sexta-feira, 7 de abril de 2017

Afinal, julgam que o homem falava do quê?

Rui A.

Só por ingenuidade ou ignorância se pode imaginar que a ordem internacional é anárquica, não no sentido de que, muitas vezes, possa ser confusa e imprevisível, mas que funciona harmoniosamente sem poderes tutelares. Pelo contrário, ela é o campo mais propício à monopolização do poder e da força, chamando-se esses monopólios «impérios». Como todos sabemos, a História está cheia deles, e quando um desaparece foi porque um outro o aniquilou. A ordem internacional é competitiva. Mas, decididamente, não é anárquica.

Foi isso que sucedeu em 1989, com a queda do Muro de Berlim, com o princípio do fim da União Soviética e da Guerra Fria: o mundo bipolar em que vivemos durante décadas terminou com o fim do império soviético e a emersão monopolista do do império americano,

A «pax americana» em que desde então vivemos terá vantagens e inconvenientes, mas tem certamente custos, goste-se ou não. Um deles é que quem desafia o império, mais tarde ou mais cedo, de uma forma ou de outra, tem que levar. E compreende-se, porque essa é a lógica de todo o poder monopolista. E, num mundo difícil e perigoso, não é possível ao «polícia do mundo» admitir faltas de respeito sucessivas, como o fez Sadam Hussein, por exemplo, que, não satisfeito com a coça que apanhou na primeira guerra do Golfo, mas tendo-o deixado no lugar, continuou a desafiar o império e, ainda por cima, o herdeiro do ceptro daquele que, por sua causa, abandonou prematuramente o lugar. Tinha que levar. E levou.


É neste contexto que Donald Trump deve ser lido e que qualquer outra interpretação sobre o seu governo será sempre ingénua ou maldosa. Trump está sentado no trono do mundo e não pode permitir que se ultrapassem certos limites. Sob pena de lhe perderem o respeito e, o império, a respeitabilidade. Ia acontecendo com Obama e com Putin, não acontecerá com ele. Afinal de contas, quando o homem lançou o slogan de campanha «Make America Great Again», acham que estava a pensar em quê?
Título, Imagem e Texto: Rui A., Blasfémias, 7-4-2017

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