sábado, 26 de setembro de 2015

Quadrilhas

José Manuel

"O fim do  Terceiro Reich tem por tema um dos maiores enigmas históricos do século XX. Como explicar a extraordinária coesão da sociedade alemã até ao último minuto? 
Como entender a ausência de revolta, a pusilanimidade, as taxas relativamente baixas de deserção entre as forças armadas e o controle tenaz e renitente do Estado pelo Partido Nazista, à custa de pessoas comuns?" 

Esse é o comentário de contracapa, de Mark Mazower, The Guardian, sobre o livro  "O fim do Terceiro Reich", de Ian Kershaw

Esta semana revi o filme  "Os Caçadores de Obras-Primas" baseado no livro de Robert M. Edsel, do resgate de obras de arte saqueadas pelos nazistas, e tendo entre grandes atores Cate Blanchett, Mat Damon, Bill Murray e George Clooney.
Foram cinco milhões de itens roubados e grande parte resgatados por um grupo do exército americano especializado em obras de arte.

A Alemanha dos anos trinta foi assaltada, nada mais, nada menos, do que por uma quadrilha que ia de simples assassinos a ladrões refinados.
Foi talvez a maior tragédia moderna da humanidade, mas como se pode ver pelo comentário acima de Mark Mazower, o povo alemão não só participou ativamente, como também em nenhum momento se rebelou claramente contra semelhante tirania e covardia.
É realmente um enigma que não conseguimos entender como isso se passa em sociedades modernas.

A Alemanha em 1941 tinha impressionantes noventa milhões de habitantes era uma sociedade moderna, e esse assalto ao país durou de 1933 a 1945, portanto, doze anos. Um fato interessante é que na olimpíada de Berlim em 1936, a bandeira usada no estádio olímpico não foi a alemã e sim a bandeira do nacional-socialismo, partido nazista, tendo a suástica como brasão.
A bandeira de um país dava lugar ao símbolo de um partido e a partir daí todos conhecem a história.


Interessante como as histórias tendem a se repetir e a humanidade não aprende com os seus erros mais grosseiros.

Hoje no Brasil, setenta anos após, em pleno século XXI, de conquistas tecnológicas, quando nunca houve tanta fartura, e comunicações em segundos se fazem, também a bandeira nacional auriverde vem sendo substituída lentamente por movimentos que se auto denominam Bolivarianos com orientação escrita e falada por barbudos vagabundos, nada a ver com as nossas raízes e ostensivamente portam bandeiras vermelhas, também com o brasão estrelado do partido.

Comparativamente, há doze anos nosso país foi assaltado por um outro tipo de quadrilha. Eles não roubam obras de arte, até porque o intelecto não lhes facultou tamanha dádiva. São ladrões mesmo, criados em comunidades carentes e o uso de uma gravata de seda ou uma roupa de marca conhecida é para eles a obra-prima desejada. Suas aspirações mais ardentes são a Disney World, um cabelo acaju, a Quinta Avenida e vários carros importados na garagem.

Para satisfazer esses mimos a si próprios e a toda uma penca de afilhados roubam cada vez mais e se apossam de cargos públicos para continuar a sanha devoradora de divisas do país.
Conseguem colocar de rastro gigantes petrolíferas, fundos de pensão de milhões de pessoas que acreditaram, empresas estatais das mais variadas.
São bilhões de dólares desviados desse patrimônio público para suas contas particulares em paraísos fiscais.

E aí novamente somos obrigados a fazer as mesmas perguntas que Mark Mazower faz.

"Como explicar a extraordinária coesão da sociedade até agora?
Como entender a ausência de revolta, a pusilanimidade, e o controle tenaz e renitente do Estado pelo partido governista, à custa de pessoas comuns?" 

Como entender que um Estado é absolutamente quebrado em doze anos e o povo não vai às ruas ininterruptamente até tirar do poder essa corja que faz o que quer com o povo, sem uma forte contrapartida.

Como entender que o povo permita que o homem que está desvendando essa quadrilha, repatriando milhões roubados, colocando na cadeia os principais ladrões conhecidos, está sendo arbitrariamente afastado de suas prerrogativas pela suprema corte do país, sem que as ruas vejam um movimento sequer de solidariedade a esse herói?"

O primeiro enigma está sendo desvendado pela história e sabemos como tudo terminou.
O segundo é absolutamente indecifrável até ao momento e pode nos jogar num túnel do tempo nada agradável.
Lembrando que hoje nós somos duzentos milhões e estamos longe de ser uma sociedade moderna.
Título e Texto: José Manuel, lendo a história, com atenção. 26-9-2015

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