sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A estratégia dos comentadores

João Miranda   
As sondagens não estão famosas para António Costa. Mas não culpem o homem. O mais provável é as sondagens estarem erradas. Só pode. Costa tem feito tudo o que 90% dos comentadores acha que se deve fazer. Os comentadores acham que Portugal ainda está em recessão, Costa alimenta essa mesma ideia. Os comentadores acham que os números do INE sobre desemprego estão errados, Costa denuncia a aldrabice. Os comentadores acham que o problema da economia portuguesa é falta de consumo interno, Costa aposta no consumo interno. Os comentadores acham que havia uma alternativa, Costa apostou tudo no Syriza. Os comentadores acham que Cavaco foi um mau presidente, Costa lança um candidato presidencial anti-Cavaco. Os comentadores acham que está tudo bem com a Segurança Social, Costa diz que não é preciso reformar nem cortar pensões. Os comentadores acham que o Passos Coelho é a nova incarnação do Diabo que deve ser ostracizado, Costa vem dizer que nunca apoiará um orçamento do Passos nem se coligará com “este PSD”. Os comentadores acham que as sondagens só podem estar erradas e que é impossível a PàF ganhar. Costa faz campanha contra as sondagens com o mesmo tipo de pressuposto.

Há, é claro, excepções entre os comentadores. Por exemplo, Pacheco Pereira acha que Costa não é suficientemente radical e não apela suficiente ao eleitorado de esquerda que odeia o governo. Acha que Costa é demasiado centrista. 
Título e Texto: João Miranda, Blasfémias, 25-9-2015

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