O novo capítulo da perseguição a Bolsonaro é por causa do vídeo de IA exibido na convenção do PL que ungiu Flávio candidato presidencial

Foto: Breno Esaki/Metrópoles
Mario Sabino
Algoz de Jair Bolsonaro, o
ministro Alexandre de Moraes acredita que pode exigir explicações de todo
mundo, mas acha que não deve explicações a ninguém.
Até hoje, não explicou
como a sua mulher advogada conseguiu um contrato de R$ 129 milhões com o
suposto banqueiro Daniel Vorcaro, autor da maior fraude ao sistema financeiro
nacional.
Alexandre de Moraes quer agora que
Jair Bolsonaro explique o vídeo produzido com inteligência artificial que foi
exibido na convenção do PL que ungiu Flávio Bolsonaro candidato presidencial.
Bem ao estilo imparcial do ministro,
que conquistou juízes em grandes democracias ocidentais, a exigência foi na
base do perdeu, Mané.
A saber: se Jair Bolsonaro autorizou o
vídeo, ele infringiu a determinação de Alexandre de Moraes de não se manifestar
politicamente de forma direta ou indireta e, assim, corre o risco de voltar
para o presídio; se não autorizou, foi Flávio Bolsonaro a desrespeitar a ordem
do ministro e, ainda por cima, com a eventual produção de “deep fake”, o que é
vedado pela legislação em campanha eleitoral. A pena, aqui, pode ser a
inelegibilidade.
É tudo espantoso.
O vídeo não foi exibido em propaganda eleitoral, mas em convenção partidária — que, a rigor, não é propaganda eleitoral.
Os participantes da convenção foram
avisados de que se tratava de produção feita com inteligência artificial. Não
há nada ali de enganador ou de ofensivo, características essenciais da “deep
fake”.
Ainda que Jair Bolsonaro tivesse
autorizado o vídeo, continua completamente fora de propósito proibir que ele
pudesse fazê-lo. Pegue-se como exemplo paralelo uma hipotética biografia
autorizada do ex-presidente: Alexandre de Moraes proibiria a sua publicação
enquanto ele estivesse preso?
O fato de Jair Bolsonaro ter sido
condenado por tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado de
Direito, duas patacoadas, faz com que o
ministro se sinta livre para suprimir direitos fundamentais do ex-presidente,
evidente contradição entre causa e efeito.
Jair Bolsonaro não pôde nem mesmo ter
uma carta divulgada. Como punição, foi-lhe vedado receber a visita do filho
candidato ao Planalto. O ex-presidente não pode ter contato com Flávio
Bolsonaro até a realização do primeiro turno.
O presidente argentino Javier Milei,
por sua vez, também foi impedido de ver Jair Bolsonaro, constrangimento a que
nenhum amigo estrangeiro de Lula se viu submetido quando o chefão petista
estava preso.
Não resta dúvida: estamos diante de
uma perseguição política sem precedentes na democracia brasileira,
levada a cabo por um ministro do STF que se quer protagonista político-eleitoral.
Que atua como se integrasse o TSE. Que pressiona o presidente do TSE, Nunes
Marques, a punir Flávio Bolsonaro. E que acha que não deve explicações a
ninguém.
Título e Texto: Mario Sabino, Metrópoles, 29-7-2026, 19h08
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"Tudo isso não passa de uma guerra de narrativas. O buraco real é bem mais embaixo." "Não são especialistas, via de regra, são militantes"
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