Paulo Hasse Paixão
E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.
João 17:3
O homem ocidental criou um
mundo que é hostil para consigo próprio.
Não há lugar para a humanidade
na nossa cultura. Não há lugar para a perseguição do belo – a verdadeira missão
da arte. Não há lugar para a religião ou a filosofia – fundamentos culturais
dos povos. Não há lugar para Deus – razão de ser do cosmos-, nem para a nação
nem para a família – pilares da sociedade.
No Ocidente contemporâneo não
são permitidas expressões da humanidade subjacente, uma vez que temos de nos
submeter à máquina. Ninguém fala sobre a experiência humana, ninguém nos ensina
sobre como viver bem ou melhor, porque esses ensinamentos secundarizam a
ascensão da máquina.
Ninguém fala sobre o niilismo
luciferino das elites, a solidão e o isolamento dos cidadãos, já que não nos
consideramos dignos de amor como indivíduos e como sociedade. Já que fomos
implacavelmente doutrinados a obedecer aos mandatos das “autoridades”.
A pós-modernidade não leva a
sério os nossos próprios sentimentos ou necessidades, permitindo que sejamos
explorados como engrenagens de um destino escatológico.
Achamos que a civilização que os nossos avós levantaram, a mais livre e próspera da História, deve ser aniquilada. Não partilhamos quem somos e o que sentimos, não falamos das nossas aspirações e dos nossos medos, porque desprezamos a nossa própria humanidade e responsabilizamo-nos pelos males e as injustiças deste mundo, poupando a esse juízo os verdadeiros criminosos.
Mas por que raio vivemos
assim? Não precisamos de viver assim. Podemos ser mestres do nosso próprio
mundo, mas, aparentemente, preferimos ser escravos.
Sempre que o niilismo, o
autoritarismo, o desespero, a alienação, o isolamento e o empobrecimento nos
oprimem, enquadramos o problema do ponto de vista pessoal e não social.
Campanhas de propaganda usam termos como “amor-próprio” para promover a
consciencialização sobre a saúde mental e centrá-la no eu, quando o cerne do
problema é que foi a sociedade ocidental que estabeleceu as condições da
degradação psíquica das pessoas. Algo está fundamentalmente arruinado no
coração do homem ocidental, porque ele não tem condições de transcendência nem
permissão para sentir orgulho, ou esperança, ou ter qualquer poder real sobre a
sua vida.
Ao homem ocidental não é dada
a hipótese da redenção. Quando muito, é-lhe oferecida a saída indolor mas
trágica da conformidade e de um altruísmo que anula a sua própria cultura:
odeia-te a ti próprio, entrega-te apaixonadamente àqueles que não falam a tua
língua, que não rezam ao mesmo deus, que não partilham a tua cultura.
Vivemos esmagados pela culpa,
como que em permanente dívida para com o banco da moral pós-moderna. Vivemos
sob o jugo de transhumanistas,
cujo objetivo declarado é o de acabar com a espécie Sapiens, porque é na
humanidade que reside o último vestígio da gloriosa obra de Deus.
Esta é a verdadeira “ameaça
existencial”. Antes de chegarmos ao ponto de não retorno ontológico, é urgente
reagir.
E reconhecer que o humano é
produto do divino. E assim, sagrado e inalterável.
Título, Imagem e Texto: Paulo Hasse Paixão, ContraCultura, 29-8-2025
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Não publicamos comentários de anônimos/desconhecidos.
Por favor, se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.
Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-