terça-feira, 28 de abril de 2026

[Aparecido rasga o verbo] A multiplicação desenfreada das espeluncas se prolifera como puteiros em beiras de estradas e rodovias

Aparecido Raimundo de Souza

ESSAS REDES conhecidas como Santo GRAAL em beiras de estrada como a Via Dutra, por exemplo, seja indo ou voltando de São Paulo, onde todos os ônibus interestaduais param para que as pessoas desçam, estiquem um pouco as pernas e comam ou bebam alguma coisa, utilizam um sistema único de ficha eletrônica (SUFE), onde, na entrada uma simpática mocinha de carne e osso foi substituída por uma máquina com sorriso de puta barata oferece a cada um dos passageiros uma ficha com a qual, as pessoas correm toda a extensão do estabelecimento desembocando numa espécie de funil que, por sua vez, como uma foz de rio, deságua nos caixas onde são somados os gastos das despesas efetuadas.

Até aí a coisa é normal. Esses empresários têm mais é que facilitar a vida de quem viaja e utiliza esses serviços rodoviários que, por sinal, são verdadeiros embusteiros, onde os “ladrões de nossos bolsos” agem em surdina, cobrando por um simples cafezinho dez reais e cinquenta centavos e por um pão com manteiga vinte e cinco reais e dez centavos. Na verdade, um ataque violento na carteira dessa galera de infelizes que se vêem com vontade despistar as lombrigas, e ao entrarem nesses cognominados “pontos de apoio” são pegos de surpresa, pelos larápios que roubam sem usar a força de uma arma de fogo.

Esses espertalhões a nosso entender são tão ou mais bandidos, piores, à nossa visão, que os facínoras que matam e estupram nas grandes cidades. Dias atrás, presenciamos uma cena insolente e atrevida, bastante desagradável, por sinal. Um casalzinho de idosos passou por um afronto inconcebível a saída de um desses estabelecimentos. Eles entraram, retiraram a tal ficha, mas, por descuido, o sessentão a esqueceu em algum lugar. Aproveitando-se disso, um espertalhão anônimo, certamente se beneficiou, comendo e bebendo, tendo o cuidado, claro, de esconder a sua própria ficha, e, na hora de passar pelo caixa, apresentou a que estava em branco.

E por qual motivo esse e outros calhordas fazem isso? Justamente para se beneficiar, às custas dos idosos, que se veem obrigados a pagar duzentos e cinquenta reais pela bendita fixa de acrílico, se, por acaso, esquecida sabe-se lá em que lugar. A senhorinha voltou para o ônibus chorando, levando, pelo braço, seu companheiro humilhado. Foram avisados, ou melhor, ameaçados: se não pagassem pela ficha perdida acabariam na delegacia de polícia mais próxima.

Para quem não sabe, vamos reproduzir o que vem escrito nessas fichas. “UTILIZEM ESTA FICHA PARA SEUS PEDIDOS EM CADA SETOR. APÓS FINALIZAR SUAS COMPRAS ENTREGUE-A AO CAIXA PARA A SOMA TOTAL DE SUAS DESPESAS. MESMO QUE NÃO A TENHA UTILIZADO, DEVOLVA NA SAÍDA. EM CASO DE EXTRAVIO OU DANOS SERÁ COBRADA UMA TAXA FIXADA NO CAIXA”.

Alguns empresários desses seguimentos, até pouco tempo fixavam o valor. Outros, evidentemente, para evitarem problemas com as “artoridades” responsáveis, apenas mencionam a “taxa” que será fixada no caixa, mas não especificavam o valor. Meia dúzia de perguntas não querem calar: a cobrança dessa taxa é correta? Se existe alguma “coisa” realmente a ser suportada pelo consumidor não deveria existir um aviso para que o usuário desde o instante em que recebesse a ficha tivesse ciência de que se a perdesse lhe seria cobrado um valor a título de sanção pela perda do respectivo objeto? Em linha paralela, cadê a merda, o cagalhão do Código de Defesa do Consumidor? Onde está a porra do PROCON?

“EM CASO DE EXTRAVIO OU DANOS, SERÁ COBRADA UMA TAXA FIXADA NO CAIXA”. Em que artigo esse absurdo pode ser encontrado dentro do Código de Defesa do Consumidor? Acredito, no cu da bunda dos famigerados que elaboraram essa porra. Como ninguém dará a fuça para esclarecer, vamos nós mesmos as respostas, já que não temos nenhum cidadão de peito, de brio e vergonha na cara – ou dito de forma mais branda, de dois colhões que se candidate a vir a público e mostrar que não tem medo de represálias - e, no mesmo norte, exigir que se cumpra a lei.

A taxa, segundo o Código de Defesa do Consumidor é ilegal. Deveria haver – se legítima fosse –, ao menos um aviso ao usuário, em caso de perda ou esquecimento. Todavia, para algumas pessoas, o CDC nada mais é que um feixe de normas insculpidas para beneficiar, favorecer, propiciar os ricos e poderosos. Duvidamos que esses senhores oportunistas venham a sofrer algum tipo de penalidade. Igual São Tomé, meus amados leitores, só acreditamos naquilo que vemos.

Quanto ao PROCON – esse órgão cuja sigla se traduz por (Procuramos Consumidores Noiados), ou seja, aqueles cidadãos que perdem a ficha em algum lugar e não lembram, foi criado para beneficiar primeiramente os amiguinhos de políticos safados, obviamente como cabide de emprego. Finalidade do cabide. Manter os Manda Chuvas, grosso modo, os ladrões, no poder, às nossas custas. Nasceu, essa pocilga, para tornar legal o ilegal, ou seja, o PROCON tem como finalidade varrer para debaixo dos tapetes as sujeiras, as imundícies e as porcarias de seus asseclas, sectários e apaniguados.

Não vemos, não vislumbramos, nem entendemos de outro modo o descaso, a falta de respeito e a hombridade em favor do chamado CONSUMIDOR. Um país onde para tudo se paga imposto, com os mais variados nomes (emolumentos, custas, despesas, tributos e tarifas), cenas como a que presenciamos dos velhinhos, continuarão a acontecer por aí afora, indefinidamente, sem que ninguém faça nada ou tome alguma providencia. Algumas perguntas não querem ficar caladas: Onde estão os nossos queridos e amados políticos do Congresso, da Câmara, do Senado ou da Casa do caralho?

Por qual ou quais motivos esses bandidos de colarinhos brancos e impecáveis não propõem uma lei severa para punir com rigor, esses vigaristas que agem pelos quatro cantos do país a seu bel prazer e as margens da lei? O quadro sistêmico que vemos aí nos leva a deduzir com grande pesar o seguinte: somos um enorme e infindável bando de marionetes. Os grandalhões, os empresários, meus caros e amados, de fato nos manipulam como querem e desejam. Por conta disso, as multiplicações desenfreadas se proliferam como puteiros e outras pocilgas espalhados em beiras de estradas e rodovias. Quando isso terá fim? A resposta é simples: no dia em que as galinhas criarem dentes. Até lá, o zé povinho, e a maria sofredora continuarão se fodendo e tomando no olho de seus respectivos orifícios cagadores. 

Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de Venda Nova do Imigrante, ES, 28-4-2026                                                             

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