quinta-feira, 22 de outubro de 2015

A longa experiência que não deu certo

Mario Hecksher
O Dicionário de Política (Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino; 5ª edição; Editora UnB) contém um texto de Cesare Pianciola que nos fala o seguinte sobre o Socialismo:

“Em geral, o Socialismo tem sido historicamente definido como programa das classes trabalhadoras, que se foram formando durante a Revolução Industrial. A base comum das múltiplas variantes do Socialismo pode ser identificada na transformação substancial do ordenamento jurídico e econômico, fundado na propriedade privada dos meios de produção e troca, numa organização social na qual:

·     o direito de propriedade seja fortemente limitado;
·      os principais recursos econômicos estejam sob o controle das classes trabalhadoras;
·     a sua gestão tenha por objetivo promover a igualdade social (e não somente jurídica ou política), através da intervenção dos poderes públicos.”
 
Em Kiev, a estátua de Lenin foi derrubada e despedaçada pela população

Foram justamente essas ideias, aparentemente maravilhosas, que fascinaram muitos milhões de pessoas durante o século XX e parece que ainda continuam fascinando outros tantos, principalmente na atrasada América Latina, neste início do século XXI.

Ao longo do tempo, muitos teóricos estudaram as ideias socialistas e as interpretaram com inúmeras variações. Alguns, de espírito revolucionário, procuraram aplica-las, certamente na esperança que seus intentos resolvessem os problemas que observavam na sociedade, supostamente provocados pelo que eles chamaram de Capitalismo, um sistema econômico que teria surgido em consequência da Revolução Industrial. Assim sendo, governos autodenominados socialistas foram estabelecidos em diversos países.

Na aplicação de suas teses, os governos socialistas, geralmente estabelecidos através de revoluções que cerceavam de modo absurdo a liberdade e a vida das pessoas, atacaram fortemente o direito à propriedade privada, principalmente dos meios de produção. Mas jamais colocaram os recursos econômicos, dos quais se apossaram, sob o controle das classes trabalhadoras ou promoveram a tão decantada igualdade social.

Ao contrário, os agentes dos governos estabelecidos passaram a controlar os recursos econômicos, segundo a sua vontade, e a promoção da igualdade social, sempre apregoada pela propaganda governamental, nunca passou de grande embuste.

O resultado final de tudo isto foi sempre o caos econômico. Provas desta afirmação podem ser facilmente extraídas da falência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e da mudança de rumo da China comunista, esta obrigada a abandonar uma economia de molde socialista e adotar princípios capitalistas, para poder se desenvolver.

Portanto, o que se viu e se vê é que o caos econômico, a pobreza e a falta de liberdade se instalam em todos os países que insistem em pautar sua política e sua economia em matrizes socializantes. Mais exemplos de fracassos, pretéritos e atuais, podem ser citados: Coreia, Cuba, Venezuela e Argentina. E não se diga que a culpa destes fracassos é dos Estados Unidos da América, apontado como culpado e vilão desta triste história. Aliás, esta é a grande mentira da propaganda socialista, repetida nos dias atuais até a exaustão.

No início deste século XXI, não cabe mais discutir teorias políticas e econômicas de matriz socialista, porque foi possível observar o desempenho dos governos que as utilizaram durante os últimos 96 anos. Aqueles que têm algum conhecimento, espírito crítico e raciocínio lógico, nada destacam que possa servir de bom exemplo e que mereça ser seguido.

Portanto, o melhor caminho é fechar essas ideias ultrapassadas, que contrariam a lógica e o bom senso, no cofre do esquecimento e buscar outras saídas para resolver os problemas que afligem o mundo.
Hoje, o socialismo é apenas uma longa e trágica experiência que não deu certo!
Título, Imagem e Texto: Mario Hecksher, ABIM, 22-10-2015 
O autor é coronel de Infantaria e Estado-maior do Exército (reformado). É Mestre e Doutor em Estudos, Planejamentos e Aplicações Militares, pelo Departamento de Educação e Cultura do Exército. É Professor Emérito da Escola de Comando e Estado-maior do Exército e professor de Liderança Militar na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN).

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