quarta-feira, 25 de março de 2026

Escondido no Rio: o passeio gratuito na fábrica da Ambev com chopp direto do tanque que poucos conhecem

Com degustação e agenda disputada, visita em Campo Grande revela bastidores da cerveja e expõe um roteiro fora do radar na Zona Oeste

Renata Granchi

Numa cidade onde o roteiro turístico costuma orbitar entre praias, cartões-postais e trilhas, um programa fora do circuito tradicional segue praticamente desconhecido por boa parte dos cariocas e, curiosamente, é gratuito. Na Zona Oeste, a visita guiada à fábrica da Ambev, em Campo Grande, abre as portas de um universo pouco explorado: o da produção em escala industrial de uma das bebidas mais consumidas do país. 

Localizada na Estrada Rio–São Paulo, a unidade recebe visitantes de terça a sábado em grupos de até 30 pessoas, quase sempre com lotação esgotada com cerca de dois meses de antecedência. Sinal de que, embora ainda fora do radar popular, a experiência já circula com força no boca a boca. Há, inclusive, lista de espera.

O tour dura cerca de duas horas e percorre todas as etapas da produção cervejeira, do recebimento das matérias-primas ao envase. Ao longo do trajeto, tanques de grande porte, esteiras automatizadas e áreas de controle revelam a escala industrial por trás de um produto cotidiano. É o tipo de passeio que, como se diz, “vale mais do que parece à primeira vista”: mistura curiosidade técnica com uma boa dose de experiência sensorial.

O ponto alto é justamente a degustação de chopp retirado diretamente do tanque, um detalhe que transforma a visita em algo além do didático. Aos sábados, a experiência ganha um tempero extra, com harmonizações que incluem petiscos e até combinações menos óbvias, como cerveja com doce, ampliando o repertório de sabores.

Mas não é só de tecnologia que vive o roteiro. Um dos espaços mais simbólicos é a chamada “Praça da Cerveja”, onde maquinários antigos ajudam a contar a história da produção da bebida, conectando passado e presente em uma narrativa que vai além da indústria e toca a cultura cervejeira.

A visita é restrita a maiores de 18 anos e exige cuidados básicos de segurança: calça comprida, sapato fechado e roupas com mangas. Camisetas estilo T-shirt são permitidas. A fábrica não possui estacionamento próprio, e a recomendação é clara — se beber, não dirija. Em contrapartida, a estrutura é adaptada para receber pessoas com mobilidade reduzida, ampliando o acesso ao público.

Os horários variam ao longo da semana: às terças e quartas, o tour acontece pela manhã, das 9h às 11h45; de quinta a sábado, há opções às 9h e às 13h, com término por volta de 15h45. Os ingressos são organizados por data e horário e podem ser reservados online, sendo permitido selecionar apenas uma data por pessoa, com a possibilidade de retirada de até dois ingressos. Para grupos com mais de 10 pessoas, é necessário realizar o agendamento prévio por e-mail.

Num Rio de Janeiro que frequentemente redescobre seus próprios espaços, a visita à fábrica surge como um daqueles programas que estavam ali o tempo todo, mas que poucos pararam para notar. E, como costuma acontecer nesses casos, quem vai, volta recomendando. Afinal, não é todo dia que se vê, de perto, como nasce uma paixão nacional.

Serviço

Estrada Rio São Paulo, 6011, Campo Grande, no Rio de Janeiro

Link visitações Rio » 

Título e Texto: Renata Granchi, Diário do Rio, 25-3-2026

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