André Villas-Boas garante que o Clube também vai agir contra “alguns comentadores que claramente ultrapassaram os limites da liberdade de expressão”
“O FC Porto vai ser implacável
com o Sporting, com a calúnia e com os atentados ao seu bom nome, não só por
parte do Sporting, como também por parte de alguns comentadores da comunicação
social que claramente ultrapassaram os limites da liberdade de expressão”. A
garantia foi deixada por André Villas-Boas no final da reunião com a Ministra
da Cultura, Juventude e Desporto, durante a qual se falou “sobre cones, bolas e
toalhas”, algo “absolutamente raro e patético, tal como é raro e patético o
comunicado do Sporting”.
“É lamentável esta vitimização permanente do Sporting obrigar a Ministra da
Cultura, da Juventude e do Desporto a ter uma reunião sobre um caso como este”,
afirmou o presidente do FC Porto, que compreende as frustrações do homólogo
sportinguista, “principalmente quando no seu próprio estádio há adeptos que
lançam garrafas de vidro contra as cabeças dos árbitros, quando há jogadores
que assumem que um árbitro é ladrão e quando há quebra dos regulamentos da Liga
para adiar um jogo de futebol”.
Depois de revelar que as imagens de videovigilância do Dragão Arena mostram que
“houve vários jogadores do Sporting a gozarem com a situação”, André
Villas-Boas sublinhou que “o Sporting quer desviar o caso do jogo contra o CD
Tondela para um pouco mais tarde, por isso tenta empolar outros casos e vem
aqui fazer as figurinhas que fez, que são lamentáveis em toda linha” e deixou
uma garantia: “Não posso permitir que durante o decurso das épocas haja um
presidente que é permanentemente incendiário relativamente a Conselhos de
Arbitragem, relativamente às instituições, relativamente a clubes de futebol,
relativamente às pessoas, com ataques pessoais que foram claros e bárbaros
dirigidos à minha pessoa.
Eu fui treinador de futebol e não tenho problemas em
viver com isso, mas não posso permitir que suje o nome do FC Porto à vontade e
é isso que faz o presidente do Sporting.”
A audiência com a Ministra
“Não houve garantia nenhuma. O FC Porto veio prestar esclarecimentos sobre os
alegados incidentes que o Sporting alegou no seu comunicado. O FC Porto está
absolutamente tranquilo relativamente a todos os factos e isso que fizemos
passar à Ministra. Promovemos uma auditoria interna e externa extensa, bem
documentada, desde o momento em que a porta do balneário é fechada, após um
treino de uma das nossas equipas de hóquei em patins, até ao momento em que a
porta é aberta para receber o Sporting.
Temos tudo muito bem documentado, o
nosso Diretor de Segurança viu horas e horas de CCTV e estão excluídas
quaisquer prevaricações com produtos de limpeza tóxicos. Tudo seguiu o seu
procedimento normal. Está também excluído qualquer ato de sabotagem interna ou
externa, mesmo que fosse por parte do Sporting. Viemos aqui para poderem ter a
documentação toda, não vá passar-se o carnaval que se passou nos últimos dois
dias.
O FC Porto está muito bem documentado, há vários jogadores do Sporting
que entram e saem do balneário mediante as indicações do nosso Diretor de
Segurança, bem como o treinador Ricardo Costa, que está a 40 segundos dentro do
balneário, até que bastante mais tarde acaba por se sentir mal com as tensões
altas. Para nós, FC Porto, custa muito ver um Dragão de Ouro prostrado no chão
e deitado com sintomas de tensões altas num clássico e desejamos-lhe as
melhoras para que rapidamente se encontre em condições de dirigir o Sporting
nas competições nacionais e internacionais.”
O inquérito do Ministério Público
“Para nós é um conforto absoluto que tenha sido aberto um inquérito por parte
do Ministério Público, porque os factos, as imagens e os documentos que o FC
Porto tem são muito óbvios, desde os relatórios médicos ao auto da polícia,
porque o único auto que é levantado é referente à agressão do Martim Costa a um
adepto do FC Porto.
A própria polícia já se manifestou relativamente a este
incidente e não há nada de anormal nas condições que o FC Porto deu ao Sporting
para se equipar tanto naquele balneário como noutro que o Sporting refutou.
