terça-feira, 17 de março de 2026

[Aparecido rasga o verbo] O certo e correto seria um só: “neminem laedere”*

Aparecido Raimundo de Souza

“HIC ET NUNC”* ou dito de forma mais clara e concisa, nessa descrença, infamante e cada vez mais engrandecida, enquanto a bunda toca, perdão, enquanto a banca toca, aqui e agora, um amontoado de músicas barulhentas e “despartituradas”* o que nos lembram muito as danças frenéticas do capeta, e por nos trazer à baila esses momentos vergonhosos, a verdade de todos os brasileiros se faz em desalento total.

Na verdade, tudo se prostra sem saída e sem perspectiva emergente, ou dito de forma mais clara e concisa, estamos ouvindo uma merda elevada ao quadrado, uma bosta fedorenta e longe da liturgia encantadora e bucólica de um maestro com “M” maiúsculo, maestro esse nos moldes do fantástico João Carlos Martins.* Por conta disso, ab initio,* percebemos, estarrecidos e boquiabertos, ultimamente tem sido tantos os escândalos públicos brotando dos bueiros da Capital do País, bem ainda de picuinhas de braços dados com a vergonha pejorativa em sua maior força de expressão.

Para piorar, toda essa lama de sujidades nos moldes fatídicos das cidades mineiras de Mariana, em 2015 e em Brumadinho, em 2019, ocupando os noticiários dos canais de televisão, escândalos, aliás, atrelados a tantos mais, que estilhaçaram a crença de um novo tempo (novo tempo?!) proposto pelo PT, ou Partido dos Trabalhadores, ou melhor dito, Partido dos Trambiqueiros, ou ainda, Partido dos Trapaceiros, que não sabemos exatamente em quem acreditar.

A corrupção galopante e vil, (há muito tempo faz parte da dieta pública, e, acrescida do nepotismo e da sinecura*) se banqueteia com os impostos vindos dos bolsos do povo. E, por ser assim, a raia miúda, o zé povinho, o mané toma no cu, está à deriva e, para variar, não tem estabilidade nenhuma nas ações do Estado. Dos grandes aos pequenos desvios de conduta, administrativa, se somam também, a prática de negociatas e das contribuições por baixo dos panos e tapetes, que subsistem e prosperam como aqueles vermes nos fundilhos dos elefantes.

Mais grave que a corrupção nas instituições públicas, no entanto, é a falta de combate aos sócios do erário, que desfilam incólumes aos “rigores da lei” e riem do Código Penal. A impunidade os obriga e com ela compram, além da inocência, os prazeres da carne espúria que o dinheiro fácil proporciona. E aí, a felicidade se completa, sem arrependimento nem culpa. Enquanto isso, o brazzzil (grafado assim mesmo) das greves dos servidores públicos, da indigência, das invasões de terra, do desemprego, do analfabetismo e das capengas reformas da Previdência e Tributária, assiste a débâche* do ensino, da segurança e da saúde, fazendo proselitismo nas falsas afirmações dos arautos do desenvolvimento socioeconômico.

Os números não mentem e constatam a realidade social do pais, país falido, sem eira, nem beira, uma nação às moscas, numa divisão de classes massacrante e para lá de vergonhosa. Nessa altura do campeonato, falar em desenvolvimento, por exemplo, quando um por cento da população mais rica é responsável por quarenta e quatro por cento da arrecadação do imposto de renda e em que noventa e sete por centro saem dos dez por centro mais ricos somente na aritmética do governo larápio é possível uma impossível inclusão social dos brasileiros.

O “Fome Zero”, (na verdade o “Come Zero” deveria ser vox popoli, vox Dei*, em outras palavras, a menina estuprada dos olhos esbugalhados de um presidente calhorda. Pelo fato dela ter sido assediada sexualmente, a porra toda rodopiou e não saiu do lugar para reinaugurar o assistencialismo eleitoreiro. Maquiavel dizia “que os homens em geral formam opiniões guiando-se antes pela vista do que pelo tato. Pois todos sabem ver, mas poucos entendem o verdadeiro sentido de sentir”.

Agarrado nos cabelos da boceta suja deste conceito, o presidiariodente da República montou a sua base administrativa e, seguindo à risca a fórmula demagógica do discurso, fez e continua fazendo da retórica a principal arma política de governar. Com isso o tempo passa e as promessas de campanha vão para a casa do caralho, ficam para trás, em meio aos problemas que não param de abundar. 

Entretanto, mesmo assim, o roteiro presidencial segue em frente, caminha a todo vapor “voa a passos de asas largas” e induz o cidadão imbecilizado que acredite e não perca a esperança, tampouco a fé entre o “foder político” e o “foder econômico”, um fosso, um buraco, um labirinto, esfomeado de proporções estratosféricas gigantescas entre a promessa vã e a realização, utopias que nunca chegaremos a ver. Pelo menos, nos próximos quinhentos milhões de anos.

Explicações necessárias:

1 – Neminem laedere:  não lesar a ninguém.

2 – Hic Hec Nunc: aqui e agora.

3 – Despartituradas: música tocada de ouvido, sem a partitura.

4 – João Carlos Martins: ovacionado maestro e pianista brasileiro. 

5 – Ab initio: desde o princípio.

6 – Sinecura: moleza, mamata, cabide de emprego.

7 – Débâche: fisco ou derrota.

8 – Vox popoli, vox dei: a voz do povo é a voz de Deus.   

Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de São Paulo, capital, 17-3-2026

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