sábado, 30 de agosto de 2025

A verdade a que o povo tem direito…

Se os chineses continuam com o retrato de Mao Tsé-Tung na principal praça de Pequim, apesar dos milhões de mortos que provocou, em Portugal há quem queira doutrinar os incautos, dizendo que os erros que os seus partidos cometeram não foram mais do que necessários para alcançar a felicidade


Vítor Rainho

Há dias estava a ver um documentário sobre a vida de Xi Jinping, o Presidente chinês, e fiquei ainda com mais fascínio por algo que me é tão longínquo. Como é óbvio, se quiser analisar a realidade chinesa pelos olhos de um português, vou achar tudo incompreensível. Vejamos. Durante a Revolução de Mao Tsé-Tung – em que terão morrido largos milhões de chineses -, o pai do atual Presidente fazia parte do aparelho, e Xi Jinping teve acesso a uma escola para privilegiados. Como no tempo do louco Mao Tsé-Tung tudo mudava num instante, os pais de Xi Jinping rapidamente foram acusados de traição à causa – sem qualquer razão aparente, como aconteceu a muitos milhões – e foram obrigados a colocar o chapéu de burro, além, obviamente, das agressões físicas de que foram alvo.

O próprio Xi foi obrigado a abandonar a escola, foi enviado para um campo de trabalhos forçados – as suas mãos de menino de escola sentiram muito a enxada e a picareta -, mas uns anos depois iniciou o seu percurso de regresso à elite. Percorreu a estrada do calvário e, digamos, chegou a ser uma espécie de presidente de câmara. Apesar das humilhações que a sua família e ele próprio sofreram às mãos do regime de Mao, nunca colocou isso em questão. Calculo que à semelhança de um fervoroso católico que aceitava as doenças como um desígnio de Deus, os chineses aceitavam a crueldade de Mao como algo natural. Ainda hoje, como é sabido, o retrato de Mao está na principal praça de Pequim. E é aqui que entra de novo Xi Jinping. Aquando do massacre de Tiananmen não se ouviu uma palavra de Xi a condenar a violência das tropas de Deng Xiaoping.

Mas voltemos a Mao. Enquanto o ditador matava milhões de chineses, na Europa, e não só, havia uma rapaziada que andava a gritar loas ao ditador chinês, com o célebre livro vermelho na mão direita. Tantos anos depois de Mao, ainda é comum, nalgumas festas partidárias, ver rapazes com t-shirts com a cara do facínora, como se isso fosse normal. Não conheço a cultura chinesa, mas, pelos vistos, é comum aceitarem os males infligidos, como se fosse uma dádiva do grande líder. E é aqui que quero chegar. Em Portugal, milhares e milhares de pessoas acreditam que os partidos com que se identificam são os melhores, independentemente de muito terem contribuído para o atraso do país, apesar das intenções serem supostamente as melhores. À semelhança de Xi, que aceitou o legado de Mao, milhares ou milhões de portugueses discutem assuntos políticos como se estivessem a falar de futebol, deixando a racionalidade à porta. E quem procura argumentar com racionalidade é logo fuzilado e apelidado de fascista e nazi. É certo que há uns nomes que não passam por esse escrutínio, pois já atingiram um estatuto de senadores, o melhor exemplo talvez seja António Barreto. O sociólogo tem escrito textos magníficos sobre a imigração e poucos se atrevem a chamar-lhe nomes, apesar dos argumentos ‘violarem’ a filosofia do politicamente correto. Felizmente, António Barreto é um livre pensador e está-se a borrifar para os cretinos da extrema-esquerda (ou da extrema-direita), dos wokistas e afins, e coloca os pontos nos is.

Mas o mesmo não se passa com outras figuras. Zita Seabra, por exemplo, que sempre foi odiada por ter deixado o PCP e ter-se refugiado no PSD, bem pode dizer as verdades todas que ficam todos a assobiar para o lado, como se fosse alguma leprosa. Numa magnífica entrevista a Felícia Cabrita, Zita diz o óbvio sobre os tempos que passou no partido da foice do martelo: «Não tive nenhuma dúvida sobre a invasão da República da Checoslováquia. Éramos absolutamente pró-soviéticos. A ideia, nessa altura e hoje, para um revolucionário profissional e para um comunista, era que as vítimas do comunismo não são iguais às vítimas da direita ou da extrema-direita. As vítimas do nazismo não são iguais às vítimas do comunismo. É terrível, mas pensei assim até me tornar dissidente». Como sabemos, são muitos os que pensam assim, mas que nos querem dar lições de solidariedade e de democracia. 

Telegramas

Estava na cara
33 dos 38 imigrantes que chegaram a Portugal de barco, e de forma ilegal, pediram asilo político. Não faço ideia onde foram arranjar dinheiro para ‘levar’ o processo para a frente, mas cheira-me a esturro. Alguém acredita que são mesmo refugiados políticos? Calculo que o mais novo, de 12 meses, também irá pedir asilo político.

Título e Texto: Vítor Rainho, SOL, 30-8-2025, 11h

Um comentário:

  1. Atirador trans, anti-Trump e pró-comunista mata crianças e a mídia progressista se cala. Se fosse um conservador, seria "terrorismo". A hipocrisia da esquerda protege seus monstros e revela o perigo real da agenda woke. Até quando vão esconder a verdade?

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