Nós
estamos absolutamente tranquilos. A única coisa que lhe quero dizer é que,
provados todos os fatos e terminando com um arquivo por parte do Ministério
Público, como seguramente acontecerá, o FC Porto vai ser implacável com o
Sporting, com a calúnia e com os atentados ao seu bom nome, não só por parte do
Sporting, como também por parte de alguns comentadores da comunicação social
que claramente ultrapassaram os limites da liberdade de expressão.”
As queixas do Sporting
“As únicas coisa que posso enviar ao presidente do Sporting são umas novas
capas dos jornais, um novo conjunto de bolas, um novo conjunto de cones e um
novo conjunto de toalhas. Eu não sei o que é que o presidente do Sporting tem
contra o FC Porto. É muito raro que se venha discutir com a Ministra da
Cultura, Juventude e Desporto um incidente que para o Sporting era gravíssimo,
e que era uma investigação da criminalidade do FC Porto, que vemos transformado
numa conversa sobre cones, bolas e toalhas.
Vir a reunir com a Ministra da
Cultura, da Juventude e do Desporto sobre cones, bolas e toalhas é
absolutamente raro e patético, tal como é raro e patético o comunicado do
Sporting, que refere a palavra andebol apenas uma vez e tenta levar este
incidente para uma reunião com o Governo e para outros casos que nada têm a ver
com o mesmo. Neste caso específico o FC Porto está muito bem documentado.”
Tensões altas e glicemia baixa
“Sim, houve pessoas a sentirem-se mal. Uma estava com as tensões altas e outra
com a glicemia baixa. Este é o relatório médio que o FC Porto recebeu e a que
tem acesso como promotor. Ao jogador Christian Moga foi dado um copo de água
com açúcar e teve alta no momento. O treinador Ricardo Costa estava com as
tensões altas e teve alta no local.
Nenhum elemento do Sporting foi
hospitalizado e houve vários membros do Sporting a entrar e sair daquele
balneário sem qualquer problema. Tanto quanto sei, por parte do meu Diretor de
Segurança, houve vários jogadores do Sporting a gozarem com a situação.
O
Sporting tentou fazer um aproveitamento, tal como fez um aproveitamento das
capas dos jornais quando foi jogar ao Dragão. E é lamentável esta vitimização
permanente do Sporting obrigar a Ministra da Cultura, da Juventude e do
Desporto a ter uma reunião sobre um caso como este.”
As frustrações de Varandas
“Eu compreendo as frustrações do presidente do Sporting, principalmente quando
no seu próprio estádio há adeptos que lançam garrafas de vidro contra as
cabeças dos árbitros, quando há jogadores que assumem que um árbitro é ladrão e
quando há quebra dos regulamentos da Liga para adiar um jogo de futebol.
Eu
compreendo todas as frustrações e tentativas de mudar narrativas. Como houve um
período de pausa para os jogos da seleção, o Sporting quer desviar o caso do
jogo contra o CD Tondela para um pouco mais tarde, por isso tenta empolar
outros casos e vem aqui fazer as figurinhas que fez, que são lamentáveis em
toda linha, obrigando a Ministra da Cultura e da Juventude e do Desporto a
reunir com os presidentes de dois clubes sobre um caso em que o FC Porto tem
provas irrefutáveis. Sendo arquivada por parte do Ministério Público a sua
investigação, o FC Porto será implacável com o Sporting por ter posto o seu bom
nome em casa.”
O clima no desporto nacional
“Esse foi o ponto principal da reunião com a Ministra, e eu já fiz a minha
parte nesse sentido. Eu tomei posse como presidente do FC Porto com o objetivo
de promover um maior diálogo entre os três grandes. O único a tentar fui eu.
Agora, não posso permitir que durante o decurso das épocas haja um presidente
que é permanentemente incendiário relativamente a Conselhos de Arbitragem,
relativamente às instituições, relativamente a clubes de futebol, relativamente
às pessoas, com ataques pessoais que foram claros e bárbaros dirigidos à minha
pessoa. Eu fui treinador de futebol e não tenho problemas em viver com isso,
mas não posso permitir que suje o nome do FC Porto à vontade e é isso que faz o
presidente do Sporting.”
Relações com os rivais
“Se há capacidade de entendimento entre os três grandes? Possivelmente, mas era
preciso baixar o tom da comunicação, que se tivesse mais noção do que se está a
dizer, que se tivesse plena consciência dos seus próprios atos e dos seus
próprios erros, em vez de vir permanentemente acusar os outros. Tudo isto é
possível e eu já fiz a minha parte.
