quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Grupo que alugou o Colégio São Paulo, no Arpoador, anuncia reforma para abrir escola que pode ser a mais cara do Rio

Unidade da Concept terá capacidade para 800 alunos, com mensalidades que podem atingir R$ 12 mil; reforma prevê novos espaços de aprendizagem e café na cobertura com vista para a praia

Victor Serra 

Quase dois anos depois do anúncio do fim das atividades do tradicional Colégio São Paulo, na Vieira Souto, o imóvel que ocupa um dos endereços mais valorizados do Rio já tem novo destino. O Grupo SEB, que alugou o complexo educacional no Arpoador, vai transformar o espaço em uma unidade da escola Concept, com previsão de abertura em fevereiro de 2028.

A mudança, segundo os executivos da marca de ensino, será radical. O prédio que funcionou por 103 anos sob responsabilidade da Congregação das Irmãs Angélicas de São Paulo passará por uma reforma completa, com projeto do escritório americano Perkins&Will. A característica fachada de mármore do conjunto modernista será substituída por uma nova proposta arquitetônica.

A unidade será a quarta escola Concept do país, que já possui operações em São Paulo, Salvador e Ribeirão Preto. A previsão é receber até 800 alunos e começar com turmas da Educação Infantil ao 4º ano do Ensino Fundamental, para crianças a partir de 1 ano. A grade será ampliada gradualmente nos anos seguintes.

O projeto terá cerca de 10 mil metros quadrados, mais de 20 ambientes colaborativos e 34 espaços de aprendizagem. Entre eles estão bibliotecas, estúdios de podcast, laboratórios, espaços maker, parques de exploração e descoberta e pátios. O complexo também terá quadra poliesportiva, áreas para aulas de lutas e dança e auditório. Na cobertura, está previsto um café com vista para a praia.

A Concept adota um modelo de educação com currículo flexível, aprendizagem baseada em projetos, metodologias ativas e parcerias e certificações internacionais. O investimento estimado para uma unidade da marca vinha sendo colocado entre R$ 50 milhões e R$ 80 milhões. 

Projeto de reforma da fachada do prédio, foto: Divulgação

Imóvel chegou a ser cotado para hotel de luxo

A decisão encerra uma disputa que movimentou o mercado imobiliário e a Prefeitura desde o anúncio do fechamento do colégio. Avaliado em cerca de R$ 250 milhões, o terreno tem aproximadamente 3 mil metros quadrados e fica em frente à praia, na altura do Arpoador.

Depois do encerramento das atividades do colégio, o imóvel chegou a ser estudado para diferentes usos, principalmente o hoteleiro. A rede de restaurantes Rubaiyat chegou a avaliar a implantação de seu primeiro hotel de luxo no local, com cerca de 110 quartos, piscina, quadra esportiva e restaurante. Estudos técnicos chegaram a ser realizados, inclusive para avaliar um possível retrofit da capela tombada existente no conjunto, mas as conversas não avançaram.

A própria Prefeitura também defendia que o endereço tivesse uso turístico. Em julho do ano passado, uma mudança nas regras urbanísticas passou a restringir novas licenças no trecho entre a Rua Rainha Elizabeth e a Pedra do Arpoador a empreendimentos hoteleiros e turísticos. Houve ainda articulações para encontrar outro imóvel na Zona Sul para o Grupo SEB. A empresa chegou a visitar terrenos em Ipanema e no Leblon, mas acabou optando pelo antigo Colégio São Paulo.

Pesou na decisão a posição da Irmãs Angélicas, proprietária do imóvel. A ordem religiosa manteve a defesa de que o endereço preservasse sua vocação educacional. A existência da capela tombada também dificultava uma eventual conversão para outros usos. 

Nesta segunda-feira, o prefeito Eduardo Cavaliere se reuniu com os controladores do Grupo SEB e representantes da congregação no prédio do antigo colégio. “Assim, fica preservada a vocação educacional do prédio e a presença das irmãs Angelitas, que desenvolvem sua atividade religiosa há mais de um século no local”, afirmou.

A reforma deve seguir até meados de 2027. O cadastro de famílias interessadas em reservar vagas começa ainda este ano. As mensalidades previstas variam de R$ 8 mil a R$ 12 mil, conforme o ciclo, uma das mais caras do município.

A expectativa é que a nova unidade gere entre 280 e 300 empregos diretos e indiretos.

Título e Texto: Victor Serra, Diário do Rio, 22-9-2026, 11h01 

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