domingo, 3 de setembro de 2017

O desastre social na era Dilma

Surgem dados que comprovam a manipulação de indicadores pelo lulopetismo

O Estado de S. Paulo

Já estava claro que a reeleição de Dilma Rousseff em 2014 se baseara em discursos mentirosos e informações fraudadas, pois as condições de vida da população se deterioravam. O impeachment retirou do poder aquela que o ocupava com base numa vitória eleitoral conquistada por meio de uma campanha mentirosa. Mas só agora surgem dados consistentes, e baseados em estatísticas oficiais, que comprovam a inescrupulosa manipulação de indicadores econômicos e sociais pelo lulopetismo para permanecer no poder.

Desde 2013 a sociedade brasileira, sobretudo sua parcela mais vulnerável, vinha sendo sacrificada pelos erros e pelas aventuras da política econômica petista. A deterioração social se acentuou no ano seguinte, justamente aquele em que Dilma foi reeleita, e prosseguiu ao longo de seu segundo mandato, como mostra o Atlas da Vulnerabilidade Social, a plataforma de indicadores sociais que acaba de ser lançada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

É notória, no estudo, a perda de velocidade do processo de redução da vulnerabilidade social no Brasil nos cinco anos completos em que Dilma ocupou a Presidência da República (de 2011 a 2015). Construído pelo Ipea com base em 16 indicadores classificados em 3 dimensões (infraestrutura urbana, capital humano e renda/trabalho), o Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) mostrou acentuada queda entre 2000 e 2010, mas essa tendência de redução perdeu ritmo na era Dilma. Alguns indicadores pioraram notavelmente. De 2014 para 2015, o IVS subiu de 0,243 para 0,248.

“Olhando de 2014 para 2015, os resultados do IVS apontam para um momento de inflexão”, diz a coordenadora técnica do Atlas, Bárbara Oliveira Marguti. “Nesse momento, há aumento de 2% da vulnerabilidade social no País, indicando que a tendência de queda dos últimos 14 anos pode estar estagnada.”

É muito provável, de fato, que, em razão do aprofundamento da recessão daí em diante, novos estudos do Ipea venham a mostrar que outros indicadores também pioraram nos dois anos seguintes, dando a real dimensão da herança maldita do lulopetismo no campo social.

No período 2000-2010, cujos dados são baseados nos censos demográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IVS caiu anualmente à média de 2,7%, o que permitiu que, pelos critérios de avaliação do Ipea, a vulnerabilidade social do País caísse de média para muito baixa. Entre 2011 e 2015 – para os quais se utilizaram dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), também do IBGE –, a média de redução anual do IVS caiu para 1,75%, quase um ponto porcentual menos do que a média dos 11 anos anteriores. Assim, a vulnerabilidade aumentou.

O fator que mais afetou a variação do IVS no período analisado pelo Ipea foi o relativo ao mercado de trabalho, que é composto de diversos indicadores. De 2000 a 2010, o IVS de renda e trabalho caiu cerca de 34%, o que resultou na redução média anual de cerca de 3,4%. Entre 2011 e 2015, caiu apenas 3,3%, à média de 0,8% por ano. Mas, de 2013 a 2015, esse indicador piorou 10,8%. De acordo com os dados compilados pelo Ipea, o IVS de renda e trabalho ficou estagnado entre 2013 e 2014. Era a clara indicação de que a crise já afetava a população no período que antecedeu a reeleição de Dilma. O índice aumentou bruscamente em 2015, primeiro ano do segundo mandato da ex-presidente.

O IVS é um indicador abrangente das condições de vida da população. As disponibilidades de infraestrutura urbana são aferidas como base em extensão dos sistemas de coleta de lixo e de saneamento básico, além do tempo de deslocamento entre residência e trabalho. O indicador de capital humano é baseado em dados como mortalidade infantil, escolaridade, analfabetismo e situação familiar. Já o de renda e trabalho, além da situação do mercado de trabalho, avalia também a qualidade do trabalho. Por isso, o IVS dos primeiros anos pós-lulopetismo deverá ser tão ruim quanto o dos últimos da era Dilma, ou pior. 
Título e Texto: Editorial, Estado de S. Paulo, 3-9-2017

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