terça-feira, 28 de março de 2017

Um dos principais negócios da história da aviação brasileira completa dez anos nesta terça-feira, 28 de março

A venda da Varig para a Gol foi, ao mesmo tempo, a última esperança de sobrevivência da primeira empresa aérea brasileira e um dos passos mais ousados de uma novata na aviação nacional.


A aquisição da Varig foi um passo ousado para a Gol, que chegou ao mercado brasileiro em 2001 com um modelo enxuto de operação, o chamado “baixo custo e baixa tarifa”. Na época, a Gol anunciava a intenção de mandar duas marcas e dois serviços diferentes e via uma oportunidade de avançar no exterior com nome Varig.

A Varig, que tinha 17 aviões e voava para 18 destinos nacionais e internacionais, teria a frota dobrada, como modelos Boeing 737 novos e 767 usados. Meses depois da compra, chegaram os Boeing 767 para retomar as linhas internacionais da Varig. “Era um avião velho, que não foi bem aceito pelo mercado. A compra da Varig não foi um bom negócio para a Gol”, diz Nelson Riet, especialista em aviação e ex-diretor de operações da Varig.

O próprio Constantino de Oliveira Junior admitiu no ano seguinte, em declarações à imprensa, que a empresa errou na escolha do avião. Ele consumia muito combustível e a Gol teve prejuízo com as rotas internacionais. Os voos para Europa e América do Norte foram cancelados em 2008 e a Varig manteve sua operação apenas na América do Sul. Em 2013, a marca saiu de cena completamente, com a aposentadoria dos aviões que levavam sua marca nos voos da Gol.

Constantino de Oliveira Junior, durante coletiva de imprensa de anúncio da compra da Varig
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O CALOTE DO AERUS

Dez anos depois da venda da Varig, aposentados e pensionistas que investiram no fundo de pensão da qual a empresa fazia parte ainda esperam uma definição sobre pagamentos aos quais tinham direito. O Aerus foi criado em 1982 pela Varig, Cruzeiro e Transbrasil. Quando a Varig parou de operar, o fundo, com vários repasses atrasados, não tinha reservas suficientes para pagar os benefícios de todos aqueles que tinham contribuído.

“Pagamos durante toda a nossa vida profissional para o Aerus visando a garantia de uma velhice digna. Entretanto, ficamos numa situação de penúria. ” A frase é do comandante aposentado Zoroastro Ferreira Lima Filho, que tem 86 anos e trabalhou na Varig durante 15. “Foi tudo para o buraco. Sumiram com o dinheiro, a Varig tinha que depositar e não depositava. Depois que ficamos sabendo disso”.

Em 2006, foi decretada a intervenção e liquidação extrajudicial do Aerus. Dessa época até 2014, os aposentados e pensionistas da Varig receberam apenas 8% do valor a que tinham direito por terem contribuído com o fundo de previdência privada. “Foram 8 anos de sofrimento. Muitos não tiveram condição de pagar plano de saúde, comprar medicamentos. Muitos morreram sem ver restabelecido seu dinheiro”, lembra o ex-comandante Lima Filho. Ele começou a contribuir com o Aerus desde a criação do fundo, e se aposentou 4 anos depois.
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Leia aqui o Infográfico de O Globo, 28-3-2017

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