Se os chineses continuam com o retrato de Mao Tsé-Tung na principal praça de Pequim, apesar dos milhões de mortos que provocou, em Portugal há quem queira doutrinar os incautos, dizendo que os erros que os seus partidos cometeram não foram mais do que necessários para alcançar a felicidade
Vítor Rainho
Há dias estava a ver um
documentário sobre a vida de Xi Jinping, o Presidente chinês, e fiquei ainda
com mais fascínio por algo que me é tão longínquo. Como é óbvio, se quiser
analisar a realidade chinesa pelos olhos de um português, vou achar tudo incompreensível.
Vejamos. Durante a Revolução de Mao Tsé-Tung – em que terão morrido largos
milhões de chineses -, o pai do atual Presidente fazia parte do aparelho, e Xi
Jinping teve acesso a uma escola para privilegiados. Como no tempo do louco Mao
Tsé-Tung tudo mudava num instante, os pais de Xi Jinping rapidamente foram
acusados de traição à causa – sem qualquer razão aparente, como aconteceu a
muitos milhões – e foram obrigados a colocar o chapéu de burro, além,
obviamente, das agressões físicas de que foram alvo.
O próprio Xi foi obrigado a abandonar a escola, foi enviado para um campo de trabalhos forçados – as suas mãos de menino de escola sentiram muito a enxada e a picareta -, mas uns anos depois iniciou o seu percurso de regresso à elite. Percorreu a estrada do calvário e, digamos, chegou a ser uma espécie de presidente de câmara. Apesar das humilhações que a sua família e ele próprio sofreram às mãos do regime de Mao, nunca colocou isso em questão. Calculo que à semelhança de um fervoroso católico que aceitava as doenças como um desígnio de Deus, os chineses aceitavam a crueldade de Mao como algo natural. Ainda hoje, como é sabido, o retrato de Mao está na principal praça de Pequim. E é aqui que entra de novo Xi Jinping. Aquando do massacre de Tiananmen não se ouviu uma palavra de Xi a condenar a violência das tropas de Deng Xiaoping.
Mas voltemos a Mao. Enquanto o
ditador matava milhões de chineses, na Europa, e não só, havia uma rapaziada
que andava a gritar loas ao ditador chinês, com o célebre livro vermelho na mão
direita. Tantos anos depois de Mao, ainda é comum, nalgumas festas partidárias,
ver rapazes com t-shirts com a cara do facínora, como se isso fosse normal. Não
conheço a cultura chinesa, mas, pelos vistos, é comum aceitarem os males
infligidos, como se fosse uma dádiva do grande líder. E é aqui que quero
chegar. Em Portugal, milhares e milhares de pessoas acreditam que os partidos
com que se identificam são os melhores, independentemente de muito terem
contribuído para o atraso do país, apesar das intenções serem supostamente as
melhores. À semelhança de Xi, que aceitou o legado de Mao, milhares ou milhões
de portugueses discutem assuntos políticos como se estivessem a falar de
futebol, deixando a racionalidade à porta. E quem procura argumentar com
racionalidade é logo fuzilado e apelidado de fascista e nazi. É certo que há
uns nomes que não passam por esse escrutínio, pois já atingiram um estatuto de
senadores, o melhor exemplo talvez seja António Barreto. O sociólogo tem
escrito textos magníficos sobre a imigração e poucos se atrevem a chamar-lhe
nomes, apesar dos argumentos ‘violarem’ a filosofia do politicamente correto.
Felizmente, António Barreto é um livre pensador e está-se a borrifar para os
cretinos da extrema-esquerda (ou da extrema-direita), dos wokistas e afins, e
coloca os pontos nos is.
Mas o mesmo não se passa com outras figuras. Zita Seabra, por exemplo, que sempre foi odiada por ter deixado o PCP e ter-se refugiado no PSD, bem pode dizer as verdades todas que ficam todos a assobiar para o lado, como se fosse alguma leprosa. Numa magnífica entrevista a Felícia Cabrita, Zita diz o óbvio sobre os tempos que passou no partido da foice do martelo: «Não tive nenhuma dúvida sobre a invasão da República da Checoslováquia. Éramos absolutamente pró-soviéticos. A ideia, nessa altura e hoje, para um revolucionário profissional e para um comunista, era que as vítimas do comunismo não são iguais às vítimas da direita ou da extrema-direita. As vítimas do nazismo não são iguais às vítimas do comunismo. É terrível, mas pensei assim até me tornar dissidente». Como sabemos, são muitos os que pensam assim, mas que nos querem dar lições de solidariedade e de democracia.
Telegramas
Estava na cara
33 dos 38 imigrantes que chegaram a Portugal de barco, e de forma ilegal,
pediram asilo político. Não faço ideia onde foram arranjar dinheiro para
‘levar’ o processo para a frente, mas cheira-me a esturro. Alguém acredita que
são mesmo refugiados políticos? Calculo que o mais novo, de 12 meses, também
irá pedir asilo político.
Título e Texto: Vítor
Rainho, SOL,
30-8-2025, 11h
Atirador trans, anti-Trump e pró-comunista mata crianças e a mídia progressista se cala. Se fosse um conservador, seria "terrorismo". A hipocrisia da esquerda protege seus monstros e revela o perigo real da agenda woke. Até quando vão esconder a verdade?
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