João José Brandão Ferreira 
Embarque da Família Real para o Brasil, Nicolas-Louis-Albert Delerive, século XIX, Museu Nacional dos Coches
Nota: passou há poucos dias a data de 7 de setembro, data do “Grito do Ipiranga” (em 1822). Mais um infausto acontecimento na História da Nação Portuguesa. Fica aqui a evocação.
Introdução
“Sua Majestade considerará
como um acto da mais revoltante agressão contra a independência da sua real
coroa todo e qualquer passo, convenção ou ajuste, por onde soberanos
estrangeiros se possam lembrar de assumir autoridade de intervirem, por algum
modo, qualquer que possa ser, nos objectos que fazem hoje o assunto das Cortes
gerais do reino”.
Silvestre Pinheiro Ferreira
(Declaração ao Congresso, em Lisboa, 1821).
A descoberta oficial do
Brasil (oficial, pois foi quando a Coroa Portuguesa assumiu o seu “achamento”)
em 22 de abril de 1500 – pois há praticamente a certeza de que já lá tínhamos
chegado antes – foi sem dúvida um dos marcos fundamentais da superior saga descobridora
portuguesa.
O território era de uma beleza
exuberante, a terra ubere e o subsolo veio a revelar aos poucos ser um
manancial de riquezas.
A terra de Vera Cruz era
escassamente povoada por várias tribos de indígenas (índios) com dialetos
diferentes e um estádio civilizacional pré neolítico, alguns até com hábitos
canibais e que se digladiavam entre si.
A descoberta do novo
território cedo despertou cobiças, nomeadamente de franceses a que se seguiram
os holandeses e os ingleses.
Com os espanhóis houve
entendimento inicial e durante muitos anos, dado que a separação de esferas de
influência tinha sido garantida pelo Tratado de Tordesilhas, de 1494. Mas como
este Tratado era definido através de um meridiano e na altura não ser ainda
possível determinar a longitude com precisão, cedo se desencadeou um conflito
relativamente à foz do Rio de Prata, dada a importância geopolítica da região.
Este conflito durou até á independência brasileira e ainda depois dela.
Pela união das coroas
portuguesa e espanhola a partir das Cortes de Tomar, de 1581, o Tratado de
Tordesilhas deixou de ser entrave para a expansão dos portugueses para oeste,
sobretudo em toda a zona da Amazónia, dando origem à quase totalidade das fronteiras
atuais do Brasil. Expansão que a geografia dificultava que fosse feita em
sentido contrário por parte da Espanha.
Os Tratados de Madrid de 1750
e de Santo Ildefonso de 1777 delinearam todo este espaço fronteiriço.
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