terça-feira, 5 de setembro de 2017

“Igreja em saída” ou “Igreja de saída”?

FratresInUnum.com

Desde que foi eleito, Papa Francisco se propôs a dar uma guinada radical nas direções pastorais da Igreja, um “giro copernicano” que se poderia muito bem resumir naquele que tem sido o horizonte mesmo da missão jesuítica a partir do Pe. Pedro Arrupe: não mais salvar as almas, mas salvar o planeta, salvar o mundo, numa verdadeira inversão – da transcendência para a imanência.

À esquerda, Jornada pela Vida na Praça de São Pedro, em 2007. À direita, a Jornada de 2017


Essa nova dinâmica pastoral foi bem sintetizada por Francisco naquela expressão paradigmática que passou a ser reverberada por toda a hierarquia: agora nós somos uma “Igreja em saída”.

Mas, perguntamo-nos, saída para onde?

O Papa reinante quer levar a cabo as suas reformas, mas, para isso, conta com um clero apático. E esta apatia foi gerada – nada mais, nada menos que – pelas mesmas reformas que ele deseja implementar.

Não fossem essas ideologias progressistas, os padres católicos estariam, como há tempos, ocupados com a salvação das almas. Mas, se não há mundo a ser salvo e, ao contrário, há uma Igreja que precisa se adaptar à moral vigente no ocidente em franca decadência, não há mais sentido em consagrar a própria vida para fazer o mesmo que qualquer ONG pode fazer.

Olhando para a realidade do clero, o que vemos? Padres estressadíssimos por causa de uma agenda diocesana repleta de reuniões inúteis, nervosos por causa das pressões dos bispos sempre atentos às exorbitantes taxas econômicas com as quais enriquecem as suas cúrias e ciosos de sua própria autoridade episcopal, pressionados pelas elites de urubus que compõem o laicato apegado aos seus cargos em paróquias e pastorais, doentes, que acabam desenvolvendo problemas psiquiátricos como a depressão, obesos ou mesmo vítimas de outros vícios, motivados pela ansiedade não tratada, chegando, em números nunca divulgados, aos extremos do enlouquecimento e do suicídio…

De fato, estamos em saída para onde? Para o cemitério? Para as clínicas psiquiátricas?…

Quem serão os missionários que levarão adiante a caricatura de misericórdia às periferias do mundo? Esses professores dos institutos de teologia, que defendem a “opção preferencial pelos pobres”, mas cuja única opção preferencial é retirar seu ordenado no fim do mês para gastá-lo em restaurantes luxuosos, em férias no exterior ou em diversões, digamos, pouco ortodoxas? Esses padres modernistas não se sacrificam, não se imolam, não aguentam sequer ouvir confissões… Como suportarão saírem de seu conforto para irem aos últimos dos últimos?

Essa “igreja pobre e para os pobres” de Francisco é apenas um slogan e permanecerá assim para sempre. Os pioneiros da Teologia da Libertação, pelo menos, eram pastores formados segundo uma mentalidade antiga, tinham uma paternidade entranhada na alma. Eram incrédulos, mas atraíam os outros e se doavam. Eram incrédulos sinceros. Já os progressistas atuais são a pior vergonha do progressismo. Os que defendem Francisco são a expressão mais acabada do fracasso de um modelo de Igreja que não deu certo e não dará.

Querem dar os sacramentos para quem os despreza. A “Igreja em saída”, em seus discursos e em sua atuação, em sua autoaniquilação e esfacelamento, é o oposto de uma “Igreja em entrada”.

Acordem, senhores. Este delírio é perigoso! Alguém tem notícias de um surto de conversões na Europa ou em algum outro lugar do mundo? Suas Igrejas estão mais cheias e com fieis mais fervorosos desde que entronizaram este papa?

“Padre, o Sr. pode me atender?”. “Não, querido. Estou de saída”. Quem nunca ouviu essa desculpa?… E é assim que a Igreja de Francisco, de “Igreja em saída” se tornou e sempre será uma “Igreja de saída”. 
Título, Imagem e Texto: FratresInUnum.com, 5-9-2017

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