quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A estratégia para acabar com os rapazes e as raparigas

Pedro Afonso

A agenda política do Bloco é promover a ambiguidade da identidade sexual e considerar normal aquilo que, na maioria dos casos, é patológico, pelo que são muitos os perigos desta aberração legislativa.

Já há muitos anos que tem vindo a ser implementada em Portugal (e também noutros países) uma ideologia que se designa por “ideologia do gênero”. Esta teoria assenta na ideia radical de que os sexos masculinos e femininos não passam de uma construção mental, cabendo à pessoa escolher a sua própria identidade de gênero (já existem identificadas mais de 30!). Trata-se de um movimento cultural com impacto na família, na política, na educação, na comunicação social e que reclama a utilização de uma nova linguagem.

A Assembleia da República discute um projeto-lei do Bloco de Esquerda que permite a mudança de sexo aos 16 anos e, no caso de os pais se oporem a esta ideia, possibilita que os menores possam intentar judicialmente contra estes. A agenda política do BE é a seguinte: promover a ambiguidade da identidade sexual e considerar normal aquilo que, na maioria dos casos, é patológico. Convém alertar as pessoas para os perigos desta aberração legislativa, pois os deputados não sabem de medicina, nem tampouco de psiquiatria. Os casos de perturbação de identidade sexual (disforia de género) são complexos e levam por vezes os jovens ao suicídio, pelo que este assunto deve ser tratado com uma enorme prudência. Considerar que estes casos se resolvem com um pacote legislativo, é uma visão simplista, redutora e perigosa deste problema.


A estratégia por detrás desta mutação social, que agora se pretende implementar pela via legislativa, é fazer crer que a ideologia de gênero é cientificamente correta. As teses desta ideologia são apresentadas como um dado científico consensual e indiscutível, mas isto é absolutamente falso. A natureza tem regras, cabe à ciência compreendê-las e descodificá-las. Portanto, compete à ciência elaborar as teorias que ajudem a desvendar a realidade e não o contrário, como acontece na ideologia do género: elaborou-se uma teoria e para a validar procura-se alterar a realidade.

As consequências deste conflito estão à vista. Nunca como hoje se baralhou e confundiu tanto a mente de crianças e adolescentes. E isto não tem nada a ver com liberdade, mas com uma doutrinação promovida por alguns partidos que se apoderaram ideologicamente do Estado e que desejam proceder à reeducação das massas. Neste contexto, esta proposta legislativa não poderia ser mais tirânica: os pais são expulsos do processo educativo, os psiquiatras e psicólogos são totalmente desvalorizados, sendo-lhes retiradas competências, e os menores passam a ser “propriedade” do Estado que, no plano educativo e legislativo, lhes impõe um novo sistema de valores baseado na ideologia do gênero.

É espantoso assistir-se a uma indolência perante uma ideologia que se entranhou na sociedade como se fosse um dogma de fé. Mas esta ideologia não exprime a verdade da pessoa humana. Trata-se afinal de uma aventura ideológica, inspirada pelo desejo do Homem controlar a natureza; neste caso, o Homem decidiu declarar guerra à natureza.

Na identidade sexual não é sensato defender a supremacia absoluta da dimensão biológica sobre a dimensão psicológica/sociocultural. O ideal é que haja uma harmonia entre ambas, não sendo ético provocar desordens psicopatológicas artificiais, através da difusão de uma ideologia radical destinada a criar um “homem novo”. Considero uma irresponsabilidade que Estado fomente, seja de que forma for, a ambiguidade da identidade sexual dos adolescentes, deixando-os ficar entregues a si próprios, através de um projeto-lei leviano e irresponsável.

Como psiquiatra oponho-me a esta iniciativa legislativa do Bloco de Esquerda, pois ela não respeita a ciência médica. Não podemos permitir que os adolescentes sejam objeto de experiências de engenharia social. É necessário criar condições para que as crianças e os adolescentes possam crescer livres e mentalmente saudáveis, respeitando o direito que os pais têm de dar a formação moral que considerarem melhor para os seus filhos.

Os casos de disforia do género devem ser referenciados para a psiquiatria, de modo a serem acompanhados pelos vários profissionais de saúde competentes, pois as doenças não se tratam por decreto-lei. Além disso, a história ensina-nos que sempre que a medicina se subjugou à ideologia, os resultados foram desastrosos para a humanidade.
Título e Texto: Pedro Afonso, Médico Psiquiatra, Observador, 19-9-2017

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5 comentários:

  1. A foto que ilustra este artigo , é uma das coisas mais feia que já vi em minha vida.
    Fui pesquisar do que trata ,e descobri que é apenas uma mulher que pensa que homem (?). Pobre diabo!
    Menos mal!
    Mas ainda assim a foto é feia.
    Mesmo sendo de uma mãe , com seu filho legitimo.

    Ecaaaa!
    Paizote

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  2. A imagem é feia, é aberrante. Mas ilustra, eloquentemente, o que quer e quais são os objetivos da esquerda militante encastrada em "causas" LGBT e VSV!

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  3. Caro Jim ,
    O que sería causas VSV ,nem o google soube me informar ?
    E , lembrando que existem grupos lgvt (e mais letrinhas) de direita também.
    Existe agora ,pasmem, um grupo lgvt que apoia Bolsonaro .
    E (humor) tem a piadinha na internet sobre os Simpsons, em que a bebê Meg perde o seu balão de elefantinho cor-de-rosa e ele vai parar na janela da sede dos gays republicanos. Eles precisavam encontrar um símbolo para seu comitê “para um presidente gay republicano em 2084”. E, tchan, lá estava o elefantinho cor de rosa surgindo na janela deles.
    Paizote

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    Respostas
    1. Ih, deixo à imaginação do generoso leitor...
      Ali o leitor sentado na 22 A exclamou:
      "Veados Sem Vagina".

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  4. Sobre o acima citado, encontrei na internet e informo link.
    http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,grupo-gays-de-direita-apoia-bolsonaro-e-quer-fim-de-hegemonia-de-esquerda-entre-homossexuais,70001728838]

    Estão misturando "alhos com bugalhos", ideologia com opção sexual , embora eu creia que nem existe opção. Ninguém acorda pela manhã e diz; _ Belo dia hoje ,vou ser homossexual!
    Uns aceitam ,outros adoecem e vivem infelizes para sempre.

    E sobre cura gay , pior que existe!
    Eu conheço um caso , de um colega que foi gay, hoje é um pai de família respeitável, tudo através da fé crista.
    Pastor respeitável em igreja cristã (destas novas!).
    Então gay ou hetero, sendo do bem ,tanto faz ser de direita ou esquerda ou da religião que optar. Desde que respeito o próximo , que dele divergir.
    Só não gosto dos homossexuais que pensam ser de sexo diferente daquele que a natureza os formou.
    Aí é sim...doença.
    Doença mental!
    Pena que na maioria dos casos incurável!
    Paizote

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