Aparecido Raimundo de Souza
“Os idiotas vão tomar conta do mundo: não pela capacidade, mas pela quantidade“.Nelson Rodrigues
Essa merda do BBB leva para o ar, a níveis estratosféricos, debates
acalorados nas redes sociais e se transforma, por incrível que pareça, em pauta
de abrangência nacional. No entanto, pelas coxias e por detrás do “suposto
espetáculo”, há questões que merecem uma análise crítica mais profunda. O
programa se sustenta na lógica da vigilância: transformar a vida cotidiana em
entretenimento.
A casa-prostíbulo do BBB é uma espécie de latrina-laboratório para
malucos e pirados, pessoas com merda na cabeça; criaturas sem visão social onde
conflitos; alianças e romances são amplificados para prender a atenção dos
embasbacados e desnorteados da cachola. Essa exposição pra lá de extrema,
levanta dilemas éticos à sanha de desvirtuar os mais jovens, ou melhor dito, de
desincorporar à força do nosso convívio, os jovens em formação levando-os, de
roldão, para um patamar infame e enegrecido.
Menoscabado, depreciado e raquítico, a ponto de não se saber, final das
contas, até que ponto é saudável transformar pessoas comuns, criaturas
destituídas de pudor e compostura em personagens de um jogo filho da puta, que
depende da manipulação emocional e da espetacularização da intimidade. O BBB é,
acima de tudo, um produto infame e sarcástico. Um produto (produto?!) conhecido
também como restos de imundícies, sujidades, entulhos ou lixos oriundos das
ruas largas dos quintos do inferno.
Toda a narrativa usada é imaginada para gerar engajamento e lucro, dinheiro fácil para os mafiosos da Rede Globo, seja por meio de votações, patrocínios ou publicidades. O público tolo e imaturo, é seduzido igualmente pela ânsia fanática de participar, não só pela ideia de “se contagiar” ligando para votar pelo destino dos participantes, mas, na prática, bem se sabe, a edição e a produção moldam a percepção coletiva fazendo dos trouxas e desocupados, dos sem noção e apatetados, uma espécie de lavagem cerebral coletivamente severa.
O que parece espontâneo é, muitas vezes, cuidadosamente roteirizado por
escritores de mentes sujas e idéias satíricas para manter no ar, a audiência em
alta. O programa também funciona como um espelho cultural às avessas. Questões
de gênero, raça, credo religioso, classe e comportamento emergem dentro da tal
“casa-bordel” e reverberam fora dela. Criam asas, voam infinitos distanciados e
sem volta.
O BBB se torna, por assim dizer e num abrir e piscar de olhos, num
palco gigantesco de debates sociais importantes, todavia, com o risco de que
tais discussões sejam reduzidas a mero entretenimento, esvaziando a sua
profundidade e transformando pautas sérias em “trends” passageiros. Se por um
lado o BBB dá visibilidade a temas que dificilmente teriam espaço em horário
nobre, por outro, reforça a lógica tresloucada da alienação: o público se
envolve de corpo e alma, se foca e se entrega intensamente com a vida dos
participantes enquanto problemas estruturais (do país em decadência) permanecem
em segundo plano.
O programa é, ao mesmo tempo, um catalisador de debates imundos e
sujos, é via idêntica, um anestésico social que desvirtua a cabeça de quem se
dá ao luxo de sentar o rabo no sofá da sala e perder tempo vendo essa novelinha
de segunda, enquanto poderia estar usufruindo de programas mais saborosos e sem
a pecha de um amontoado de sacanagens e mazorcas da pior espécie.
O maléfico e pernicioso Big Brother Brasil como disse o saudoso Luiz
Fernando Veríssimo, “é um espetáculo às avessas, que mistura entretenimento,
manipulação e reflexos que nada tem de cultural”. “Sua força” agora no dizer de
Divaldo Pereira Franco, (se referindo ao BBB de 2022). “está em mobilizar
emoções coletivas, mas a sua fragilidade se condensa em transformar a vida real
em mercadoria de segunda”.
