domingo, 29 de maio de 2016

O triste fim de Olavo de Carvalho: de mãos dadas com o PT, também o mascate da paranoia ataca o impeachment

O VV, Vampiro da Virgínia, não deixa de ser um homem notável. Já foi professor de astrologia, o que significa que era capaz de convencer os seus “alunos” de que o Sol girava em torno da Terra. Não só. Poucos conhecem o seu passado de adepto do islamismo místico de René Guénon, uma aberração intelectual. Mas calma! Antes disso tudo, alinhou-se entre os admiradores de Carlos Marighella — sim, o autor do “Minimanual do Guerrilheiro Urbano”

Reinaldo Azevedo

Olavo de Carvalho resolveu se juntar à extrema-esquerda e aos petistas e também ele acha agora que o impeachment é um golpe, aplicado, no caso, pelo “estamento burocrático”, expressão de que a literatura política de esquerda usa e abusa e que os abduzidos do professor repetem por aí sem saber o que significa. Olavo já não consegue esconder: quer Dilma de volta ao Palácio do Planalto. Mas traveste o seu desejo com o manto de uma suposta “revolução”. O celerado, agora, adotou a tese da democracia plebiscitária, que é o que Lula e o PT sempre tentaram implementar no Brasil desde que chegaram ao poder. Vejam a imagem abaixo. Volto ao ponto mais tarde. Antes, algumas considerações.




O VV, Vampiro da Virgínia, não deixa de ser um homem notável. Já foi professor de astrologia, o que significa que era capaz de convencer os seus “alunos” de que o Sol girava em torno da Terra. Não só. Poucos conhecem o seu passado de adepto do islamismo místico de René Guénon, uma aberração intelectual. Mas calma! Antes disso tudo, alinhou-se entre os admiradores de Carlos Marighella — sim, o autor do “Minimanual do Guerrilheiro Urbano”. Vai ver é por isso que, hoje em dia, tanto a extrema-direita como a extrema-esquerda se juntam nas redes sociais para vociferar contra o impeachment.

Então ficamos assim: Olavo já foi astrólogo e hoje em dia acha que isso tudo é bobagem. Já foi um islamista da vertente mais autoritária e mística e, claro!, hoje faz profissão de fé contra o Islã. Já foi comunista da turma do Marighella, o terrorista, e hoje se vende como um anticomunista radical.  Não importa a loucura que tenha abraçado, sempre conseguiu arregimentar seguidores. É preciso ser um farsante competente. Independentemente da picaretagem a que se dedique, sempre há alguém que aceita pagar as suas contas. Faz tempo que não tem um trabalho regular e vive de “doações”.

Ah, claro! Olavo era um admirador de Reinaldo Azevedo, com elogios em textos públicos e e-mails privados. Eu o mantinha a uma prudente distância porque percebia que, como diria Machado, o grão da loucura, nele, era bem maior do que o do talento. Nunca fui “discípulo” seu, é evidente! Quando o conheci, já tinha régua e compasso.

Dia desses, alguém resolveu dizer que tentei impedir que publicasse seus textos na BRAVO!, da qual fui redator-chefe. É mentira! A revista tinha um diretor de Redação. E eu sou disciplinado. Assim como sempre fiz o que quis nas revistas que dirigi, aceito que diretores tomem as decisões nos veículos que dirigem. Quando não gosto do que fazem, peço demissão.

Aconteceu, sim, de, nas férias do diretor, eu ter deixado de publicar um ensaio seu porque trazia uma metáfora detestável, inaceitável sob qualquer aspecto, sobre professoras — sim, especificamente sobre professoras, mulheres. Eu o convidei a cortar o trecho. Ele se negou. Então deixei de publicar o artigo. Quando mando, mando. Se não, não. Nem vou entrar no detalhe do que escreveu porque é uma daquelas baixarias de que só ele é capaz em seus surtos. Basta dizer que associava a militância política das mulheres ao molestamento sexual paterno. Olavo pode ser abjeto, como todos sabem.
Este senhor resolveu me eleger como um dos seus inimigos, sem mais nem aquela, do nada, de 2015 para cá, especialmente a partir do momento em que o MBL (Movimento Brasil Livre), num magnífico rasgo de lucidez, decidiu se distinguir de forma clara e inequívoca dos militantes do “aiatoloavismo”. Aiatolavo – ex-mariguella, ex-astrólogo, ex-islamista — cismou que havia chegado a hora de os militares botarem ordem no Brasil. Ele e seus delinquentes intelectuais passaram a defender um golpe de estado saneador, um período de “limpeza” da política e, depois, a volta da democracia…

Felizmente, os moços e as moças do Movimento Brasil Livre perceberam quão estúpido era esse pensamento. Mantenho interlocução com o MBL e outros grupos, mas, já disse mais de uma vez, não sou guru de ninguém. Olavo meteu naquela cabeça doentia que eu roubei os seus pupilos, como se estivéssemos disputando almas. Pra começo de conversa, o movimento nada lhe devia.

Guru do insucesso

O impeachment veio. Na contramão da “estratégia” de Olavo. E isso só aconteceu porque ele estava errado. O bicho ficou furioso. A verdade é que esse esbirro do PT não queria a deposição de Dilma. Ele se alimenta do insucesso dos que lutam contra a esquerda. A exemplo de toda religião finalista, é preciso que o mal triunfe para que os escolhidos se salvem. E os “alunos” de Olavo o veem como um resgatador de almas.

