Aparecido Raimundo de Souza
Entendo que essa
historinha para uma matilha de bois, um enxame de vacas, uma biblioteca de
bestas e éguas, e uma constelação de jumentos quadrados dormirem fede
“malcheirosamente” ou vergonhosamente nos buracos dos narizes daqueles cidadãos
que têm vergonha na cara. Ao meu fraco entender, (levando em conta o tenebroso
e escabroso, horroroso e de certa forma pitoresco 8 de janeiro de 2023, entre
outras avacalhações e aberrações tétricas e inóspitas, vindas à depois), tudo,
TUDOOOOOOO... não passou de uma grande esparrela, ou uma bem construída tramoia
falsificada, mentirosa e bem engendrada para fazer os “cus fedidos”, os otários
e manés, de braços dados com os bocas abertas e atoleimados acreditarem que o
brazzzil está nos trilhos, rumo a um amanhã melhor.
Entretanto, cá entre
nós, todo esse sombrio tétrico, esse rumor e falatório postiço não vai além de
um tremendo “zum-zum-zum” mentiroso, recalcado e falsificado, tipo um amontoado
de pratos de comidas vencidos e azedos servidos aos manés e moradores de ruas.
Mergulhando às cegas com os óculos sem lentes, no 31 de março de 1964, qual o
cenário político que vem à tona? A
figura de João Goulart o (Jango) que defendia reformas de base, como o
Emplastro Poroso Sabiá, a Reforma Agrária e a melhor piada de todas, a maior
intervenção do Estado na economia, o que geraria resistência das elites
conservadoras e militares. Havia forte tensão (ou a Polarização) entre os
movimentos sociais (sindicatos, estudantes, ligas camponesas) e setores
conservadores (os empresariados e, de lambuja, a Igreja e boa parte da
imprensa).
O tal golpe (ou seria a influência externa) ocorreu em plena Guerra Fria, com apoio explícito dos EUA, que temiam uma guinada socialista no Brasil. Mas entre tapas e bordoadas, caralho, o que aconteceu em 31 de março? Um enorme e fantasioso “Movimento militar”. Tropas e Trapas, Tripas e Trepas de Minas Gerais marcharam em fila indiana, (ou seja, uns iam para um lado e outros para a puta que os pariu), não, por favor, me perdoem, seguiam em direção ao Rio de Janeiro, iniciando a ofensiva contra o governo. Nisso, veio à tona, a Banda Calypso, melhor dizendo, o Colapso político: João Goulart perdeu o apoio da esposa, do seu cachorrinho particular, do gatinho de estimação e pasmem, do Congresso e o “mais melhor” mandou para o ralo a aliança entre os governadores estratégicos, ou seja, aqueles da “panelinha” ficando isoladamente sujo e cagado de bosta.
Nesse infortúnio
inesperado, cagado e isolado, veio a famosa e incorruptível “Deposição”: Em 1º
de abril, o Frango, perdão, o Jango deixou Brasília e seguiu para Porto Alegre,
mas não conseguiu organizar resistência. Menos ainda residência. Precisou dormir
pernoitado naquele hotel onde residia o famoso poeta Mario Quintana. Pouco
depois, de mala, mula e cuia, se exilou no Uruguai. Em alface disso, quais as
consequências imediatas? Em primeiro, a instalação da dentadura, perdão, mais
uma vez, a instalação da “Ditadura militar” (1964–1985). Aconteceu, por conta,
uma enxurrada a parte. A suspensão de direitos políticos e civis, A cassação de
mandatos e perseguições implacáveis a opositores. Censura (com surra) à
imprensa, as artes e as universidades.
