Apenas em junho, dos 2.205 postos cadastrados no Rio, 2.100 foram notificados quanto à falta ou ausência de fornecimento dos dados fiscais sobre a compra e a venda de combustíveis
Patricia Lima
O setor de combustíveis fluminense apresenta dados alarmantes. Segundo a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-RJ) cerca de 95% dos postos do Rio não enviaram ou encaminharam, de forma incompleta, os dados fiscais sobre a compra e a venda de combustíveis. Somente em junho, dos 2.205 postos cadastrados no Rio, 2.100 foram notificados quanto à falta ou ausência de fornecimento dos dados; o que, segundo a pasta, compromete o controle fiscal e impede o combate a fraudes e à atuação do crime organizado.
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| Foto: Agência Brasil |
De acordo com o Ministério
da Justiça e Segurança Pública, quase metade dos postos de combustíveis do
Rio pode ter algum tipo de ligação com o crime organizado. E a ausência de
registros regulares de compra e venda dos insumos, impede a identificação de
fraudes, o rastreamento de operações suspeitas e a apuração dos desvios pelos
auditores fiscais.
No setor, as fraudes fiscais
são as principais fontes de financiamento das organizações criminosas. Segundo
investigações, dinheiro do tráfico de drogas e de outros crimes seriam lavados
via faturamento dos postos, como se fossem resultado da venda de combustíveis e
de produtos das lojas de conveniência. As fraudes seriam facilitadas porque
cerca de 40% das transações ainda são feitas em dinheiro, dificultando o
rastreamento financeiro.
Outro indício criminoso identificado nas investigações é o esquema da chamada “bomba baixa”, quando o equipamento é adulterado para abastecer uma quantidade menor do que a indicada na bomba, fazendo o consumidor pagar a mais por uma litragem que não recebeu. Investigadores ouvidos pelo RJ2 avaliam que apenas uma quadrilha lucrou R$ 1,6 milhão mensais com a fraude.
Para conter o avanço das
irregularidades, o Ministério da Justiça criou uma força-tarefa para investigar
mais de mil postos suspeitos de ligação com o crime organizado. A pasta vai
contar com o apoio do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), da
Polícia Federal e da sociedade civil.
A cadeia de fraudes inclui
ainda irregularidades o transporte de combustíveis. Após o reforço das
barreiras fiscais nas principais entradas do território fluminense, o número de
autuações avançou consideravelmente. Em junho, as autoridades registraram mais
de R$ 1,7 milhão em autos de infração contra caminhões-tanque – o aumento foi
de 482% em relação ao mesmo período de 2025. De acordo com o RJ2, a maioria dos
caminhões transportava combustíveis sem nota fiscal ou com documentação
irregular. Desde o início da operação, o valor das multas aumentou 254% no
primeiro mês e 168% no segundo.
Recentemente, as investigações
chegaram a empresários e agentes públicos, com a Polícia Federal desarticulando
uma rede de postos suspeita de movimentar mais de R$ 7 bilhões em um esquema de
lavagem de dinheiro. Entre os alvos estavam o ex-prefeito de Belford
Roxo, Márcio Canella (União Brasil), endereços ligados ao
delegado e ex-secretário estadual de Polícia Civil, Marcos Amim,
proprietário de lojas de conveniência em postos de Niterói. O deputado
estadual Thiago Rangel (Avante), que foi preso em maio por suspeita
de desvios na área da educação, também foi alcançado pelas investigações, uma
vez que é proprietário de postos investigados.
Com informações da TV
Globo.
Título e Texto: Patricia
Lima, Diário do Rio, 18-7-2026

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