Pois bem! “O BBB não é apenas um programa de TV” —, disse Pedro
Henrique Espíndola que “desistiu” de seguir na casa após tentar beijar a
Jordana. E asseverou: “O BBB é um retrato truncado das contradições mais pobres
de uma sociedade falida, onde o público oscila sem saber se está entre a
crítica, a ignorância ou o fascínio”. O Big Brother Brasil fundo do poço, é
aquele “reality-merda-elevada-ao-quadrado” que consegue transformar o trivial
em espetáculo escabroso. Pessoas lavando louça, mostrando as partes figadais,
discutindo por causa de pão e chorando no confessionário viram pauta nacional.
É quase uma novela pastelão nos moldes dos “Três patetas”, escrita por
um autor que prendia o público no sofá, ao oposto dos criadores do BBB. Esses
sujeitos deveriam ser presos e processados, se o nosso país fosse uma nação
séria. O BBB, é um folhetim sem roteiro, ou melhor, traz consigo, um estatuto
degringolado, disfarçado de “vida real”. A ideia central do BBB é comercializar
a mestria de autenticidade, mas tudo ali é cuidadosamente embalado para virar
meme, trend e engajamento. O público cego e sem cultura, o boçal, o boca
aberta, o pobre de espírito acredita piamente estar vendo “a vida como ela
é”. Nelson Rodrigues deve estar se
retorcendo em seu túmulo!
Na verdade verdadeira, o telespectador está assistindo a uma
prostituição legalizada, um bacanal em versão editada, com cortes dignos de um
filme para cinema. É a espontaneidade truncada, comprada, malparida, fodida,
com direção de arte impecável. Não se engane: o “troço-treco”, ou a suruba
legalizada, não é sobre convivência, é sobre audiência. Cada lágrima, cada
briga, cada coçada no grelo, ou cada tentativa de abrir o capô do fusca, na
mortificação desenfreada de afogar o ganso, ou depenar o sabiá, são convertidos
em patrocínios e publicidades.
O telespectador cego e manietado, vota inebriado, achando que decide o
destino dos participantes, mas quem realmente ganha é a emissora, que
interverte o drama humano em milhões e milhões de cifras milionárias. O BBB no
dizer do saudoso jornalista J.R. Guzzo, em um de seus textos na Revista Veja,
observou que “o besteirol até reflete a sociedade brasileira, mas se projeta
como aqueles espelhos de parque de diversões: exagera, distorce e simplifica”.
Questões sérias viram hashtags passageiras, debates profundos se resumem a
“cancelar ou não cancelar” alguém.
É a sociologia em versão fast-food. Basta ligar que o motoboy leva a
pecaminosidade mais escabrosa e macabra até a sua porta. E você não paga nem um
centavo a mais por essa modalidade corrompida.
Enquanto o país enfrenta problemas estruturais urgentíssimos, como
políticos e ladrões da pior espécie, corruptos com caras de santinhos do pau
oco, e vândalos de togas, seres vampirescos que deveriam estar na cadeia,
milhões de “noiados” gastam energia discutindo quem pegou o último pedaço de
queijo na cozinha da casa. “Vamos triturar esse rato no próximo paredão”.
Mesmo tom, quem mostrou mais a bunda, os colhões, a perseguida com a
racha metida num fio dental de tirar do sério até o inoxidável cara de
abobalhado esperto do Tadeu Schmidt de olhos esbugalhados nas promoções do
Mercado Livre e nas guloseimas da iFood.
O BBB é a prova viva e cabal de que a alienação insensata e louca,
transcende o desvairamento e a excentricidade. Caminha de braços dados com a
doidaria e a paranoia e podem ser servidas em horário nobre, com trilhas
sonoras espetaculosas e patrocinadas por shampoos, batons, e muitas batatinhas
fritas mergulhadas numa poça com maionese e ketchup.
Percebam, entretanto, não somente a visão de alimentos, igualmente de
calcinhas enfiadas nos regos dos “orifícios das bundas”. Essas pecinhas se
fazem açucaradas ainda mais se vierem atreladas com um bando de rapazes com as
fuças de múmias paralíticas mostrando pintos e colhões num desrespeito aos
nossos jovens e adolescentes. O pernicioso, nocivo e maldoso, enrabichado até
as pregas com o Big Brother Brasil é um espetáculo horrendo, ruinoso, nocivo,
maléfico, ou melhor, agourento, antípoda, que mistura voyeurismo, manipulação e
marketing.
