Parte da Praça Gilson Amado, na Avenida das Américas, foi leiloada em 2023 e começou a receber intervenções neste mês; condomínio vizinho contesta venda na Justiça
Victor Serra
Parte da Praça Gilson Amado, na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, vendida pela prefeitura em leilão no fim de 2023, deve dar lugar a um empreendimento comercial. O início das intervenções no terreno, com instalação de contêiner e cercamento da área no começo de março, provocou indignação entre moradores do condomínio Riviera dei Fiori, que questionam a venda na Justiça.
O lote foi adquirido pela
empresa Green Negócios e Participações Ltda, que pretende construir
no local um prédio comercial com dois pavimentos e cobertura. O projeto prevê
estacionamento subterrâneo, sete lojas no térreo, como padaria, farmácia, pet
shop e salão de beleza, além de uma academia no segundo andar e segurança 24
horas.
Moradores afirmam que utilizavam o espaço há décadas mediante pagamento de uma taxa mensal à prefeitura e dizem ter sido surpreendidos pelo início das obras. O condomínio chegou a conseguir uma liminar suspendendo a venda do terreno, mas a decisão foi derrubada cerca de um ano depois, permitindo que a área fosse registrada em cartório pela empresa.
Além de contestar a venda, os
moradores questionam se foram realizados estudos de impacto ambiental e de
vizinhança antes da liberação da obra. O Riviera dei Fiori reúne 1.152 unidades
residenciais, mais de quatro mil moradores e ainda abriga uma escola pública.
A Secretaria municipal
de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento informou que a empresa
possui licença para construção de edificação comercial de dois pavimentos com
cobertura, em conformidade com a legislação urbanística. Já a empresa afirma
que pretende revitalizar a área, que classifica como degradada.
A disputa também chegou
à Câmara Municipal. Após reclamações de moradores, o gabinete da
vereadora Talita Galhardo enviou um requerimento à prefeitura
pedindo esclarecimentos sobre a venda do terreno e sobre a eventual realização
dos estudos de impacto antes do início das obras. Enquanto isso, o condomínio
mantém na Justiça uma ação que tenta anular a alienação da área pública.
Título e Texto: Victor
Serra, Diáriodo Rio, 13-3-2026
Paes recua após pressão e manda retirar 37 terrenos da Barra de projeto que prevê venda de imóveis municipais

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