Ele se torna o porto seguro de seus abduzidos flagrados em pecado. Isso explica que consiga reunir, por exemplo, tantos homossexuais homofóbicos entre seus fiéis. Olavo consegue convencê-los de que são aberrações morais, ainda que seres da natureza (como ele é generoso!), e se oferece como o seu guia num mundo de suposta contenção e rigor intelectual, que os tiraria da rota viciosa. Tornam-se suas presas fáceis.

Outros buscam no “mestre” e no “professor” se livrar da penúria. No geral, são candidatos malsucedidos a pensadores e intelectuais. Não conseguem se estabelecer no mercado das ideias ou numa profissão que cobre talento e criatividade. Precisam achar culpados por sua vida acanhada. Que tal a grande conspiração das esquerdas, que teria vitimado até o próprio Olavo?

O “professor” criou, assim, a ascese do fracasso. Quanto mais o sujeito quebra a cara e é ignorado em ambientes em que gostaria de brilhar, mais vê comprovada a teoria de que esse mundão só dá oportunidade aos medíocres e recusa os verdadeiros gênios, entenderam?
Olavo consegue convencer os incompetentes de que são apenas injustiçados.

Loucura maior

Mandam-me um tuíte do maluco em que ele tenta justificar a suja parceria com o PT e com a extrema-esquerda. Dados os vazamentos das gravações de Sérgio Machado  — que não arranham nem a Lava Jato nem o impeachment —, lá vem o VV a afirmar que Dilma e o PT não são os problemas, mas “ toda a classe política, o estamento burocrático”. Ora, quem duvida que a “classe política” seja um problema? A questão é outra: os que queríamos o impeachment deveríamos ou não ter atuado em parceria com ela? Lá da Virgínia, Olavo queria e quer ver a população invadindo palácios. Ele e o Guilherme Boulos.

Mas isso não é a coisa mais estúpida do texto em que volta a me atacar — e ao MBL… Olavo quer o que chama de “período de democracia plebiscitária”, em que “o povo tome diretamente todas as decisões”. Olavo quer um Comitê de Salvação Pública… Quer ser o nosso Robespierre.

Leiam esta frase de 2007: “Eu acho que, na democracia, é assim: a gente submete aquilo que a gente acredita ao povo, e o povo decide, e a gente acata o resultado. Porque, senão, não é democracia”. Seu autor é Luiz Inácio Lula da Silva. Naquele ano, com a popularidade nas alturas, Lula e os petistas reivindicavam que o Poder Executivo tivesse a prerrogativa de convocar plebiscitos. Um dos entusiastas da ideia era Fábio Konder Comparato, que pertence à fina flor do “direito petista”.

Vá propor às esquerdas uma democracia plebiscitária. É claro que elas vão dizer “sim”. É a tese defendida por… Olavo de Carvalho. Não há nada de curioso nisso. Os dois extremos acham que podem convencer o povo com seus argumentos infalíveis e só sabem falar a linguagem da guerra e do confronto. É bem verdade que o máximo que o incendiário Olavo de Carvalho consegue fazer é acender os próprios cigarros. Enquanto pede uma graninha por seus “cursos”. O rigor intelectual com que ele se comporta no impeachment parece dizer bastante sobre a qualidade da filosofia que pratica.

É um triste fim esse de Olavo. Ele não se conforma que o petismo tenha sido apeado do poder e que isso tenha se dado na contramão das bobagens que ele escrevia. Abraçado ao seu rancor e à sua impotência, resta-lhe o alinhamento com as esquerdas, que agora têm nele uma referência: “Se o guru da direita está dizendo, então…”. Ocorre que Olavo não é guru de porcaria nenhuma, exceção feita aos trouxas que lhe dão uma graninha.

Nas suas ofensas dirigidas a mim, Olavo diz que eu sei bem o que estou fazendo, sugerindo que participo de alguma conspiração. Bem, o falso paranoico — inventa teorias para arrumar clientes — se construiu alimentando a paranoia alheia. À diferença de Olavo, trabalho muito. Não teria tempo de conspirar nem que quisesse. Em parte, no entanto, ele tem razão: sei bem o que faço. Estimulei e estimulo o tempo inteiro a luta política, nos marcos da democracia. Olavo queria e quer um golpe. Ele e os bocós que ainda não conseguiram se libertar do jugo do ex-astrólogo, do ex-islamista, ex-comunista e hoje neopetista.

Olavo está doido para ver Dilma subir a rampa: “Eu bem que avisei! Culpa do Reinaldo Azevedo! Culpa do MBL! Comprem meus cursos! Ajudem este mascate da paranoia a viver sem trabalhar!”. 
Título, Imagem e Texto: Reinaldo Azevedo, VEJA, 29-5-2016

Um comentário:

  1. Dilma não volta.
    O foco dos movimentos contra Dilma, Lula e PT ultimamente ganharam novo adversário, que é o deputado Wadih Damous do PT-RJ.
    Este senhor apresentou dois Projetos na Câmara Federal que são contrários à Operação LavaJato (exemplo PL 4372/2016). Sendo, como é, contrário as investigações da LavaJato, é contra o povo brasileiro, é contra a população carioca e fluminense.
    Eleitores do Estado do Rio de Janeiro anotem este nome, Wadih Damous, para negar-lhe voto nas eleições de 2016 e 2018, e daí por diante.
    O povo brasileiro está com o Juiz Sérgio Moro.
    ANTONIO AUGUSTO.

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