segunda-feira, 27 de março de 2017

[Aparecido rasga o verbo] Torturas no matadouro

Aparecido Raimundo de Souza

Gente, pelo amor de Deus. Estão querendo matar nossos animais de estimação, especificamente os que estão prestando relevantes serviços à pátria, lá no Senado Federal e na Câmara. Não podemos deixar que nossos oitenta e um malandros da melhor espécie sejam assim assassinados brutalmente.  Afinal de contas, eles, coitados, vivem de trabalhos “onestos”, quais sejam, surrupiarem até à exaustão, os coitadinhos do Zés Carentes.

Percebam que fazem leis e as aprovam, para se beneficiarem a si mesmos. Paralelo ao lado das caras porcas sustentam projetos que beneficiam a todos nós, os Manés integrantes dessa sociedade sem manchas, sem deformidades, sem borbulhas e desabonos.

Nossos homens, amadas e amados, são os melhores e mais cristalinos arquétipos de transparências sem precedentes para que o mundo inteiro se volte, e querendo, se espelhem em nossos atos de bravura, nos copiando como um exemplo indubitável de probidade acima de qualquer suspeita.

Notem, senhoras e senhores que os oitenta e um membros nunca nos deixaram nas mãos. Ou a ver navios onde só existia mar aberto. Os elegantes, os impolutos, estão sempre do nosso lado, nos defendendo com unhas e dentes. Jamais usaram seus poderes para promoverem a bel-prazer, aquele expediente conhecido por oportunismo sem eira nem beira.

Mesma coisa na Câmara. Temos naquela porra, aquartelados, mamando, em nossos colhões, dia e noite, quinhentos e treze filhos da puta, igualmente lutando, pelejando, dando o cu, perdão, amigos e amigas, dando o sangue para que todos nós, pobres e humildes, fodidos e descamisados, assalariados e sem teto, tenhamos dias melhores e possamos criar nossos filhos com dignidade. Afinal de contas, nosso querido rincão faz parte de uma confederação igual (ou melhor) que o da Suíça e, atentem, caros leitores, com uma constituição de 1874. 

Igual trilhar, mantermos nossas famílias e fazermos desse Brasil, um país de TOLOS. O Brasil desde 1500, quando foi descoberto, se tornou um PAÍS DE TOLOS. Perguntarão os senhores: quem seriam os tolos?! Precisamos realmente responder a essa indagação? A coisa é muito simples.  Basta que cada um de nós se olhe no espelho de nossa consciência, na hora em que formos fazer a barba ou dar um jeito nos cabelos.  

De qualquer forma, não podemos, por essas e outras razões, deixar que meia dúzia de covardes, pilantras, safados e picaretas acabe com a porca vergonha (desculpem...) com a pouca-vergonha que é Brasília. Os de língua solta, os sem noção, os Mários e Joaquinas apelidaram o Planalto Central de puteiro. O que é isso, meu povo?! Brasília, como a bandeira e seu lema positivista “Desordem e retrocesso”, o Hino Nacional, e outras quinquilharias nada têm a ver com puteiro.

Pelo contrário, Brasília é uma linda latrina cheia de merdas a céu aberto, com sua Torre de Televisão, legando a quem quiser se dar ao trabalho de descortinar, se defrontar com vistas maravilhosas. Temos também o majestoso Lago Paranoá, a “Exporrada dos Ministérios”, a Ponte Juscelino Kubriuochek (que estava sem fundos, mas Juscelino resgatu o borrachudo), Praça dos Três “Podreres”, Catedral Metropolitana, Templo da Boa Vontade, Estádio Mané Relincha, Templo Budista da Terra Pura, (onde só entram os cândidos e níveos) sem mencionarmos os palácios intocáveis, Itamaraty, Planalto e Alvorada, onde qualquer da ralé tem livre acesso, bastando, para tanto, apresentar a carteirinha de cidadão brasileiro provando ter mais de cento e vinte anos.

Outro dia, o ilustre chefe da nação, doutor Michel Jacson Temer nos convidou (e a nossa família), para irmos almoçar no Palácio Janucú. Janucú ou Jaburu, nos falha a memória agora, em face da empolgação do convite. Não pudemos comparecer. Uma pena!

