Manuel Cândido Pimentel
Era setembro. Nunca mais lá voltei nem nunca mais lá voltarei.
Não quero perturbar a essência que lá deixaste
impressa na moldura do céu e da água
onde tua figura se recortava… Demos as mãos
e nada mais importou, nem a tua doença,
porque nesse tempo salgado fomos felizes.
Hão de correr milénios
as areias hão de mudar ao ritmo das vagas
mas a tua essência não passará.
Cai eterna nas alfombras da minha alma
onde apascento ovelhas, e zagais
tocam em flautas a melodia do teu nome.
O dia declina no rei cortiço
e eu imagino a lenda ao pôr do sol
de dois amantes abraçados,
figuras logo desfeitas quando o poente decai… e morre.
Manuel Cândido Pimentel, Casa da Calçada, 26-1-2024
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