É divertido, para quem gosta de viver com o nariz nos vasos dejetores,
e, ao mesmo tempo, se transmudando viciantes em elementos fazendo uso de
cigarrinhos do demônio, goles de boa cachaça, e se esbaldando, de contrapeso,
diante de retratos provocativos da capacidade de um punhado de ratos de esgoto
em transformar banalidades em obsessões coletivas. O BBB não é só
entretenimento: é a mais sofisticada vitrine pútrida daquilo que o brasileiro
ama odiar e odeia amar. Semana passada, no jornal “O Regional de Piên”,
município situado no sudeste do Paraná, foi veiculada uma notícia onde se lia
que o “BBB é uma espécie de inferninho legalizado”.
E falava mais adiante: “Mistura, numa bacia das almas, homens com
homens, mulheres com mulheres, envoltos em sacanagens as mais estapafúrdicas
podendo ser vista em horário nobre, sem mencionar, mas já o fazendo as mais
diversas sacanagens de tirar até o desgastado (seu amigão murcho) do sério e
fazê-lo voltar a ser útil de novo”. O Big Brother Brasil é vendido como
mercadoria rara, e disfarçadamente como entretenimento, muitas vezes parece
mais uma casa de mãe joana de emoções sexuais tipo essas campanhas eleitorais
em horários nobres, onde os vadios e prostitutos em busca do poder, prometem em
suas falas bem dosadas mundos e fundos para ganharem uma maneira de foderem os
pobres e depauperados.
Uma vez ganho a cadeira pretendida na piroca do poder, os candidatos
dão uma banana bem grande para quem votou neles enfiarem no furisco do pescoço
em francês. Entre mortos e feridos, a cada edição, a maldita casa da luz
vermelha se transforma em uma redoma chamativa imensa, onde a intimidade, o
desejo o sexo explícito e os mais intrincados conflitos são embalados como
produtos televisivos.
O público, “entre aspas’ “inocente” consome, engole, sem mastigar, e
sem pensar julga, grita, berra, peida, caga, enquanto a Rede Globo lucra com
cada lágrima, cada beijo e briga roteirizada por um bando de escritores e
produtores saídos dos quintos das putas que os pariu. O programa aposta também
na exposição máxima: relações amorosas, discussões acaloradas e até momentos de
carícia viram pauta nacional. O que em qualquer casa seria privado, ali é
transformado em espetáculo, como se a intimidade fosse moeda de troca para
salvaguardar a audiência.
Entre cuspidas e escarros, não é exagero dizer que o BBB funciona como
uma espécie de “mercado legalizado” de emoções e corpos. Corpos e emoções. O
que se vende não é apenas a convivência, mas a promessa de ver gente comum em
situações de desejo, conflito e vulnerabilidade. É a mercantilização da vida
privada, transformada em show. Enquanto alguns otários e manés defendem o
programa como espaço de diversidade e debate social, outros o agasalham como uma campânula de “sacanagens” em
horário nobre.
O BBB joga com os limites da moral coletiva: o que antes seria
considerado escandaloso, hoje é consumido com naturalidade, embalado por trilha
sonora impecável e patrocinado por grandes marcas. Repetindo mais uma vez o já
bailado acima, a bosta, o excremento, o cocô Big Brother Brasil é mais do que
um reality: é um experimento social que transforma intimidade em espetáculo e
desejo em produto.
O público parvo como juiz e cúmplice, enquanto a emissora ri por
último, convertendo cada polêmica em audiência e cada audiência em lucro. O Big
Brother Brasil é a prova viva de que o brasileiro consegue transformar qualquer
cu fedido em espetáculo, até mesmo o tédio. É como se a emissora tivesse
inventado uma máquina de moer gente: coloca um punhado de desconhecidos dentro
de um espaço entre aspas “confinado”, liga as câmeras e pronto.
Temos um zoológico humano em horário pra lá de especial. Essa droga
serve emoções como quem entrega hambúrguer: rápido, barato e sem nutrientes.
Brigas por comidas viram debates nacionais, romances de três dias são tratados
como épicos, e choros no confessionário ganham status de catarse coletiva. É
Shakespeare versão micro-ondas. Batendo, de novo na mesma tecla, ali dentro dos
estúdios, cada beijo, cada abraço e cada “sacanagem” são transformados em moeda
de troca.
