Louise Oliveira
Em vez de dizer “minha nossa!”, que
tal se expressar com um sonoro e vivo “pelas barbas do profeta!”? Ou com o
antigo bordão "macacos me mordam!"? Essas e outras expressões do
português deixaram sua marca na história e refletem a nossa criatividade para
comunicar sentimentos. Conheça 9 que se destacam pela sua originalidade.
Pelas barbas do profeta!
Essa expressão peculiar indica
surpresa diante de algo. Ficou muito conhecida entre 1980 e 1990, quando o
narrador esportivo Silvio Luiz a usava nos momentos em que um jogador de
futebol perdia uma oportunidade de gol.
São dele também outros bordões
icônicos, como “Olho no lance!” e "Pelo amor dos meus filhinhos!".
·
Pelas barbas do profeta! Quando as coisas vão
melhorar?
·
Pelas barbas do profeta, não esperava
encontrá-la aqui.
Macacos me mordam!
Outra forma engraçada de manifestar
surpresa e espanto. Quem assistiu aos desenhos animados dos anos 70, 80 e 90
sabe que esse bordão era bem conhecido, usado especialmente pelo marinheiro
Popeye.
A expressão pode ser empregada tanto
em contextos positivos como negativos:
·
Macacos me mordam se não for a pessoa mais
sortuda que já conheci.
·
Macacos me mordam! O que você fez?
Pode tirar o cavalinho da chuva!
Significado: “pode desistir!”, como na frase: “Se pensa que vou fazer todo o trabalho sozinho, pode tirar o cavalinho da chuva!”. Acredita-se que a expressão tenha surgido no século 19.
No livro A Casa da Mãe Joana, Reinaldo Pimenta explica que “o cavalo tem a vantagem de deixar clara a intenção do visitante na chegada. Se ele amarra o bicho à frente da casa, é sinal de permanência breve; se ele leva para um lugar protegido da chuva e do sol, pode botar água no feijão, o moço vai demorar”.
Quando o visitante tinha a intenção de
ser breve e o anfitrião lhe pedia para tirar o cavalo da chuva, significava que
ele podia desistir de se levantar para partir.
Fiquei a ver navios...
Ficou esperando por algo que não
aconteceu? Então você ficou a ver navios (ou “vendo navios”). É provável que a
expressão tenha origem no contexto da morte de Dom Sebastião, rei de Portugal,
em 1578.
O desaparecimento do seu corpo em
batalha deixou os portugueses esperançosos pelo seu retorno, levando-os a
observar o mar à sua espera por muito tempo.
·
O evento foi cancelado e todos ficaram a ver
navios.
·
Ela estava tão animada para a viagem, mas
esqueceu seu passaporte em casa e acabou a ver navios.
É dose para elefante!
Dadas as proporções do elefante, essa
imagem indica algo difícil de suportar ou lidar. É sinônimo de “é fogo!”, como
em:
·
Resolver esse problema é dose para elefante!
·
Esperei por horas na fila. É dose para
elefante!
Quando as galinhas criarem dentes!
Nenhuma ave, incluindo as galinhas,
tem dentes. Um dos grandes mistérios da evolução é entender o porquê. Mas
desvendar o significado da expressão é fácil: indica algo que nunca acontecerá.
·
Vou começar a me preocupar com isso quando as
galinhas criarem dentes.
·
Você acha que ele vai admitir o erro? Só
quando as galinhas criarem dentes!
Pegou o bonde e quer sentar na
janelinha...
Precisa desabafar sobre alguém que deu
opinião sem entender a situação completa? Aqui está uma expressão usada há um
bom tempo no Brasil.
Onde fui amarrar o meu bode?!
Ou meu jegue, ou meu cadarço. Sugere
que a pessoa está em uma situação complicada e difícil de resolver, ou tomou
uma decisão ruim, como nas frases:
·
Aceitei participar do debate. Onde fui amarrar
o meu bode?
·
Estou lidando com um conflito entre os
convidados. Onde fui amarrar o meu bode?
Vai chatear o Camões!
Em Portugal, quando alguém diz “Vai
chatear o Camões!”, dá um claro sinal de que não quer ser incomodado.
Conta-se que indivíduos embriagados
costumavam interagir com a estátua do poeta enquanto passavam pela praça Luís
de Camões, em Lisboa, na expectativa de receber uma resposta.
E você, conhece outras expressões
interessantes? Avalie o conteúdo e conte para a gente nos comentários.
Título, Imagem e Texto: Louise Oliveira, Professora de Português, Dicionário Online de Português
Colunas anteriores:Lágrimas de crocodilo
Militantes DAS ou NAS redações?
Voz de taquara rachada: significado da expressão
Macacos me mordam: significado da expressão
“Cada macaco no seu galho”

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