Conheçam, em poucas linhas, mais essa história de um homem inocente, condenado a 14 anos de prisão (inclusive por “organização criminosa ARMADA”) por causa de um PIX de 500 reais.
Uma República é feita de direitos iguais para todos ou não tem República.
Só um País domesticado, que perdeu completamente o senso republicano, é incapaz de perceber o elemento absurdo em tudo isso. Alcides Hahn [foto], assim como outros pequenos empresários, condenados do mesmo jeito, não cometeu crime nenhum. Não foi a Brasília, não quebrou nada, não tentou dar nenhum golpe. Ele é apenas parte de uma multidão amarrada por um conceito. O crime-conceito. O delito que não precisa de objetividade ou enquadramento a nenhum tipo penal específico. Precisa apenas de uma fundamentação. De um “entendimento” bem-amarrado. E está tudo ok. “Individualmente”, leio em uma matéria, “Hahn não cometeu nenhum delito”, mas fazia parte da “multidão”.
A multidão criminosa, autora da “trama golpista”, o grande crime “multitudinário”. A gordura parece escorrer de cada uma dessas palavras. E me faz lembrar da frase que um dia escutei de um velho professor: nada é mais difícil de refutar do que uma ideia absurda. E aqui, diria: um processo absurdo. Alcides não tem foro privilegiado, deveria ser julgado na primeira instância, com direito a recursos? Irrelevante. Não teve sua conduta individualizada? Irrelevante. Não tinha a intenção de dar golpe nenhum? Irrelevante. Uma vez dado o conceito, mesmo um pequeno comerciante de uma cidade pacata do interior e seu Pix de 500 reais ganham status de “associação criminosa armada”, um dos crimes pelo qual foi condenado. Simplesmente não há como refutar uma coisa dessas.
A história toda me lembrou do filósofo italiano Giorgio Agamben e sua tese sobre o “estado de exceção”. Muito do que se passa no Brasil refere-se exatamente a isto. A esta zona cinzenta entre o que é legal e o que é meramente político. Ou ainda: entre o que é “ilegal”, mas que por efeito de alguma necessidade ou razão de Estado, definida pelo próprio poder, se converte em “perfeitamente jurídico e constitucional”. É tudo que vivemos, no Brasil dos últimos anos. Um inquérito que nasce de modo “heterodoxo”, em 2019, e se desdobra, indefinidamente. O universo dos direitos individuais não mais delimitados pela regra escrita, mas oscilando, ao gosto do poder, sobre camadas opacas de “interpretações” e “entendimentos”.
Na prática, vamos convir, ninguém dá bola. Diante do absurdo, observamos alguma indignação, por aí. E a vida segue. O Sr. Hahn é apenas o exemplo bem-acabado de um tipo que criamos, no País dos anos recentes: os brasileiros irrelevantes. Brasileiros sem pedigree, sem história, sem “retórica”. E por óbvio, sem poder algum. Pessoas que tem seus direitos claramente violados, mas que desaparecem em meio à guerra política e nossa mais completa falta de empatia. Muitos enxergam seu drama como uma vitória da democracia. Meu velho professor tinha razão. É realmente difícil, se não impossível, refutar uma ideia como esta.
Autor: Fernando Schüler, publicado em Estadão
Título: Flávio Bolsonaro, X, 5-4-2026,
12h56
OPINIÃO | FERNANDO SCHÜLER: 'O que a história do empresário condenado a 14 anos por Pix de R$ 500 pode nos ensinar sobre o Brasil' 🔗 https://t.co/cm4KMKJQOx
— Estadão 🗞️ (@Estadao) April 4, 2026
O colunista analisa condenação de pessoas envolvidas, direta ou indiretamente, nos atos de Atos de 8 de janeiro pic.twitter.com/PxMjxJK0pW


Estava lendo a denúncia da PGR contra os empresários que pagaram um valor de transporte aos manifestantes do 8/1.
ResponderExcluirÉ uma infinidade de absurdos, mas esse trecho específico é algo inexplicável:
"A Polícia Federal, apesar de não ter localizado diálogos firmados pelo denunciado, em razão da omissão de dados, atestou que a ausência de mensagens no período das manifestações antidemocráticas pode indicar a omissão intencional de informações."
Nem Satanás seria tão demoníaco.
Thaís Oyama pergunta "por que Moraes não é investigado?" e diz que a resposta curta é porque Paulo Gonet não quis.
ResponderExcluirObjetivamente, a resposta é mais simples: militantes de redação passaram os últimos SETE ANOS justificando a montanha de arbitrariedades promovidas pelo ministro, transformando-as em atos heroicos pela "defesa da democracia".
O Brasil jamais cairia num estado de exceção, com censura e prisões políticas em massa, não fosse o papel da "imprensa profissional".
A MÁSCARA CAIU: Cláudio Dantas Revela o Caos Interno no STF e o Fim da Linha para Moraes! 💣🔥
ResponderExcluirCláudio Dantas soltou a bomba que vai abalar as estruturas de Brasília. Fontes diretas de dentro do STF confirmam: o consenso pelo IMPEACHMENT de Alexandre de Moraes já é realidade entre seus próprios colegas.
O diagnóstico interno é devastador: "fora de controle" e "psicopata". O sistema não aguenta mais a própria criatura. O vídeo é curto, mas o impacto é de uma ogiva nuclear.
Quando um Senador, que relata a CPI que investiga o crime organizado, declara que a mais alta corte do país está impedindo a investigação contra o crime, chegamos ao mais baixo nível que uma república pode chegar.
ResponderExcluirOu se reinicia o Brasil, ou não haverá mais Brasil para reiniciar.