Os dragões vão nascer, viver e morrer da pressão e do momento logo a seguir a ela. O FC Porto fez contra o Moreirense (3-0) o jogo-tipo da era Farioli. O recurso aos suplentes não deixou a equipa abrandar na 26ª jornada da I Liga
Francisco Martins
No final desta semana, os juniores do FC Porto conseguiram um resultado impactante contra o Sporting (6-0). Na ficha de jogo, constaram Mateus Mide, Martim Chelmik, Bernardo Lima e Duarte Cunha, todos campeões do mundo de sub-17 por Portugal à espreita de afirmação nos patamares superiores. É ilógico que, caso fosse do interesse dos dragões, Oskar Pietuszewski também pudesse ter ido ajudar.
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| Foto: Diogo Cardoso |
Aos 17 anos, anda pela equipa principal do FC Porto a fazer o papel de adulto. As estrelas do cinema já desfilavam na passadeira vermelha da gala dos Óscares quando Pietuszewski se impôs ao Moreirense. Caso contrário, a Academia ainda ia a tempo de lhe dar a estatueta de melhor ator e ao FC Porto pelo melhor argumento. Ninguém adivinharia que o polaco fosse capaz de fazer mais do que Ángel Alarcón fez na primeira metade da época.
Os melhores atores nem sempre acertam à primeira. Se assim fosse, os filmes eram todos gravados num só take e os realizadores teriam a paciência muito mais preservada. Oskar Pietuszewski precisou de alguns ensaios para acertar. Algumas tentativas davam uma boa sequência de bloopers. Quando acertou o remate em jeito, foi um deleite.
A facilidade com que o FC
Porto supera adversários potencialmente incomodativos – como são os sétimos
classificados da I Liga – desmoraliza quem persegue. Poucas equipas causaram
aos azuis e brancos as dificuldades que o Moreirense (3-0) criou na 1ª volta do
campeonato. Desta vez, foi diferente e o líder manteve os sete pontos de
distância em relação ao Benfica e, mesmo que à condição, tem o Sporting a igual
distância.
Para isso, na 26ª jornada, os
extremos do FC Porto tiveram a tarefa de abrir a cortina defensiva dos cónegos.
Praticamente a pisarem a tinta da linha lateral, criaram espaço para as
infiltrações de Victor Froholdt e Gabri Veiga que, devido ao nível do jogador
médio do plantel, vão conseguindo ser poupados de modo a renderem nos momentos
decisivos.
Este foi o jogo-tipo de
Farioli: pouca elaboração, muita pressão e ataques afiados. É assim que o FC
Porto vai nascer, viver e morrer. Quando André Ferreira defendeu para a frente
um outro remate de Pietuszewski, Gabri Veiga estava lá para, na altura, inaugurar
o marcador. Não há muitos jogadores da formação do Moreirense que possam dizer
que se estrearam na I Liga. Afonso Assis foi ao Dragão sentir o que custa
tentar jogar de costas para a baliza.
O Moreirense arrebitou no
início da segunda parte. Landerson furou entre Froholdt e Bednarek antes de
rematar ao ferro. Alanzinho, o instrumento que avalia a boa condição dos
cónegos, apareceu a arriscar de fora da grande área. Farioli interpretou a mensagem.
Era preciso refrescar.
Rodrigo Mora, após saltar do banco, causou ao FC Porto a impressão de ter encontrado uma bomba de oxigénio que julgava perdida. Notou-se na maneira como conduziu o contra-ataque. Acompanharam-no as também frescas pernas de Moffi, que desperdiçou face a André Ferreira. Não é que se tenha instalado qualquer sinal de intranquilidade. No Dragão, até se mostrou o desejo de que o FC Porto se sagre campeão. Para não deixar a primeira parte destoar tanto da primeira, William Gomes, da esquerda para dentro, fez o 3-0.
O técnico italiano teve o
mérito de, tal como a sua equipa, ter reagido habilmente aos acontecimentos.
Deu uso às substituições para não deixar a energia cair e fazer com que, no
geral, os jogadores parecessem prontos para uma 3ª parte.
Título e Texto: Francisco
Martins, Tribuna Expresso,15-3-2026, 22h39
A intensidade “maluca” do FC Porto contra o Moreirense deu a Farioli mais “um bom dia”
“Sinto-me um privilegiado”
Três golos e três pontos no regresso a casa


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