Imóvel na Rua Riachuelo está vazio há mais de 30 anos e abriga atualmente 115 moradores da Ocupação Gilberto Domingos. Acordo busca garantir habitação social e encerrar disputa judicial
Gabriella Lourenço
O prédio pertencente ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), na Rua Riachuelo, no Centro do Rio, pode ser destinado a moradia popular após proposta de acordo apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) à Justiça Federal. O imóvel, que está sem uso há mais de três décadas, é ocupado atualmente por famílias em situação de vulnerabilidade social e pode passar a cumprir função habitacional caso o entendimento seja homologado.
![]() |
| Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil |
Hoje, o edifício abriga a
Ocupação Gilberto Domingos, formada por 115 pessoas, entre elas 36 crianças e
adolescentes e 14 idosos. A proposta do MPF busca garantir o direito à moradia
das famílias e encerrar a disputa judicial envolvendo a posse do imóvel.
De acordo com o órgão, a
permanência dos moradores no local é considerada fundamental para assegurar
direitos básicos, como moradia, educação e acesso ao trabalho. Muitos dos
residentes trabalham de forma informal na região central da cidade e têm filhos
matriculados em escolas próximas, o que reforça a importância de manter as
famílias na área.
“A manutenção dos ocupantes
na localidade é necessária para a garantia de uma série de direitos
fundamentais, entre os quais o direito à moradia, à educação e ao acesso ao
trabalho”, afirma o procurador da República Julio Araujo, responsável pela
manifestação no processo.
O MPF também argumenta que o
prédio permanece sem uso há décadas, apesar de pertencer ao INSS, o que
contraria o princípio constitucional da função social da propriedade.
Reunião entre órgãos públicos discutiu solução
A proposta de acordo surgiu
após uma reunião de mediação realizada em fevereiro de 2026, que reuniu
representantes de diferentes órgãos federais e integrantes da sociedade civil.
Participaram do encontro
representantes do INSS, da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), da
Advocacia-Geral da União (AGU) e do Ministério das Cidades, além de moradores
da ocupação e organizações da sociedade civil.
Durante o encontro, o INSS
informou que não tem interesse em retomar o imóvel e manifestou apoio à
possibilidade de destinar o prédio para programas de habitação social e
regularização fundiária. A SPU também indicou que o edifício está entre os bens
considerados prioritários para análise e possível transferência de gestão, por
ser classificado como patrimônio não operacional da autarquia.
Para o MPF, o alinhamento
entre os órgãos públicos abre caminho para uma solução consensual que evite
despejos e permita que o imóvel seja utilizado para fins sociais.
Segundo o procurador Julio
Araujo, há convergência de interesses entre as instituições envolvidas. “É
nítido que nenhuma das partes deseja o prosseguimento da ação de reintegração
de posse, haja vista que tanto a União quanto sua autarquia sinalizaram o
desejo de que seja conferida ao imóvel uma destinação compatível com o
interesse social”, destacou.
Regularização fundiária e
programas habitacionais
Na proposta apresentada à
Justiça Federal, o MPF defende que o acordo inclua o reconhecimento formal de
que o INSS não tem interesse no prédio, além da destinação do imóvel para
habitação de interesse social e o encerramento da ação possessória em andamento.
O documento também sugere que
sejam avaliados instrumentos de regularização fundiária capazes de preservar a
organização coletiva existente na ocupação. Entre as alternativas apontadas
estão a inclusão da comunidade em programas habitacionais, como o Minha Casa
Minha Vida Entidades, ou a concessão de direito real de uso coletivo do imóvel.
Caso o acordo seja aprovado e
homologado pela Justiça, a ação de reintegração de posse será encerrada. A
medida pode abrir caminho para que o prédio seja oficialmente destinado à
moradia popular e passe a cumprir sua função social no Centro do Rio.
Título e Texto: Gabriella Lourenço, Diário do Rio, 14-3-2026

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Não publicamos comentários de anônimos/desconhecidos.
Por favor, se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.
Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-