Provavelmente será em reuniões com a
Ministra ou com os presidentes das federações, como esteve aqui o presidente da
Federação de Andebol, que se poderá apaziguar os ânimos. Agora, isto tudo faz
parte de rivalidades históricas entre o FC Porto, o Sporting, o Benfica e dos
outros clubes que compõem a Liga. Estamos no campo das emoções e no campo dos
comportamentos viscerais.
Para nós, presidentes de clubes, custa-nos muito
quando extravasamos muito mais do que as emoções e quando ultrapassamos
determinados campos, que não queremos fazer. Eu já cumpri a minha parte.”
Declarações ofensivas
“O presidente do Sporting tem de ter consciência do que diz. Ou é normal as
reações e o estado alterado do presidente do Sporting após o Sporting-FC Porto,
quando chamou o presidente de uma instituição de covarde e mentiroso? Isto
passa na cabeça de alguém?”
Varandas pediu desculpa
“Numa das reuniões que tivemos na Federação Portuguesa de Futebol,
pós-desentendimento entre os clubes grandes, se pudermos chamar assim, o
presidente do Sporting veio pedir-me desculpa. À frente da comunicação social,
não é capaz de o fazer, mas depois, no frente a frente, pede-me desculpa pelas
suas declarações. As desculpas foram aceites, mas rapidamente voltou a
quebrar outra vez.”
Ainda o pedido de desculpas de Varandas
“Quando fomos reunir com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol,
relativamente às apostas desportivas e às apostas desportivas internacionais.
Pediu desculpa pelas suas constantes e inflamadas declarações à comunicação
social. Essa foi a última vez que estivemos frente a frente e que falámos sobre
o tema. Eu não posso fazer mais o meu papel.”
Vitimização constante
“Neste momento, compreendo que haja uma necessidade de apaziguar os ânimos e a
excitação de alguns, mas não posso viver permanentemente nas vitimizações do
Sporting Clube de Portugal sobre determinados assuntos e sobre determinados
desportos.
Portanto, o presidente do Sporting será encaminhado para outra zona,
porque eu não tenho nenhum prazer em sentá-lo ao meu lado e nem ele tem nenhum
prazer em sentar-se ao meu lado. Possivelmente todos temos que dar outra
imagem, portanto assumo que possa haver caminho para um apaziguamento.”
Os balneários do estádio
“Nós somos o promotor do evento, temos a nossa organização e cumprimos com
todos os perímetros de segurança. Agora, se o Sporting leva a mal capas dos
jornais que estão instaladas no balneário do visitante há imenso tempo e se o
Sporting leva a mal os produtos de limpeza que nós usamos para limpar os
balneários, eu não posso fazer nada senão registar a vitimização permanente de
um clube desportivo relativamente a estes episódios.”
Um spa para os visitantes
“O nosso objetivo no próximo jogo para a Taça é construir um spa para bem
receber o Sporting, com camas em condições, com a qualidade dos lençóis que
eles precisam, com umas toalhas de veludo para serem mais fofinhas. Isto são as
rivalidades históricas do futebol português. Há limites, mas os limites não são
roubar toalhas. Se o presidente do Sporting está preocupado em roubar toalhas,
o que eu lhe digo é que tenha cuidado com as garrafas de vidro que voam no seu
estádio e atingem as cabeças dos árbitros, que tenha cuidado com os seus
jogadores de futebol que dizem que os árbitros são ladrões e que tenha cuidado
com as suas próprias declarações quando diz que os presidentes das Federações
estavam a mando dos presidentes dos clubes há 40 anos.
Isto não é tudo muito
mais grave do que cones, bolas e toalhas e reuniões com a Ministra? O
presidente do Sporting tem de cair na real, acalmar-se um pouco e ambos temos
de reconhecer que é necessário apaziguar o ambiente do futebol português, sendo
que há rivalidades históricas que vivem nestes campos emocionais.”
O prémio Calimero do Ano
“Tem de ser o Correio da Manhã a atribuí-lo.”
O adiamento do Sporting-CD Tondela
“Não é quem está a mentir. Há uma regra que é incumprida para se cumprir uma
lei que não é obrigatória cumprir, que é a lei das 72 horas. E, se quiserem,
podem fazer um estudo aprofundado de quantos jogos já foram disputados sem ter
as 72 horas de intervalo. Não se pode incumprir outra regra que é regulamentar
do quadro de competições. É isso que é grave.”
As regras são para cumprir
“O presidente da Liga tem uma interpretação dos regulamentos que nós não temos.
