quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Sobre as razões do ódio à Rússia

Paulo Hasse Paixão 

Boris Johson assusta-se com a sua própria falsa bandeira. Setembro de 2026, fronteira da Ucrânia com a Polónia

É convicção do ContraCultura que o motivo fundamental da hostilidade das elites ocidentais para com a Rússia é que esta é a última nação verdadeiramente cristã no mundo. E que vive muito bem com o seu património histórico, cultural e religioso. Ironicamente, é o Kremlin que guarda, no século XXI, o legado da Civilização Ocidental. E é isso que incomoda o globalismo luciferino do eixo Bruxelas-Washington, fundamentalmente: a fé cristã, o tradicionalismo, a responsabilidade de um povo que vive historicamente, com consciência de si e dos seus valores, com devoção à pátria e ao seu significado, e com o consequente respeito pelos seus antepassados.

A teoria de VertigoPolitix, explanada num post que foi entretanto censurado pelo X, será assim incompleta. Mas nem por isso incorreta. Os recursos são sempre alvo da cobiça alheia, na geopolítica da coisa, principalmente considerando o liberal-globalismo, niilista e imperialista e ávido e ultra materialista que domina nos tempos que correm os corredores do poder neste lado do hemisfério.

“Em 2010, foi descoberto o campo de gás de Yuzivska no Donbas, contendo combustível suficiente para abastecer todo o continente europeu durante 60 anos. Barack Obama pressionou o então presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, para permitir que as empresas norte-americanas o explorassem, mas o pedido foi negado. A CIA orquestrou então um golpe de Estado na Ucrânia e estabeleceu um Estado fantoche em 2014.

A NATO interveio e começou a construir cidades-fortaleza ao longo das fronteiras perto de enclaves étnicos russos na região de Donbas, na Ucrânia, gastando 30 mil milhões de dólares no processo. Após seis anos de intenso bombardeamento de artilharia contra alvos civis, Kiev enviou 90.000 soldados para a sua fronteira leste no final de 2021, o que levou Putin a solicitar (com base no artigo 51.º do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas) uma Operação Militar Especial para proteger os cidadãos russos — em perfeita conformidade com o direito internacional.

Os EUA queriam o controlo do Donbas simplesmente para excluir a Rússia do lucrativo mercado europeu do gás natural. No entanto, tudo o que isto conseguiu foi a extinção demográfica do grupo étnico ucraniano e uma conta de 400 mil milhões de dólares para os contribuintes americanos e da UE.

Mesmo na geopolítica, é preciso seguir sempre o dinheiro…” 

Want to know the real reason for the Russian-Ukrainian war?

In 2010, the Yuzivska gas field was discovered in the Donbas, containing enough fuel to power the entire European continent for 60 years. Barack Obama pressed then Ukrainian president, Viktor Yanukovych, to let US… pic.twitter.com/ESoFwW4Fcx

— VertigoPolitix (@Vertigo_Politix) September 14, 2026 

Um outro ponto de vista, também válido e também fraccionário, é defendido por Alexander Mercouris, no vídeo que deixamos na conclusão deste texto, que é de abril do ano passado mas que podia ter sido gravado ontem.

Segundo o polemista greco-britânico, a guerra na Ucrânia funciona em Londres como método de anulação do Brexit e em Bruxelas como motor da agenda leninista-globalista da União Europeia. Se não, vejamos:

– Investir nas forças armadas? Tem que ser, dada ameaça russa.
– Aumentar a dívida pública para criar uma economia de guerra? Tem que ser, por causa de Putin.
– Promover a censura? Tem que ser, para não dar razão ao Kremlin.
– Cancelar eleições? Tem que ser, por causa das interferências de Moscovo.
– Empobrecer as massas? Tem que ser, para destruir a economia da Rússia.
– Destruir a identidade e a cultura dos povos europeus?  Tem que ser, para não seguirmos o exemplo dos russos.

A russofobia serve uma quantidade de objetivos das elites europeias. É por isso que fazem da guerra na Ucrânia uma espécie de último reduto. É por essa fortaleza que estão a fazer passar quase toda a sua agenda.

Um último, que não derradeiro, prisma que podemos usar para perceber a hostilidade do Ocidente em relação à Rússia é que uma guerra nuclear, cenário plausível neste contexto, pode ser vista como uma solução para a definitiva instalação do totalitarismo globalista.

A singularidade desta circunstância é que, talvez pela primeira vez na história universal, um dos lados de uma potencial contenda a provoque mesmo sabendo perfeitamente que não tem qualquer hipótese de a vencer. Em primeiro lugar porque, no contexto de uma guerra convencional, mesmo que assimétrica, a Europa tem tantas hipóteses de derrotar a Rússia como a gazela de caçar a leoa, depois porque uma guerra nuclear, por definição, não tem vencedores. Mas um cenário pós-apocalíptico serve lindamente os objetivos dos líderes europeus, no contexto da agenda globalista que já mencionei.

Seria facílimo criar uma distopia oligárquica e totalitária numa Europa devastada pela guerra. Mesmo sem essa devastação física, a destruição espiritual e cultural já está em marcha há que tempos.

Título, Imagem e Texto: Paulo Hasse Paixão, ContraCultura, 24-9-2026 

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