Queríamos aproveitar para darmos uma volta pelas águas tranquilas e mansas do lago Paranoá, aboletados na Chavascana (mil perdões, amados, na Chalana) do deputado Wilder Morais, aquele palacete flutuante onde o sinistro Alexandre de Morais deu explicações (numa sabatina informal) antes de assumir a vaga no STF (Supremo Tribunal das Falcatruas) tapando, tamponando ou tampando, o buraco, do antigo ocupante relator da Lava Gatos, Terroriza a Vasp.

Como é do saber geral, Terroriza a Vasp (só para lembrar) faleceu de morte morrida (ou seria de morte matada??!!) em Paraty, no longínquo e distante dezenove de janeiro desse ano, em face do avião em que viajava (um bimotor King Air C90GT Prefixo PR-SOM) ter sido mordido por um macaco contaminado, e, via de consequência, acometido da maldita febre amarela. 

Já que (o estripador??!!), desculpem, de novo, uma vez que mencionamos o fatídico jatinho do ministro, Brasília para quem não sabe, é um imenso aeroplano (possivelmente, pelo ano em que foi fundada, 1960, um DC-10, antigo, aquela aeronave em que subiam cinco pessoas a bordo, e, logo em seguida, desciam dez.

Talvez um Foker 100, adaptado depois para um Boeing 737-300 pousado em direção a um futuro eminentemente promissor, com alternativas de voos infinitas podendo ser abastecido nos aeródromos em rotas que cortem as fogueiras alvissareiras dos quintos do inferno.

Não decolou, ainda, o imenso asa de ferro, do solo Candanguense, em face do piloto experimentadíssimo, por sinal, um profissional de alto gabarito e ponta, um nobre que atende pelo nome de Miguel Piroca ter metido o cacete no seu indestrutível Jato Avro Regional Jet 85 com as cores da LaMia e jogado o infeliz no meio do mato sem uma gota de combustível para sobreviver.

Infelizmente, em face dessa tragédia, agora o Jet 85, não mia mais, nem Lá, nem Cá. Falecido mortalmente quando fazia uma viagem fretada de Santa Cruz de La Sierra com destino a Medellín, Miguel Piroca aproveitou para se foder na Colômbia, juntamente com toda a delegação da Chapecoense. E pasmem, amigos, levou junto, de roldão, o coitado do Jet 85.

Resumindo, senhoras e senhores, não podemos deixar que nossos emissários, dito de outra forma, nossos homens de fé, de caráter inabalável, de coração aberto, verdadeiros pais que nos abrigam, que nos dão carinho e amor, sejam tratados como animais quadrúpedes prontos para serem abatidos. Vamos unir nossas forças.

Necessitamos promover para que tal hecatombe não aconteça, uma imensa passeata (nas dimensões das realizadas pelas galeras do LGBT (Logo Ganharemos Brasília no Tapa), em direção ao poleiro, nosso querido paraíso, Brasília, indubitavelmente o berço das grandes indecisões internacionais). Precisamos mais, proteger nossos mandatários, nossos senadores, nossos deputados, nosso governador, e, claro, nosso idolatrado e auspicioso presidente.

Vamos à Brasília. Um país paralelo e inconsequente dentro desse Brasil de meu Deus. Como o Vaticano dentro de Roma, onde quem manda e dita as ordens é o papa. Voemos para Brasília, com panelaços, apitaços, buzinaços, caralhaços, bocetaços, enfim, senhoras e senhores, precisamos, sem mais delongas, nos unirmos, em força total, com paus, pedras, estilingues, metralhadoras, revolverezinhos de brinquedo dos nossos filhos, para defendermos a “onra” a moral, os brios, as virtudes e as castidades dos nossos argutos e maquiavélicos políticos. 

Sem eles, amadas e amados, estamos manietados. Sem eles, o país não anda. Capenga, se torna aleijado, coxo, manquitola. Para que isso não aconteça, saltemos adiante, meu povo. Brasília, o prostíbulo dos corvos e urubus infames, nos espera.  Vamos salvar os nossos melhores ladrões, para que continuem a nos roubar.    
     
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Título e texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista. De Interlagos, São Paulo – diretamente do “Lollapalooza”, 27-3-2017

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