quarta-feira, 22 de abril de 2026

Lula em Portugal: honra a mais e vergonha a menos

No que toca a Portugal, as acusações do Chega de que o sr. Lula é “corrupto e ladrão” interessam pouco. Mas a devoção do sr. Lula por tudo o que é regime sanguinário, os esforços para transformar o Brasil numa ditadura e, sobretudo, as críticas à “xenofobia” e ao “terrível” colonialismo dos portugueses deviam merecer dos nossos estadistas alguma atenção.

Não mereceram: perante o sr. Lula, os drs. Montenegro e Seguro derreteram-se em salamaleques.

É bom percebermos que os nossos representantes têm prioridades, e que a defesa de Portugal face a enxovalhos não é uma delas.

Alberto Gonçalves 

Ideias Feitas na Rádio Observador com Alberto Gonçalves.

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões. 

Olá, Alberto, bem-vindo. 

Olá, Ricardo, boa tarde. 

E hoje queres ir à visita de Lula da Silva. 

Salve seja.

É, mas ele hoje está por cá. O senhor Lula é como aqueles cantores da MPB, da Música Popular Brasileira, que por acaso o apoiam quase todos, ou praticamente todos, seja por convicção ideológica ou interesse nos subsídios da famosa Lei Rouanet.

Mas ele vem a Portugal. É como os cantores vêm a Portugal tantas vezes, ou pelo menos ao longo dos anos aparece por aí tantas vezes que uma pessoa já quase nem repara. Sei lá, o Caetano Veloso é capaz de estar aí a dar uns concertos, e acho que sim, e uma pessoa já não faz disso grande assunto. E com o senhor Lula acontece o mesmo.

O Chega reparou, por acaso, que ele estava por cá, o senhor Lula, não os cantores. E parece que organizou uma manifestação à qual se juntou André Ventura e na qual André Ventura chamou ao presidente do Brasil corrupto e ladrão, que eu acho que no que toca a Portugal, são duas características particularmente irrelevantes. E de qualquer maneira, é um resumo algo diminuto do currículo do homem.

O senhor Lula é muito mais do que isso. É, desde logo, um crítico do Ocidente, com a originalidade de não esgotar as críticas, como é costume noutros críticos do Ocidente, não esgotar as críticas nos Estados Unidos e em Israel, claro.

O senhor Lula também estende as críticas a Portugal, não apenas no que respeita a uma alegada xenofobia contra os brasileiros, que segundo ele, nós expressamos. Mas, e já por diversas vezes, a última das quais ainda há pouco tempo, porque segundo ele, Portugal é culpado pelo atraso e a pobreza do Brasil.

Ele falou da questão do facto de a primeira universidade no Brasil ter sido só inaugurada já no século XX, e comparou com outros países da América do Sul.

Independentemente das opiniões de cada um, o facto de o senhor Lula presidir ao Brasil é de facto um indício muito forte de que os portugueses não terão feito um trabalho excecional na colonização do Brasil.

E se calhar, também é por causa do péssimo colonialismo que o senhor Lula, além de falar português como fala, mostra igualmente alguma confusão com o conceito de democracia no discurso.

Ele acha a democracia uma coisa linda na prática, mas passa-se exatamente o oposto, porque por um lado, o senhor Lula, como toda a gente sabe, é um entusiasta aliado e simpatizante e amigo de ditaduras como a russa, como a iraniana, de todas as ditaduras da América Latina e de mais algumas que ele consiga encontrar. É só pôr no mapa à frente que ele lá descobrirá qualquer coisa.

E por outro lado, tem-se empenhado como nenhum outro chefe de Estado desde o general Figueiredo, para transformar o próprio Brasil numa ditadura em que o poder judicial, escudado no poder executivo, persegue e silencia cidadãos por delito de opinião, a que o senhor Lula chama desinformação, ou fake news, ou discurso de extrema-direita e, claro, discurso de ódio. Já os processos e as prisões decretados pelo juiz, é um senhor Alexandre de Moraes, no Brasil é bastante mais conhecido do que cá, a isso o senhor Lula chama defesa da democracia.

E é possível que muitos não saibam, mas no Brasil atual são milhares os casos de contas nas redes sociais fechadas por criticarem o governo.

Há pessoas perseguidas judicial e profissionalmente, há pessoas presas e há pessoas que para não serem perseguidas ou presas fugiram do país.

Eu não conheço um só caso de um brasileiro tratado oficialmente assim por motivos políticos em Portugal.

Vai-se a ver e o senhor Lula trata pior os brasileiros do que estes são tratados pelos portugueses mais xenófobos e mais racistas. E a propósito de racismo, até foi o senhor Lula que assumidamente impediu que uma campanha que pretendia divulgar o Brasil, acho que numa feira agrícola alemã ou coisa que o valha, há uns 20 e poucos anos, portanto durante a sua primeira passagem pela presidência, ele impediu que essa campanha incluísse a fotografia de um homem negro, porque disse que isso não representava o Brasil, que era preconceituoso.

E é este senhor Lula que passou hoje por Portugal e que foi hoje recebido pelo nosso Presidente da República e pelo nosso Primeiro-Ministro.

O doutor Montenegro declarou-se muito honrado e embora eu não tenha tido notícias sobre o almoço em Belém, tenho a certeza de que o doutor Seguro também terá carregado nos salamaleques.

E tenho uma certeza ainda maior: nenhum deles, nem o doutor Seguro, nem o doutor Montenegro, terá ousado retorquir as críticas do senhor Lula ou beliscar a suscetibilidade do senhor Lula. E para acabar, é bom percebermos que os nossos representantes têm prioridades e percebermos em simultâneo que a defesa de Portugal face a enxovalhos não é uma dessas prioridades. 

Obrigado, Alberto. E até amanhã. Um abraço. 

Até amanhã. Um grande abraço, Ricardo.


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