Aparecido Raimundo de Souza
Ninguém segura o
infeliz nascido no pardieiro, perdão, na zona rural de Cacetés, (Cacetés não,
Caetés) no garabulhento agreste Pernanbu”cu”, notadamente quando ele resolve
abrir a boca em seus improvisos ante desempolgadas plateias. O degradante, é
que a nação “inteirra” (de inteirrado) terá pela frente, se essa desgraça
continuar no foder, perdão, no poder, se ganhar as próximas eleições, a galera
sofrida terá muita diversão ao ouvir discursos recheados de metáforas,
eufemismos e extemporâneas cagadas, perdão, piadas.
O filho mais Apapudado
(variante de papuda) que por sorte de algum santo malandro nos moldes de
Voudecarro, se livrou de passar um tempo bastante expressivo por lá, obviamente
se valendo da sua “aveia” tribunícia latente. Por conta, o “cabra” disporá, sem
dúvida, de concorridos ouvintes, “companheiros” de lutas e pelejas, esses e
estes, sempre prontos a ouvi-lo, fale o imberbe o que peidar pelo comedor de
lavagem.
São ossos de um
punhado de orifícios cagadores atentos e sempre prontos a escutá-lo e
aplaudi-lo. Há quem diga que discursar é ciência. Prefiro acreditar do alto dos
meus setenta e três, essa balela toda ser arte e, como tal, pairar na dimensão
de um bom livro ou no enlevo de acordes musicais capazes de separar o espírito
do corpo. O aplauso à fala presidencial, pelo menos entre nós, (brasileiros sem
um pingo de visão de futuro) é dissimulado e não corresponde à verdade. Faz
parte do ritual em solenidades do gênero o louvor fácil e o riso contido de
graças sem graça.
Para um “presidiariodente” (mil perdões) para um presidente loquaz que, além de escorregar no vernáculo, fala pelos cotovelos, um lembrete: “em boca fechada não entra mosca, nem sai”, leciona um provérbio antigo, se não me engano, citado no livro da lavra de Leon Eliachar, “O homem ao quadrado”. Se, de fato, a oratória é uma arte, a artista precisa ser quem gosta de fazer uso da palavra. Todo cu-i-da-do-é-porco, (o certo é pouco) portanto, ao se exprimir pela voz a públicos exigentes, deveria ter outra conotação.
É sabido, não é de
hoje, quem fala o que quer, ouve o que não quer, se expondo ao julgamento
público. “O poder da palavra, na boca de quem sabe usa-la — como bem escreveu
Mark Twain em suas divagações espirituosas enfaixadas no livro “As aventuras de
Tom Sawyer”, é capaz de proezas inimagináveis. Derruba governos, passa
rasteira, dá chapéu em cobra, promove revoluções, cria religiões, faz guerras
e, também, suga mentiras de verdades sedimentadas, ou vice-versa, transformando
vilões em heróis, entre outras tresloucadas artimanhas.
Para o tal do Tom,
nada é impossível. Ao mau uso dela, no entanto o deboche e o descrédito
respondem. Nessa sintonia, a aridez de sofríveis oradores é uma realidade, o
que não impede, absolutamente, os aventureiros da palavra fazerem uso dela na
cena política brasileira e empurrar para a barriga da raia miúda vociferando
“culhões” cheios de bobagens. O resultado não é outro senão transformar o
“discurso em suplício”, uma arte menor, desfigurada e renegada pelos ouvintes.
E todos continuam a
falar sem dizer porra nenhuma. A verdade é que a evolução humana se deve à
palavra e, em parte, a decisões importante que nasceram a vigor de discursos
bem fundamentados. Da Antiguidade ao mundo contemporâneo, palavras certas, no
momento oportuno, deram outro curso à história. Dizem, à língua solta, que
“sangue, suor e lágrimas”, pronunciado por Churchill, na Câmara dos Comuns,
deferiu a II Grande Guerra em favor dos aliados.
Sobre o primeiro
ministro inglês, alguns de seus discursos ele os burilava durante semanas, até
meses. “O bom discurso precisa ser cuidadosa e trabalhosamente elaborado” —
dizia o tribuno Cícero, arrematando que o imaginoso improviso só é possível
como parte de um dossiê bem engendrado”. Ai, senhoras e senhores, nesse ponto é
que entra o Mula (me perdoem pela gafe, pelo Lula). Em tempos idos, o ministro
Luiz Dulci era o cara que escrevia os discursos desse esquisitão, certamente
respirando fundo quando o texto virava improviso. A palavra presidencial deve
ser revestida de solenidade, e mais que isso, distanciada, apartada de pretensa
vaidade oratória, só porque conselheiros dizem, falam e escrevem a linguagem
solapada do povão.
Assim e assado, a
verdade é que a política brasileira continua em descompasso com a realidade e
com as promessas de campanha de Sula da Silva. Inexequíveis na essência e na
forma, a esperança em um novo tempo de justiça social esmorece, se fode de
verde amarelo e perde a força. O volume de problemas é crescente e está em toda
parte, enquanto Estado, perdido na falta de objetividade, patina na utopia.
Atentem para um detalhe, senhoras e senhores. Parece que o destino do
brasileiro é mesmo conviver no acostamento social, cultuando suas crendices, já
que permanecer com o desconhecido pelo menos conforta “vivificantemente” a
alma.
Título e Texto:
Aparecido Raimundo de Souza, de Conceição do Castelo, no Espírito Santo,
10-4-2026
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