quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

O país das maravilhas

Rui A.

Por que é que Portugal não passa da cepa torta? Porque é um país profundamente reacionário, que vive do passado, onde se tem medo do risco, da inovação e da concorrência e onde quase todos procuram um cantinho de proteção política para manter enclausurado o seu pequeno tesouro, negando-o aos outros. Portugal é, foi e será um país imensamente salazarista. O «viver habitualmente», de António de Oliveira Salazar, a lição que nos deu da «dona de casa» prudente e cautelosa, o seu paradigmático exemplo pessoal de uma modéstia sem aparente ambição, os privilégios que criou, ou permitiu que se criassem, a inquilinos, a partilha do mercado por alguns industriais e banqueiros, as dificuldades criadas a quem queria ir para e investir em África, tudo isso, em suma, corresponde ao genuíno ADN lusitano.

Melhor do que ninguém, Salazar conhecia isto e quem por cá vive, razão pela qual se aguentou quarenta anos no poder. Em Portugal, «small is beautiful», é só para nós e mais ninguém. E tudo que arrisque crescer é invejosa e corporativamente abatido. Feita por anões mentais, como não poderia a «lei» defender outra coisa que não fosse a nossa gloriosa pequenez? E, no fim de contas, se vivemos, de há muito, à pala da União Europeia, por que raio devemos partilhar com outros os privilégios que tanto nos custaram alcançar? 
Título, Imagem (Primeira) e Texto: Rui A., Blasfémias, 5-12-2017

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