Não ficaram de fora as
prisões arbitrárias, as torturas nos presídios, e arregalem os olhos, os
desaparecimentos políticos. Nesse tom negro, a tal da “Repressão cultural”
ficou em evidencia entre 1969 e 1975. Com a força da ditadura, houve fechamento
de jornais e revistas, censura de peças teatrais e perseguições a uma porrada
de intelectuais. Resumindo o quadro: 31 de março de 1964, as Tropas Militares
iniciaram um movimento contra João Goulart. Em 01.04. 1964, João Goulart
conversou com o pessoal do BBB e a galera da casa mais vigiada do país por
ordem do Tadeu Schmidt foi deposto (e “degasolina”) no tanque de seu Fusquinha
rosa choque com todas as suas tralhas, partiu para o exilio. De 1964 a 1965, a
Dentadura, não, a ditadura militar por aqui foi marcada por tumultuada
repressão e censura.
Em 1985, aconteceu uma
tal de “Transição democrática” com eleição indireta de Temcredo Neves
(retificando Tancredo Neves), sendo substituído por José Sem-Lei (droga, não é
Sem-lei é Sarney. O 31 de março não foi apenas uma troca de governo, foi também
o início de um puteiro a céu aberto. O 31 de março não se fundiu apenas em uma troca de governo: foi o início
de 21 anos de regime autoritário, um regime que deixou marcas profundas na
política, na cultura e na sociedade brasileira. Muitos ainda debatem se o golpe
foi inevitável (como a marmelada com queijo suíço do 8 de janeiro de 2023) ou
se poderia, se houvesse um “Estado Democrático de Direito”, ter sido evitado
com maior diálogo político. Voltando à fuzarca do 31 de março, o que restou do
brasilllllllzinho fodido, falido e às moscas, dizem os especialistas, todo
mundo acordou em espalhafatoso sobressalto.
Não era um dia comum,
embora muitos tenham ido trabalhar, abrir seus comércios, levar os filhos à
escola, os ladrões a regressarem alegres e saltitantes às ruas e avenidas e as
putas da Barata Ribeiro número 200, em Copacabana, a fazerem programas na Praça
15. Nas emissoras de rádios, a notícia corria como o vento fora do cano, tipo o
Coiote atrás do Papa-léguas. As tripas e as tropas marchavam, vomitavam
discursos inflamados que ecoavam pelos quatro cantos e o presidente João
Goulart, coitado, já não tinha chão firme sob os pés. Até as cuecas, as calças
as camisas os sapatos e as meias lhe foram tirados pela galera do STF. As ruas,
em algumas cidades, pareciam normais. Mas por trás das fachadas fechadas, havia
medo. Um arrepio tétrico, mudo, silencioso ecoava.
Uns celebravam,
acreditando que o país seria “salvo do comunismo”. Outros se calavam,
pressentindo que o silêncio emergente seria a única forma de sobreviver. Na
noite que caiu sobre o dia 31, não foi apenas a escuridão tenebrosa que se
instalou. Veio o começo de um tempo sem tempo, um período brabo em que palavras
eram vigiadas, músicas cortadas, jornais censurados. O brazzzzzzil entrou num
túnel maior que o recém-inaugurado “Saint-Gotardo” na Suíça, onde vozes foram
apagadas, corpos desapareceram, e sonhos dourados ficaram suspensos. Aqueles
que nasceram depois não viram tanques nas ruas nem fogões, ou aspiradores de
pó, menos ainda enceradeiras mas ouviram discursos militares ao vivo. A
maioria, entretanto, herdou as marcas: histórias contadas em sussurros,
lembranças de avós e pais, deram de fuça com cicatrizes que não aparecem na
pele, mas se estropia na memória coletiva.
O 31 de março não é só
uma data. É um aviso aos navegantes, mesmo aqueles que nunca entraram num
barco. Ele, o 31, nos lembra que a democracia não existe, que o medo que anda à
solta por aí incrustrado pelos ares, pode calar multidões, e que a liberdade,
uma vez perdida, custa caro para ser reconquistada e o desgraçado pode acabar
na Peituda – perdão – de novo, pela gafe, na PAPUDA. Para ilustrar, vamos ver algumas músicas de
autores famosos que foram “barradas” pela censura, e creio, muitos brasileiros
nem sabem que essas obras primas fizeram parte da maldita repressão ou da
admoestação do fatídico e vergonhoso 31 de março. Comecemos pela música
“Cálice”, composta em 1973 por Chico Buarque e Gilberto Gil.
