Chaves dos primeiros moradores já começaram a ser entregues; empreendimento recebeu R$ 400 milhões em obras e ainda tem 26% das unidades à venda
Victor Serra
No residencial do antigo Hotel Glória, o Airbnb ficou de fora. A convenção do condomínio, feita recentemente, permitiu a locação dos apartamentos para terceiros, mas proibiu qualquer tipo de estadia de curta duração, como as oferecidas por plataformas online. A restrição vem justamente em um momento em que o modelo ganha espaço no Rio e atrai proprietários pela possibilidade de maior rentabilidade.
As chaves dos primeiros
moradores já começaram a ser entregues, após quatro anos de obras. O
empreendimento tem 266 apartamentos, com duas, três ou quatro suítes e áreas de
até 214 metros quadrados. Os preços variam de R$ 1,8 milhão a R$ 7 milhões.
Segundo a incorporadora, 26% das unidades ainda estão à venda.
De acordo com o braço
imobiliário do fundo Opportunity, que tocou a obra em parceria com a SIG, 60%
dos compradores já moram no Rio, 30% vivem em outros estados e 10% são
estrangeiros.
O projeto, que recebeu R$ 400
milhões em investimentos, quase o dobro do valor inicialmente previsto,
revitalizou o prédio histórico do Glória e incorporou duas novas torres
residenciais construídas do zero. A fachada original, tombada pelo IRPH, foi
preservada. O imóvel foi comprado pelo grupo em 2022, por R$ 90 milhões. A
negociação foi revelada em primeira mão pelo DIÁRIO DO RIO.
Até então, o Glória estava nas
mãos do Mubadala, fundo soberano de Abu Dhabi que recebeu o imóvel como
parte do pagamento de dívidas de Eike Batista. O empresário havia
comprado o hotel em 2008 e chegou a anunciar a intenção de levar a bandeira Four
Seasons para o endereço. O projeto, no entanto, não avançou.
Salão histórico vira espaço
para festas
No segundo pavimento, o antigo salão de festas foi preservado na mesma posição, com grandes janelas voltadas para a Baía de Guanabara. O espaço tem 244 metros quadrados e já recebeu convenções e coletivas de presidentes da República.
Agora, o salão passa a ser
usado pelos moradores para festas e eventos, no sistema pay for use. O
espaço tem paredes revestidas de mármore, mesas, sofás e cadeiras e capacidade
para até 250 pessoas. Também poderá ser alugado.
No rooftop, há uma área com churrasqueira e duas cozinhas gourmet, igualmente disponível mediante pagamento. O condomínio conta ainda com academia Bodytech, bar, churrasqueira, playground, sauna a vapor e duas piscinas de borda infinita com vista para a Baía de Guanabara. Na fachada da Rua do Russel, foram criadas quatro lojas.
Inaugurado em 1922, durante a
Exposição Internacional do centenário da Independência do Brasil, o Hotel
Glória foi projetado pelo arquiteto francês Joseph Gire, também
responsável pelo Copacabana Palace. De inspiração neoclássica, o
edifício tinha cerca de 30 mil metros quadrados de área privada e reunia
quartos, teatro, cassino, salões de festas e áreas de lazer.
O Glória é apontado como o
primeiro edifício em concreto armado da América do Sul e recebeu a primeira
classificação de cinco estrelas do país. As atividades foram encerradas em
2008.
Título, Imagens e Texto: Victor
Serra, Diário do Rio, 21-9-2026, 13h45



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