-2026, Arte: Kiko

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