O respeitável público alienado, e apatetado, desnorteado e à deriva,
consome como se fosse um cardápio: hoje tem casalzinho, amanhã tem barraco,
depois tem foda ao vivo, e se a trepada não seguir o roteiro do diretor, pinta
do nada o famoso cancelamento. É a intimidade vendida como se fosse promoção de
supermercado. Num jornal diário e famoso de São Paulo saiu uma matéria que diz
que “só falta o BBB colocar crianças menores, adolescentes, meninas e meninos
para a coisa virar uma espécie fantástica de “Sodomia e Gomorria (grafado assim
mesmo) saída dos cafundós da Bíblia”.
O que se veiculou nesse jornal é uma opinião bastante polêmica e
provocativa, que corresponde ipsis litteris a uma realidade prática: o BBB
ainda não envolveu gente infantil por conta de uma pica dura conhecida como
censura. Seria preciso chegar uma grana preta aos senhores dessa poderosa
instituição falida, para a coisa viralizar. Pelo sim, pelo não, prá lá
caminhamos. Por enquanto, todos os participantes são adultos e passam por
seleções rigorosas, (kikikikikiki) antes de enfiarem os pés na jaca (jacaguei)
definitivamente e passarem a “pagar mico” como os personagens desses
“folhetins-novelas” em horários nobres.
A ideia de “colocar crianças” por enquanto é uma hipérbole usada para
criticar o nível de exposição e intimidade que o programa promove, uma forma de
dizer que o reality já ultrapassa tantos limites que só faltaria esse passo
absurdo para virar uma “putaria pra lá de legalizada”. A bem da verdade, o Big
Brother Brasil já virou aquele circo em que todo mundo finge se escandalizar
com o palhaço enfiando a tromba no caneco da bailarina linda de morrer, mas não
perde um capítulo.
A crítica do jornal dizendo que “só falta colocar criança” é obviamente
(por enquanto) um exagero grotesco mas serve para mostrar o quanto o programa
já brinca com os limites da moral e da exposição. Logo teremos nossas crianças
transitando frente as câmeras mostrando tudo aquilo que deveria estar nos
moldes intransponíveis do recato. O que antes se fazia em nome sagrado da
intimidade virou produto. Repetindo o já dito acima, a Globo não precisa nem se
esforçar: basta ligar as câmeras e deixar que os participantes façam o rastro,
perdão, o resto.
O público chama de “putaria legalizada”, mas na verdade é marketing
premium: cada beijo vale uma hashtag, cada barraco vale um contrato
publicitário. Esse cagalhão se apresenta como reflexo do Brasil, mas é um
reflexo de parque de diversões: distorcido, exagerado e cheio de caricaturas. O
país discute pautas sérias como se fossem fofocas de vizinhanças. É a
sociologia servida em forma de memes.
O Big Brother Brasil é um grande espetáculo de voyeurismo gourmet. Não
é prostituição, não é pornografia, não é o fim do mundo para ser censurado.
Entretanto, é uma loja imensa onde a intimidade e a banalidade viram o prato do
dia, o entretenimento em sacanagem e a putaria se faz pulsante em horário
nobre. O público aprendeu a fingir bem.
Finge com a maior naturalidade, finge de cara limpa, sem ficar avexado.
Em seu estado vegetativo, critica, mas não larga o osso.
Por todo o acima exposto, para ponto finalizar tudo o que foi falado
nesse texto, devemos observar que a coisa toda se flexiona, se masturba se
punheta, até a porra jorrar, porque no fundo, bem lá no mais profundo do seu
âmago, todo mundo adora uma “sacanagem patrocinada”. O BBB, até prova em
contrário, é um prato cheio, ou uma espécie ultramoderna da sofisticada feira
livre de Acari, no Rio de Janeiro.
Está livre de emoções e virou um “mercado municipal da nossa famosa e
descarada intimidade. E bota intimidade nisso. Para nós, os eternos
conservadores, os certinhos de corpo e alma, os crentes nas leis divinas, o
BBB, calma, e prestem bastante atenção no que direi agora: O BBB da Rede Globo,
não vai além de uma espalhafatosa e maquiavélica “Buceta, Boca e Bunda”. Também
pode ser lida no bom português, como “’Boceta, Boca e Bunda’”.
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de São Paulo, Capital,
13-3-2026
Como teria sido se tudo acontecesse exatamente o contrário?
O que efetivamente determina o nosso destino?
Carta de Valadão Gutierez

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