quinta-feira, 23 de março de 2017

Dijsselbloem, o Presidente do Eurogrupo que não convém à Ibéria

Maria Teixeira Alves

O presidente do Eurogrupo, no Verão do ano passado, foi um defensor de que Portugal e Espanha deviam ser multados no âmbito do Procedimento por Défices Excessivos referente ao défice de 2015 (ultrapassado por causa da Resolução ao Banif no fim do ano). A Comissão Europeia na altura optou por suspender a multa aos dois países, mas contra a vontade do ministro holandês. 

"É decepcionante que não haja seguimento da conclusão de que Espanha e Portugal não tomaram ações eficazes para consolidar os seus orçamentos", referia na altura, Jeroen Dijsselbloem, que deixou sempre claro que, "apesar de todos os esforços realizados, Espanha e Portugal ainda estão em perigo".

Como se sabe o mandato do presidente do Eurogrupo acaba em janeiro de 2018, e Luís Guindos (espanhol) está a tentar ser o sucessor. 

Isto porque Dijsselbloem (socialista) não vai ser reconduzido como ministro das Finanças no seu país, dada a derrota histórica do seu partido (PvdA) nas eleições da passada quarta-feira.

Ora para Portugal há nova ameaça de sanções desta vez por desequilíbrios macroeconómicos excessivos. 

Serve isto tudo para contextualizar a reação à entrevista do presidente do Eurogrupo que usou uma metáfora (que se pode apelidar de infeliz), mas que foi convertida pela imprensa numa acusação.

O que disse Dijsselbloem?

"Tornamo-nos previsíveis quando nos comportamos de forma consequente e o pacto no seio da zona euro baseia-se em confiança. Na crise do euro, os países do norte da zona euro mostraram-se solidários para com os países em crise. Como socialdemocrata, considero a solidariedade da maior importância. Porém, quem a exige também tem obrigações. Eu não posso gastar o meu dinheiro todo em aguardente e mulheres e pedir-lhe de seguida a sua ajuda. Este princípio é válido a nível pessoal, local, nacional e até a nível europeu", respondeu Jeroen Dijsselbloem quando o jornalista do "Frankfurter Allgemeine Zeitung" (FAZ) o confrontava com o entendimento do ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, relativamente ao rigor com que a Comissão Europeia e a UE em geral devem observar as regras em vigor.

O mundo mudou as palavras do holandês e transformou a metáfora numa acusação aos países da Europa do Sul de que gastavam tudo em mulheres e álcool e depois iam pedir ajuda.

Esta interpretação motivou uma reação (exagerada e grotesca) do primeiro-ministro português que rapidamente insultou o ministro holandês (sem qualquer metáfora) dizendo: 

Dijsselbloem "tem uma visão xenófoba, racista e sexista" sobre parte da Europa e "numa Europa a sério, o senhor Dijsselbloem a esta hora já estava demitido".

Claro que a fúria de Costa não colheu (a sua maior frustração é não mandar nas instituições da Europa, mas não manda e como tal não correram com o Dijsselbloem).

Os espanhóis, mais interessados no lugar de Dijsselbloem foram mais "polite" e pedem apenas que se retrate publicamente do que disse.

Reparem em como é tratado o assunto num jornal espanhol (El País):
El ministro español Luis de Guindos, que peleó por el puesto de jefe del Eurogrupo hace dos años y sigue con esa idea rondando su cabeza —pese a que en público se descarta—, ha vuelto a tachar de "desafortunadas" esas declaraciones y ha insistido en que Dijsselbloem debería arrepentirse. "Las declaraciones me parecen desafortunadas desde el punto de vista de la forma y del fondo" , ha expresado en los pasillos del Congreso.

Como veem, os insultos e pedidos de demissão agressivos só mesmo de Portugal e de Itália (que também está lá com um problemazito com os bancos). 
Título e Texto: Maria Teixeira Alves, Corta-fitas, 22-3-2017

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