quinta-feira, 17 de março de 2016

O isentão

Vitor Grando

Há os chamados isentões que dizem defender a democracia e por isso se recusam a participar de manifestação pelo impeachment. Insistem eles que defenderão a prisão de Lula e o impeachment de Dilma caso haja provas. Esse raciocínio é uma tolice por uma série de razões.

Em primeiro lugar, isentão, dada a subjetividade que é própria da natureza dessas questões, é muito fácil para um tribunal ignorar ou fazer vista grossa aos indícios de culpa dos acusados. É por isso que a pressão pública se faz essencial. A bandeira não é impeachment a qualquer custo, mas a pressão é para que os tribunais sejam céleres em analisar os fatos e não ignorem os indícios.

Em segundo lugar, eles pensam em prova como a decisão jurídica em última instância, o que é outra tolice sem tamanho. Ninguém precisa da decisão de um tribunal para saber que a Terra é esférica ou que a segunda guerra terminou em 1945. Da mesma forma, não precisamos da decisão de um tribunal para termos provas de que Lula e Dilma são culpados. Os fatos são abundantes.

Ocorre que há todo um devido processo legal a ser seguido para que se julgue e condene um réu. Não é a decisão jurídica que faz a prova, é a prova que faz a decisão jurídica. Por isso, isentão, a prova antecede necessariamente a decisão!

Se depois de todas as evidências que já foram apresentadas, você ainda vem com essa conversa de que "sou favorável ao impeachment caso haja provas" você não é isento coisa nenhuma. Você é conivente com a quadrilha no poder.

Agora, sobre a suposta ilegalidade das gravações tornadas publicas pelo juiz Sérgio Moro, entendam uma coisa, filhinhos, a ilicitude de uma prova quer dizer APENAS que a prova não pode ser usada no tribunal. Caso, então, haja ilicitude no ocorrido, isso em nada invalida o conteúdo das gravações - por Deus! - isso é óbvio.

Se eu grampeio ilegalmente o celular de alguém e, com isso, consigo a confissão detalhada de um crime, isso não torna o crime inexistente; torna tão somente a prova nula.

Portanto, o desvio de função na nomeação do bandido 9Fingers está mais do que comprovada, seja pela cronologia dos fatos, seja pelo vazamento dos áudios. Ah! Lembrem-se do seguinte: caso tais provas sejam nulas e, por isso, não seja procedente o processo de impeachment/prisão ou sei lá o quê, você ainda pode pressionar pela renúncia, sabia? Então para de bancar o isentão e acorda pra realidade!
Texto: Vitor Grando, 17-3-2016

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