Por isso é que há divergências e nós pedimos clarificações, que a Liga que nos
está a passar. A partir daqui temos uma disputa na interpretação desses
regulamentos, porque para nós há uma quebra dos regulamentos e para a Liga
obviamente não, porque tem de fazer a sua própria defesa. Acresce a isto tudo,
que o Sporting não está a jogar na primeira data disponível, que é precisamente
1 de abril. Portanto, em condições normais o Sporting hoje deveria estar a
jogar com o Tondela.”
Alheios ao ruído
“A equipa está protegida de todo este ruído. Isto é um caso específico
relativamente ao jogo de andebol. O FC Porto está muito bem documentado. Não
lhe posso negar que tínhamos medo de uma sabotagem externa neste caso, mas
também não me parece o caso, pelo que me transmite o diretor de segurança. O
próprio Sporting também não tem nada a ver com isto.
Nós estávamos com
problemas também que pudesse ser uma sabotagem interna, mas isso também está
totalmente posto de parte. A mesma empresa que sempre limpou os balneários do
Dragão passou-nos as declarações de conformidade relativamente à limpeza e aos
produtos. Aquele balneário não voltou a ser tocado depois de ter sido limpo no
dia anterior.”
As tensões altas de Rosa Pontes
“A delegada tem um histórico de tensões altas e isso está no relatório da FIA,
que está à nossa disposição, porque somos o promotor. Portanto, a partir desse
momento, eu não posso controlar as emoções das pessoas relativamente a este
caso.”
Focados nos objetivos
“Entramos todos numa fase decisiva do campeonato, em que qualquer uma das
equipas tem aspirações para o título, seja o FC Porto, o Sporting ou o Benfica.
Portanto, são momentos decisivos para qualquer um dos clubes.
Ainda há muito
campeonato a jogar, o FC Porto quer manter-se focado.
Temos um jogo muito
difícil com o Famalicão, que é quarto classificado e que quer manter-se nessa
posição, portanto vai ser um jogo bastante complicado contra uma equipa que
está em crescendo, que joga bom futebol, é bem treinada e tem bons jogadores. A
partir daí nós vemos cada desafio passo a passo e temos ainda as nossas
ambições próprias na Liga Europa e na Taça de Portugal.”
A conversa com Margarida Balseiro Lopes
“A Ministra transmite as suas preocupações. Não pode controlar o que é que são
as retóricas comunicacionais dos clubes, dos seus presidentes, nem o que
andamos a fazer.”
O alvo predileto da comunicação social
“Acho que, sobretudo, nós temos a capacidade de reconhecer que temos um papel
maior na sociedade e no campo do desporto com os nossos posicionamentos
comunicacionais. Eu sou o presidente do FC Porto e há canais que não deixam de
insultar permanentemente, com diferentes jornalistas, o presidente do FC Porto.
Tive a oportunidade de falar hoje com o Mário Ferreira relativamente a este
caso e o FC Porto não pode ser a chacota nem o saco de boxe de todos os canais
e meios de comunicação social.
A partir do momento em que se fechar este
episódio e este caso for arquivado, como virá a ser, nós temos de ser
implacáveis com todas as pessoas que prevaricaram com o nome do FC Porto.
Não
podemos estar constantemente a ser o saco de pancada dos meios de comunicação
social a reboque de falsas narrativas do Sporting e do seu presidente, porque
uma das coisas para que o diretor de segurança me chamou à atenção
relativamente às imagens, foi para o facto de o diretor das modalidades do
Sporting estar a tirar fotografias às pessoas prostradas no chão.
Quando uma
pessoa está prostrada no chão, temos de ajudar imediatamente, não vamos andar a
passar fotografias para determinados meios de comunicação social e todos do
mesmo grupo, nem andar a fazer carnaval acerca deste assunto.
É um assunto
grave, foi tratado na hora, as pessoas tiveram alta na hora e o diretor das
modalidades do Sporting andava entretido a fazer filmes e a mandar fotografias
para determinados órgãos de comunicação social. Se vocês acham isto um
comportamento normal…
E depois disso, toda a parafernália de comentários
inaceitáveis para com o FC e inaceitáveis para comigo, relativamente a
incidentes que as pessoas não fazem a mínima ideia de o que é que se passou,
nem estão documentadas para tal. Para nós é um orgulho enorme que o Ministério
Público siga o seu inquérito. O FC Porto está muito bem documentado com
documentos e imagens relativamente a este caso e depois seremos implacáveis com
o Sporting.”
Título e Texto: FC Porto, 1-4-2026, 19h06

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