quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Omissão da imprensa no caso da agressão ao MBL é jornalisticamente criminosa

Os comandos das respectivas redações estão cochilando, podem acreditar. Há um outro país nascendo nas ruas, e eles não estão vendo. (Estão vendo sim, só não é o que eles gostariam de ver. Daí, ignoram)

Reinaldo Azevedo

Sigo indignado com a duplicidade moral de boa parte da imprensa e de muitos ditos coleguinhas. Ora, vocês cansaram de ler colunas de falsos democratas vituperando contra cartazes que pedem a intervenção militar no Brasil. Bem, eu também me oponho a essa gente. Jamais a abrigaria intelectual ou politicamente só porque crítica do governo Dilma.

E que se note: os que pregam essa tolice são uma absoluta minoria entre os que pedem o impeachment de Dilma. Nota à margem: o Movimento Brasil Livre literalmente expulsou do acampamento um grupelho que apareceu por lá com essa proposta. Não foi notícia.

Nesta quarta, obedecendo a uma convocação de Sibá Machado (AC), líder do PT na Câmara, Guilherme Boulos e João Pedro Stedile convocaram seus fascistas para cercar e espancar os jovens do MBL e do Vem Pra Rua. Sim, tratou-se de uma joint-venture: as camisetas que vestiam eram do MTST, e os militantes, do MST, oriundos de Planaltina, no Distrito Federal.

A cobertura da imprensa, na média, foi nojenta, asquerosa mesmo, como se nada houvesse acontecido. Como sempre, cumpre indagar o que se teria dito se fosse o contrário: imaginem um acampamento com 50 esquerdistas, reivindicando isso ou aquilo, cercado por adversários contrários à esquerda — nem precisariam ser de direita… Seria um caos, um deus-nos-acuda. Alguém logo falaria em escalada fascista. Os mais ousados lembrariam o espancamento de atores que representavam a peça Roda-viva, no dia 9 de novembro de 1968…

Como os que apanharam são apenas um grupo de jovens assumidamente liberais, ora bolas!, por que eles não podem apanhar um pouco? Como se sabe, a história confere aos esquerdistas o monopólio da porrada, e cumpre a seus adversários sofrer calados. Uns sabem por que batem; outros, por que apanham.

Raramente vi comportamento tão vergonhoso, e os poucos que deram destaque a algo tão grave ainda tentaram caracterizar tudo com um empate moral. Não! Não era, não!

O MBL está na área com autorização das Mesas da Câmara e do Senado. Não ocupou aquele espaço para bater, depredar, incendiar…

A reação fria da imprensa chega a ser criminosa. Vejam um vídeo do MBL que está no YouTube, reiterando que Sibá é líder do PT na Câmara, não do governo.

Os comandos das redações estão cochilando, podem acreditar. Há um outro país nascendo nas ruas, e eles não estão vendo. A decadência em curso, ou já prenunciada, de alguns veículos não decorre de revoluções tecnológicas ou sei lá o quê. É que a imprensa está insistindo em ser porta-voz de grupelhos de pressão, orientados ideologicamente à esquerda.

Ninguém precisa concordar com o Movimento Brasil Livre para dar ao ocorrido a devida gravidade. Basta apenas concordar com os pressupostos da democracia.

E reitero: a omissão é ainda mais dolosa porque o MBL resistiu pacificamente, sem dar um único soco, um único tapa, um único chute.
Título e Texto: Reinaldo Azevedo, VEJA, 29-10-2015

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Um comentário:

  1. Não dá para ler tudo que esse boçal rolabosta escreve.
    Ele não tem ética e é muito partidarizado.
    Um coitado.

    .John Jahnes.
    John Jahnes

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