Com degustação e agenda disputada, visita em Campo Grande revela bastidores da cerveja e expõe um roteiro fora do radar na Zona Oeste
Renata Granchi
Numa cidade onde o roteiro turístico costuma orbitar entre praias, cartões-postais e trilhas, um programa fora do circuito tradicional segue praticamente desconhecido por boa parte dos cariocas e, curiosamente, é gratuito. Na Zona Oeste, a visita guiada à fábrica da Ambev, em Campo Grande, abre as portas de um universo pouco explorado: o da produção em escala industrial de uma das bebidas mais consumidas do país.
Localizada na Estrada Rio–São
Paulo, a unidade recebe visitantes de terça a sábado em grupos de até 30
pessoas, quase sempre com lotação esgotada com cerca de dois meses de
antecedência. Sinal de que, embora ainda fora do radar popular, a experiência
já circula com força no boca a boca. Há, inclusive, lista de espera.
O tour dura cerca de duas
horas e percorre todas as etapas da produção cervejeira, do recebimento das
matérias-primas ao envase. Ao longo do trajeto, tanques de grande porte,
esteiras automatizadas e áreas de controle revelam a escala industrial por trás
de um produto cotidiano. É o tipo de passeio que, como se diz, “vale mais do
que parece à primeira vista”: mistura curiosidade técnica com uma boa dose de
experiência sensorial.
O ponto alto é justamente a degustação de chopp retirado diretamente do tanque, um detalhe que transforma a visita em algo além do didático. Aos sábados, a experiência ganha um tempero extra, com harmonizações que incluem petiscos e até combinações menos óbvias, como cerveja com doce, ampliando o repertório de sabores.
Mas não é só de tecnologia que
vive o roteiro. Um dos espaços mais simbólicos é a chamada “Praça da Cerveja”,
onde maquinários antigos ajudam a contar a história da produção da bebida,
conectando passado e presente em uma narrativa que vai além da indústria e toca
a cultura cervejeira.
A visita é restrita a maiores
de 18 anos e exige cuidados básicos de segurança: calça comprida, sapato
fechado e roupas com mangas. Camisetas estilo T-shirt são permitidas. A fábrica
não possui estacionamento próprio, e a recomendação é clara — se beber, não
dirija. Em contrapartida, a estrutura é adaptada para receber pessoas com
mobilidade reduzida, ampliando o acesso ao público.
Os horários variam ao longo da
semana: às terças e quartas, o tour acontece pela manhã, das 9h às 11h45; de
quinta a sábado, há opções às 9h e às 13h, com término por volta de 15h45. Os
ingressos são organizados por data e horário e podem ser reservados online,
sendo permitido selecionar apenas uma data por pessoa, com a possibilidade de
retirada de até dois ingressos. Para grupos com mais de 10 pessoas, é
necessário realizar o agendamento prévio por e-mail.
Num Rio de Janeiro que
frequentemente redescobre seus próprios espaços, a visita à fábrica surge como
um daqueles programas que estavam ali o tempo todo, mas que poucos pararam para
notar. E, como costuma acontecer nesses casos, quem vai, volta recomendando.
Afinal, não é todo dia que se vê, de perto, como nasce uma paixão nacional.
Serviço
Estrada Rio São Paulo, 6011,
Campo Grande, no Rio de Janeiro
Título e Texto: Renata
Granchi, Diário do Rio, 25-3-2026

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