Essa melodia usou o
trocadilho “cálice” e “cale-se” para denunciar a censura e os silenciamentos
empurrados goela abaixo por aquela desgraça conhecida como ditadura militar.
Embora não fale diretamente do 31 de março de 1964, ela se tornou um dos hinos
mais fortes contra o regime, justamente por transformar o silêncio forçado em
metáfora poética. Seu ano de composição:
repetindo, se deu em 1973, lembrando, para que fique bem sedimentado, em plena
ditadura militar. Lançamento oficial: 1978, após anos de censura. Autores, como
dito acima, Chico Buarque e Gilberto Gil (na gravação, Milton Nascimento
substituindo Gil). O verdadeiro significado da letra está claro e cristalino no
refrão: “Pai, afasta de mim esse cálice”. Essa frase remete à oração de Jesus
no Getsêmani, pedindo para não beber o cálice do sofrimento.
O jogo de palavras
transforma “Cálice” em “cale-se”, simbolizando a mudez taciturna da boca
escancarada de dentes impostos pelo fatídico regime. A letra mistura imagens
bíblicas com metáforas da repressão, como “mesmo calada a boca, resta o peito”.
Embora não cite diretamente o golpe de 1964, “Cálice” foi, sem dúvida alguma,
uma resposta ao clima de censura e repressão instaurado a partir daquele 31. O
trocadilho “Cálice/cale-se” foi uma forma que os autores colocaram os dedos nas
feridas dos censores ou mais especificamente, de deixar cristalizado dando o
recado em outras palavras, como “fiquem de bocas fechadas, seus filhos da puta”
que começou com o golpe e se intensificou nos anos seguintes.
Essa canção virou
símbolo da resistência cultural, mostrando como artistas encontravam brechas
para protestarem sem serem imediatamente colocados com uma mordaça na boca.
Outras músicas vieram em reforço ao “Cálice”, como “Apesar de Você”, em que
Chico Buarque cantava com muita propriedade: “Apesar de você, amanhã há de ser
outro dia”. Não precisava dizer quem era o “você”. Todos sabiam. Mesmo tapa na
fuça, Geraldo Vandré falava de flores e caminhada, mas o que ecoava, sem dúvida
alguma, não outra coisa senão a luta: “Caminhando e cantando e seguindo a
canção”. João Bosco e Aldir Blanc lembravam que a esperança ainda existia,
mesmo entre lágrimas, com “O bêbado e a equilibrista”. De novo, mais uma vez,
Chico Buarque, em “Meu caro amigo”, poetizada em forma de carta a um alguém sem
rosto.
Deixava explícita,
todavia, a vida no Brasil sob as asas da censura, sem mencionar diretamente o
regime subversivo. “Alegria, alegria”, de Caetano Veloso, em 1967, usou imagens
cotidianas e fragmentadas para deixar seu grito de liberdade e pisoteando a contracultura,
sem, obviamente, adentrar num confronto direto. Em rápidas pinceladas, vamos
deixar para os mais idosos, como eu, como a censura se fez pesada, por exemplo,
nas salas de aula. O professor não falava. Se fizera mudo. O quadro negro
parecia mais pesado. Os livros vinham com páginas arrancadas, e os professores
ministravam as suas aulas com cuidado, como se cada palavra pudesse ser
julgada. Alguns ensinavam mais do que o permitido, em sussurros, quase como
segredos.
A juventude presente,
moleques e meninas da minha idade, aprendia não só matemática e português, mas
também a arte de desconfiar do silêncio. Nas rádios, muitas canções
desapareceram. Letras inteiras eram cortadas, versos proibidos. Mas a música
encontrava caminhos: metáforas, duplos sentidos, melodias que escondiam
protestos. Quem ouvia sabia decifrar. Era preciso ler nas entrelinhas, ouvir
além das notas. A canção virava resistência. No tocante à política, nas praças,
os discursos criaram pernas. Debandaram. As vozes que antes pediam reformas
foram caladas, algumas para sempre. O Congresso de ladrões e malfeitores, se
tornou palco de cassações, e muitos políticos se exilaram. O povo, sem escolha,
aprendeu a viver entre decretos e atos institucionais, como se a democracia
fosse apenas uma lembrança distante.
