Aniele Lacerda
A venda da SAF do Vasco ganhou
um novo capítulo nesta semana. O advogado André Sica, representante de Marcos
Lamacchia na negociação, confirmou que o acordo de investimentos já foi
assinado e protocolado na Justiça. Em entrevista ao ge, ele detalhou os pilares
do projeto e afirmou que a operação prevê mais de R$ 3 bilhões em compromissos
para recuperar o Vasco da Gama.
Segundo Sica, o objetivo
inicial do investimento é resolver o maior problema financeiro do Clube: o
endividamento. Ele explicou que a recuperação judicial envolve cerca de R$ 1,3
bilhão em débitos, valor que pode cair para aproximadamente R$ 800 milhões após
negociações com credores. Somadas as dívidas fiscais, o montante chega perto de
R$ 1,1 bilhão.
O advogado destacou que a
proposta vai muito além da compra das ações da SAF. Segundo ele, o projeto foi
estruturado para quitar dívidas, equilibrar o fluxo de caixa, investir no
futebol e melhorar a infraestrutura do Gigante da Colina, garantindo recursos
para os próximos anos.
“Estamos
falando de quase R$ 1,1 bilhão em dívidas”
Ao explicar o tamanho da
operação, André Sica afirmou que o pagamento do passivo é a base do acordo
firmado entre o investidor e o Cruzmaltino.
– A operação faz efetivamente
o repasse de valores para pagamento dessas dívidas. É o ponto básico. A gente
está falando de quase R$ 1,1 bilhão em dívidas que precisam ser pagas.
Na sequência, o advogado
explicou que o investidor também assumirá a responsabilidade de equilibrar as
contas do clube. Segundo ele, atualmente o Vasco arrecada cerca de R$ 500
milhões por temporada, mas possui despesas próximas de R$ 800 milhões.
– A diferença entre um ponto e
o outro, eu preciso aportar. E assim por diante, até nos próximos cinco anos eu
vou equilibrar o caixa.
R$
500 milhões para reforçar o futebol do Vasco
Outro destaque do acordo é um aporte exclusivo de R$ 500 milhões para fortalecer o futebol do Time de São Januário. De acordo com André Sica, o dinheiro será destinado apenas para melhorar o departamento de futebol, seja com contratações, aumento da folha salarial ou outras despesas que elevem o nível competitivo da equipe.
– É um aporte carimbado para o
futebol, para contratação de atleta e pagamento de salário. Aquilo que eu
melhorar é um aporte novo.
O advogado também revelou que
o contrato dá liberdade ao investidor para antecipar os aportes caso entenda
que seja o melhor caminho para acelerar o crescimento esportivo do Clube.
Novo
CT e compromisso de longo prazo
Além dos investimentos no
elenco, a proposta reserva R$ 120 milhões para a construção de um novo centro
de treinamento e mais R$ 30 milhões para melhorias na estrutura das categorias
de base.
Segundo Sica, o prazo de até
dez anos previsto no contrato não significa demora na execução das obras, mas
apenas uma garantia para que o investidor tenha autonomia de gestão.
– Já existe o projeto do CT
novo. Isso se pretende implementar em curtíssimo prazo.
O advogado ainda ressaltou que Marcos Lamacchia assumiu o compromisso de permanecer na SAF por pelo menos dez anos e que, nesse período, não haverá distribuição de lucros aos acionistas.
– Se o Marcos alcançar um
faturamento muito maior, ele vai ter que reinvestir esse dinheiro no clube.
Existe esse compromisso.
Negociação
ainda depende de etapas importantes
Apesar do avanço, André Sica
lembrou que a operação ainda precisa cumprir etapas importantes. Entre elas
estão a autorização da Justiça para abertura do processo competitivo, a
conclusão da auditoria e a aprovação do acordo pelo Conselho Deliberativo e pela
Assembleia Geral do Clube.
O advogado também afirmou que
as tratativas envolvendo a 777 Partners seguem acontecendo e demonstrou
confiança de que a questão será solucionada durante o andamento do processo.
– A gente entende que o
assunto 777 é importante, mas será resolvido tranquilamente.
Outro ponto destacado por
André Sica é que um eventual rebaixamento do Vasco no Campeonato Brasileiro não
altera os planos de Marcos Lamacchia. Segundo o advogado, o compromisso
assumido pelo empresário independe da divisão em que o clube estiver na próxima
temporada.
– Se o Vasco cair para a Série
B, a operação continua exatamente igual. Isso não muda absolutamente nada. O
compromisso do investidor permanece o mesmo.
Para Sica, o projeto foi
elaborado com foco no longo prazo e não está condicionado ao desempenho
esportivo de uma única temporada. Segundo ele, a intenção é recuperar a saúde
financeira do Clube e criar condições para que o Vasco volte a disputar títulos
nos próximos anos.
Advogado
rebate questionamento do Flamengo
Durante a entrevista, André
Sica também comentou a manifestação do Flamengo junto à Agência Nacional de
Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), que pediu esclarecimentos ao
Vasco sobre um possível conflito de interesses envolvendo Marcos Lamacchia.
O advogado classificou o
questionamento como sem fundamento e afirmou que, neste momento, não existe
qualquer conflito, já que a operação ainda não foi concluída.
– Sinceramente, a gente vê
isso como um problema completamente desarrazoado. Não existe conflito nenhum,
porque nem a operação foi feita.
Sica acrescentou que o grupo
está disposto a cumprir qualquer determinação da ANRESF caso seja necessário.
– O Marcos tem total condição
de implementar qualquer solução proposta pela ANRESF. A operação vai acontecer.
O representante de Lamacchia
ainda defendeu que o foco deveria estar na recuperação do Vasco da Gama, e não
em tentativas de impedir o negócio.
– O que a gente quer é um
Vasco forte, com as dívidas pagas e brigando por títulos. Todo mundo deveria
estar lutando para que essa operação acontecesse.
Com o acordo já protocolado na
Justiça, a venda da SAF entra em uma nova fase. Ainda restam aprovações e
procedimentos antes da conclusão da operação, mas André Sica demonstrou
confiança de que o investimento será concretizado nos próximos meses.
Título e Texto: Aniele
Lacerda, Vasco Notícias, 17-7-2026
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