sexta-feira, 10 de abril de 2026

[Aparecido rasga o verbo] Os eternos bajuladores de um presidente sem nexo

Aparecido Raimundo de Souza

ACHO QUE JÁ SE DEU para ver, e não só ver, perceber, enxergar, vislumbrar de cabo a rabo, ninguém segura o Mula, perdão, senhoras e senhores, o Lula. Alguns imbecís, melhor dito, um bom bocado de bocas abertas e manés de carteirinha e sindicato, como ele, dizem que o sujeito nascido em berço pobre vale por dois. Um é o Luiz Inácio e o outro o Lula da Silva. Ambos, os dois, um e outro, trocados por um pacote de merda elevada ao quadrado, vale mais a bosta fedorenta de qualquer morador de rua.

Ninguém segura o infeliz nascido no pardieiro, perdão, na zona rural de Cacetés, (Cacetés não, Caetés) no garabulhento agreste Pernanbu”cu”, notadamente quando ele resolve abrir a boca em seus improvisos ante desempolgadas plateias. O degradante, é que a nação “inteirra” (de inteirrado) terá pela frente, se essa desgraça continuar no foder, perdão, no poder, se ganhar as próximas eleições, a galera sofrida terá muita diversão ao ouvir discursos recheados de metáforas, eufemismos e extemporâneas cagadas, perdão, piadas.

O filho mais Apapudado (variante de papuda) que por sorte de algum santo malandro nos moldes de Voudecarro, se livrou de passar um tempo bastante expressivo por lá, obviamente se valendo da sua “aveia” tribunícia latente. Por conta, o “cabra” disporá, sem dúvida, de concorridos ouvintes, “companheiros” de lutas e pelejas, esses e estes, sempre prontos a ouvi-lo, fale o imberbe o que peidar pelo comedor de lavagem.

São ossos de um punhado de orifícios cagadores atentos e sempre prontos a escutá-lo e aplaudi-lo. Há quem diga que discursar é ciência. Prefiro acreditar do alto dos meus setenta e três, essa balela toda ser arte e, como tal, pairar na dimensão de um bom livro ou no enlevo de acordes musicais capazes de separar o espírito do corpo. O aplauso à fala presidencial, pelo menos entre nós, (brasileiros sem um pingo de visão de futuro) é dissimulado e não corresponde à verdade. Faz parte do ritual em solenidades do gênero o louvor fácil e o riso contido de graças sem graça. 

Para um “presidiariodente” (mil perdões) para um presidente loquaz que, além de escorregar no vernáculo, fala pelos cotovelos, um lembrete: “em boca fechada não entra mosca, nem sai”, leciona um provérbio antigo, se não me engano, citado no livro da lavra de Leon Eliachar, “O homem ao quadrado”. Se, de fato, a oratória é uma arte, a artista precisa ser quem gosta de fazer uso da palavra. Todo cu-i-da-do-é-porco, (o certo é pouco) portanto, ao se exprimir pela voz a públicos exigentes, deveria ter outra conotação.

É sabido, não é de hoje, quem fala o que quer, ouve o que não quer, se expondo ao julgamento público. “O poder da palavra, na boca de quem sabe usa-la — como bem escreveu Mark Twain em suas divagações espirituosas enfaixadas no livro “As aventuras de Tom Sawyer”, é capaz de proezas inimagináveis. Derruba governos, passa rasteira, dá chapéu em cobra, promove revoluções, cria religiões, faz guerras e, também, suga mentiras de verdades sedimentadas, ou vice-versa, transformando vilões em heróis, entre outras tresloucadas artimanhas.

Para o tal do Tom, nada é impossível. Ao mau uso dela, no entanto o deboche e o descrédito respondem. Nessa sintonia, a aridez de sofríveis oradores é uma realidade, o que não impede, absolutamente, os aventureiros da palavra fazerem uso dela na cena política brasileira e empurrar para a barriga da raia miúda vociferando “culhões” cheios de bobagens. O resultado não é outro senão transformar o “discurso em suplício”, uma arte menor, desfigurada e renegada pelos ouvintes.

E todos continuam a falar sem dizer porra nenhuma. A verdade é que a evolução humana se deve à palavra e, em parte, a decisões importante que nasceram a vigor de discursos bem fundamentados. Da Antiguidade ao mundo contemporâneo, palavras certas, no momento oportuno, deram outro curso à história. Dizem, à língua solta, que “sangue, suor e lágrimas”, pronunciado por Churchill, na Câmara dos Comuns, deferiu a II Grande Guerra em favor dos aliados.

Sobre o primeiro ministro inglês, alguns de seus discursos ele os burilava durante semanas, até meses. “O bom discurso precisa ser cuidadosa e trabalhosamente elaborado” — dizia o tribuno Cícero, arrematando que o imaginoso improviso só é possível como parte de um dossiê bem engendrado”. Ai, senhoras e senhores, nesse ponto é que entra o Mula (me perdoem pela gafe, pelo Lula). Em tempos idos, o ministro Luiz Dulci era o cara que escrevia os discursos desse esquisitão, certamente respirando fundo quando o texto virava improviso. A palavra presidencial deve ser revestida de solenidade, e mais que isso, distanciada, apartada de pretensa vaidade oratória, só porque conselheiros dizem, falam e escrevem a linguagem solapada do povão. 

Assim e assado, a verdade é que a política brasileira continua em descompasso com a realidade e com as promessas de campanha de Sula da Silva. Inexequíveis na essência e na forma, a esperança em um novo tempo de justiça social esmorece, se fode de verde amarelo e perde a força. O volume de problemas é crescente e está em toda parte, enquanto Estado, perdido na falta de objetividade, patina na utopia. Atentem para um detalhe, senhoras e senhores. Parece que o destino do brasileiro é mesmo conviver no acostamento social, cultuando suas crendices, já que permanecer com o desconhecido pelo menos conforta “vivificantemente” a alma.

Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de Conceição do Castelo, no Espírito Santo, 10-4-2026

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