Aliás, ainda hoje,
esse câncer incurável segue a todo vapor como um zero à esquerda. No cotidiano,
no dia a dia, apesar de tudo, a vida seguia. Crianças brincavam nas ruas,
casamentos aconteciam, o comércio abria as suas portas. Mas havia sempre uma
sombra difusa, confusa, intrusa: o medo combalido e insalubre de falar demais,
de ser ouvido por quem não devia. O cotidiano se apresentava normal apenas na
superfície; por baixo, persistia de modo conturbado a cautela e o silêncio.
Nessa chuva de anormalidades e escachelados, quem nasceu depois não viu tanques
nem ouviu discursos militares ao vivo. Mas cá entre nós, herdou histórias
contadas em voz baixa, lembranças de avós e pais, cicatrizes invisíveis. O 31
de março virou mais que uma data: virou um aviso.
Um lembrete de que a
liberdade, quando perdida, custa caro para ser reconquistada. Nos palcos dos
teatros, as cortinas se abriam para histórias que pareciam inocentes, mas
escondiam críticas afiadas. O público aprendia a decifrar metáforas, a rir de
personagens que representavam mais do que mostravam. O teatro ao vivo e a
cores, virou trincheira: cada peça um ato de coragem, cada aplauso, um gesto de
resistência. Os livros circulavam como mensagens cifradas. Alguns vinham com
uma pica enorme escrita “proibidos”, outros escapavam em edições clandestinas.
Escritores criavam mundos imaginários para falar do real, e leitores aprendiam
a ler nas entrelinhas. A literatura se tornava refúgio e arma, guardando a
memória que o regime tentava apagar. Em linha paralela, os jornais chegavam às
bancas com espaços em branco, como se o silêncio fosse notícia. Reportagens
vinham cortadas, manchetes reescritas. Mas jornalistas encontravam brechas:
ironias, códigos, pequenas verdades escondidas em textos aparentemente neutros.
A imprensa, mesmo sufocada, insistia em respirar. Às vezes conseguia, outras, o
jornalista aparecia com a boca cheia de formigas. Nas universidades, nas
praças, nas casas discretas, surgiam encontros clandestinos. Estudantes,
artistas, trabalhadores — todos buscavam formas de dizer não. Panfletos rodavam
em mimeógrafos, músicas circulavam em fitas, ideias viajavam de boca em boca. A
resistência se via feita de coragem miúda, mas constante.
E quando a ditadura
finalmente se despediu, o Brasil saiu do túnel escuro e quilométrico com marcas
profundas. A democracia voltou, mas carregando cicatrizes. Cicatrizes que nunca
se apagarão. O 31 de março de hoje é o mesmo de sessenta anos atrás, nada mudou,
ou melhor se transformou para algo pior. Algo mais diabólico. Ficou como
lembrança e aviso, mais que isso, deixou claro e conciso que a liberdade não é
garantida, que o silêncio pode ser imposto, e que resistir é sempre necessário.
Assim, cada fragmento compõe um quadro maior, como o 8 de janeiro, só para
deixar bem claro; não apenas o golpe de 31 de março, mas a vida sob ele, e a
força persistente e avassaladora de quem (apesar do golpe se fazer presente e
irresistível a cada dia, tudo infelizmente, nunca se deixou apagar.
Título e Texto:
Aparecido Raimundo de Souza, de Pedro Canário, no Espírito Santo, 31-3-2026
Um final inesperado
Trinta coisas que nunca verei
Assim são meus dias em formatos cada vez mais curtos
Se ao menos aquele Policarpo fosse o Quaresma...
O certo e correto seria um só: “neminem laedere”*
O que está por trás do BBB, além da imbecilidade humana?

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Não publicamos comentários de anônimos/desconhecidos.
Por favor, se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.
Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-